Notícias

ADPUC: Carta à comunidade acadêmica da Puc Minas

6 de maio de 2010

Em atendimento a uma solicitação da Associação dos Docentes da PUC Minas (ADPUC), o Sinpro Minas publica uma carta à comunidade acadêmica da instituição de ensino, apresentando a posição da ADPUC em relação à paralisação das atividades dos professores da rede particular de ensino de Minas Gerais, ocorrida no mês de abril.

Confira a carta na íntegra:

Prezados colegas,

 

Reunimo-nos na sede da ADPUC, às 17:00 horas do dia 6 de abril, para ouvir o relato da representante do nosso sindicato sobre a paralisação dos professores e o andamento das negociações com o sindicato patronal. Solidários com a mobilização da categoria e conscientes da justiça de nossas reivindicações, nosso objetivo, depois do recesso da Semana Santa que dificultou nosso envolvimento imediato, era o de analisar a situação e de preparar a Assembléia dos Docentes da PUC Minas, agendada para o próximo dia 15, quando discutiríamos a nossa participação no movimento e a nossa pauta de reivindicações.

 

Tomamos conhecimento, no decorrer da reunião, de nota postada no site do nosso Sindicato (www.sinprominas.org.br), acerca da reação da Sociedade Mineira de Cultura, “mantenedora” da PUC Minas e do Sistema Arquidiocesano, ao envolvimento dos professores dos colégios por ela administrados nas paralisações. A nota denuncia a pressão realizada pela direção da mantenedora sobre os docentes para não participarem do movimento e afirma:

 

esperamos que o Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor, reveja a postura que ele tomou [e] informou em reunião por meio de seu pró-reitor, professor Alexandre, de não ser de acordo com nenhum envolvimento de seus professores no movimento pela garantia de seus direitos” (destaque nosso).

 

Procedente ou não a informação, mas baseados no caráter cada vez mais centralizador da atual direção da Sociedade Mineira de Cultura e de suas conseqüências para a autonomia acadêmico-administrativa da PUC Minas – retórica e reiteradamente negada, mas que cada vez mais se expande e contamina sutilmente, como faz o joio com o trigo, as instâncias universitárias – lembramos, preventivamente, o seguinte:

 

1. não somos professores dele, mas de uma instituição chamada Educação, Escola ou Universidade. Confundir pessoas e instituições é, no mínimo, voltar alguns séculos atrás quando os indivíduos não eram cidadãos, mas súditos de Sua Majestade, ou seja, propriedades do Príncipe. Este tempo, para a felicidade de muitos e a infelicidade de poucos, há muito se perdeu na poeira das eras. Acordemos Senhores, pois estamos no século XXI – apesar de muitos sonharem que ainda vivemos no XV, época em que uns poucos eram senhores e muitos outros vassalos!;

 

2. não precisamos das bênçãos ou da autorização de ninguém para tomar nossas decisões. Vivemos em um Estado democrático e temos o direito inalienável de ir e vir, de nos reunirmos livremente em associação, expressar nossas idéias, tomar nossas decisões e lutarmos por meios legítimos – a greve é um deles – na defesa de nossos interesses;

 

3. assim como a mantenedora reúne-se com seus iguais em suas instâncias de representação e toma livremente suas decisões – inclusive a de não atender nossas reivindicações – nós, professores, nos reunimos livremente em nossas instâncias de representação e tomamos, também livremente, nossas decisões.

 

Portanto, procedente ou não a informação, somos solidários aos nossos colegas do Sistema Arquidiocesano e desde já repudiamos qualquer interferência da mantenedora ou de seus prepostos de plantão na nossa autonomia e em nosso direito de livremente escolher o que devemos, pretendemos ou queremos fazer. Somos nós, docentes, que decidimos como e quando devemos deflagrar um movimento grevista, se vamos ou não dele participar, quando e como devemos terminá-lo.

 

Repudiamos, veementemente, qualquer tentativa de direção e de pressão alienígena ao nosso movimento! Reconhecemos como legítimos aqueles eleitos pelos próprios professores, ou seja, seus órgãos de representação e a vontade soberana da assembléia docente, e não os áulicos de agora e sempre…

 

Lembramos aos colegas, professores da PUC Minas, que esta situação pode, no médio e longo prazo, também se estender a esta Universidade. Embora a paralisação tenha se encerrado durante a realização de nossa reunião, a nossa luta, como a de toda a categoria, ainda continua. Nosso Acordo Coletivo, o mais pernicioso já assinado em nossa história, expira em 2011 e temos que decidir nossa pauta de reivindicações. Temos que recuperar nossa dignidade de professores e impedir que situações, à maneira da relatada acima, se expanda e reduza ainda mais nossos direitos.

 

Por isso convidamos todos os docentes da PUC Minas para participar da Assembléia Ordinária no dia 15 de Abril, para nela discutir e aprovar nossa pauta de reivindicações e decidir nossas estratégias de mobilização e de negociação. É nossa a decisão, é nosso o direito de decidir e de agir! Portanto, compareçamos a Assembléia e decidamos, pois apenas nós, professores, podemos fazê-lo, e ninguém mais!

 

Belo Horizonte, 6 de abril de 2010

 

Conselho de Representantes Docentes da ADPUC Diretoria da ADPUC

 

 

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Geral
Mundo
Opinião
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Ponte Nova
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Teófilo Otoni
Uberaba
Uberlândia
Varginha