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2022: Um novo ano que nos pede coragem e união

31 de janeiro de 2022

Combustível, eletricidade, gás de cozinha, alimentação. Itens essenciais que a cada dia ficam mais caros, com reajustes que chegam a superar o maior aumento da inflação dos últimos seis anos. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do país, encerrou 2021 em 10,06%. E o que podemos esperar para 2022 é que a inflação continue impactando o bolso de toda a população.

No nosso caso, professores e professoras, precisamos lembrar que desde 2020 não temos recomposição salarial. O contexto da pandemia e todas as incertezas nos levaram à aprovação momentânea de uma convenção emergencial. Mas, neste ano, temos uma tarefa fundamental: recuperar minimamente nosso poder de compra, por meio de uma recomposição salarial acrescida de um reajuste pela valorização docente. Não podemos esquecer que, nos últimos tempos, enfrentamos inúmeras adversidades e mantivemos, com árduo trabalho, o compromisso com a educação e as escolas funcionando.

Os números e a realidade

As escolas particulares têm alegado um grande déficit no número de matrículas, que seria resultante da crise econômica provocada pela pandemia. No entanto, dados oficiais mostram uma realidade diferente.

fonte:INEP

A análise do número de matrículas no setor privado em Minas Gerais, segundo os dados disponibilizados no INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), contradiz o discurso alarmista utilizado pelo patronal para não conceder à categoria melhores condições de trabalho e recomposição salarial. Em 2020, ano indicado pelos donos de escolas como um período drástico em relação à redução de matrículas no setor privado, houve, em Minas Gerais, uma queda de apenas 2,25% (gráfico 1).

Contrariando ainda mais o discurso recorrente do patronal, alguns municípios demonstraram inclusive um crescimento relevante, como Coronel Fabriciano, chegando a crescer em 17,77% o número de matrículas em 2020, logo após uma redução de 7,20% em 2019. Ou seja, em um ano de impacto da pandemia, muitas matrículas retornaram para o setor privado.

 

fonte: INEP

Além disso, uma pesquisa divulgada em janeiro pelo portal “Mercado Mineiro” aponta que as mensalidades das escolas podem ficar até 12,7% mais caras neste ano. E, de acordo com levantamento realizado pelo jornal “Estado de Minas”, em novembro de 2021, os aumentos chegaram a 17%.

Não há outro caminho: garantir uma educação de qualidade passa necessariamente pela valorização da carreira docente, por meio de melhores condições de trabalho e salários.

No final de janeiro, o governo federal, sob pressão de parlamentares e educadores, se viu obrigado a cumprir a lei do piso salarial nacional dos professores, que foi sancionada em 2008, pelo então presidente Lula. Com isso, teve de conceder um reajuste de 33,23% para os docentes da rede pública de educação básica.

Já para os professores da rede privada, os valores são os definidos pelas Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs), assinadas após meses de negociação com o patronal e muita luta dos professores. Por isso, para conquistarmos um reajuste digno, precisamos ampliar a mobilização da categoria e fortalecer o sindicato. Só assim conquistaremos melhores condições de vida e trabalho.

Novos tempos, novos direitos!

Desde o início da pandemia, vivemos uma nova configuração de trabalho. Mesmo com a volta às aulas presenciais, seguimos nos desdobrando para lidar com tantos modelos e metodologias de ensino. Em uma realidade de tantas mudanças, nossa campanha reivindicatória deste ano traz a urgência de lutar por novos direitos, além de defender a manutenção de tudo que foi conquistado. Lembramos aqui o quanto é importante lutar pela regulamentação dos ensinos

remoto e híbrido, por um adicional extraclasse que corresponda ao volume de trabalho atual, pelo direito à desconexão, por uma proteção à saúde física e mental da categoria, entre outras reivindicações.

2022 nos convoca a unir forças

A cada ano reafirmamos a importância da união e da mobilização da categoria na luta por nossos direitos. Mas neste ano, que já se inicia apresentando tantos desafios, a união da categoria também deve fazer parte de uma resistência ampla da sociedade brasileira.

A começar pela saúde. Precisamos celebrar a eficácia da vacinação contra a Covid-19. Vacina que se transformou em símbolo de vida, em um país com mais de 600 mil mortos pelo coronavírus e que se- gue sofrendo os impactos dos inúmeros gargalos no processo de enfrentamento à pandemia.

É preciso sim celebrar a queda da taxa de casos graves e de mortes, mas sem nos esquecer que a pandemia ainda continua. Já começamos o ano com o altíssimo nível de contaminação pela nova variante “ômicron”. Em Minas Gerais, nos 17 primeiros dias de janeiro, já havia mais casos de Covid-19 que durante os três últimos meses de 2021 somados, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Ainda não superamos essa crise sanitária. Seguir em defesa da vida é fundamental, atentos/as aos reflexos emocionais, psicológicos, sociais e econômicos dessa crise.

Além dos impactos da pandemia, ainda precisamos enfrentar o projeto contínuo de retirada de direitos da classe trabalhadora, o sucateamento da educação no país e das instituições de pesquisa. Precisamos enfrentar a narrativa de ódio e intolerância que cada vez mais vem ganhando visibilidade e espaço, inclusive nas instâncias institucionais de poder. Por isso, neste ano, que também é um ano de eleições, somos convidados/ as a resistir em todos os espaços: do nosso cotidiano às urnas.

Precisamos estar unidos/as e conscientes.

Basta de retrocessos!

Que 2022 seja um ano em que a esperança renasça!

 
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