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Cineasta debate curtas-metragens sobre a mulher e a memória

12 de junho de 2008

A cineasta e diretora da Casa de Cinema de Porto Alegre Ana Luiza Azevedo participou, nessa quarta-feira (11), de um debate com o público no Cineclube Joaquim Pedro de Andrade, em Belo Horizonte, após a exibição dos curtas-metragens Dona Cristina Perdeu a Memória (2002) e Ventre Livre (1994). Os dois filmes, dirigidos e roteirizados pela própria Ana, navegam por universos bem distintos.

Imagem do filme Dona Cristina Perdeu a Memória

O primeiro é uma bela obra sobre a relação entre a velhice, a infância e a memória. Antônio, um menino de oito anos, vive ao lado de um asilo, moradia de Dona Cristina, de 80 anos. A cada vez que os dois se encontram, Dona Cristina conta histórias diferentes sobre a vida dela, os nomes dos parentes e dos santos. É a partir dessa relação, de amizades mútuas, que a senhora passa a acreditar na capacidade de o garoto ajudá-la a recuperar a memória. Segundo a diretora, o filme é uma homenagem aos seus avós. “Sempre tive uma proximidade muito grande com o mundo dos avós. Vivemos numa sociedade onde os velhos são cada vez mais apartados das crianças, e o filme tenta quebrar essa barreira”. Já o segundo filme (foto abaixo), Ventre Livre, é um documentário sobre direitos reprodutivos da mulher, feito para ser exibido em um encontro da ONU em 1995, que discutiu o assunto. Na verdade, a obra retrata a dura realidade de mulheres que, em um país extremamente desigual – de um futuro que nunca chega -, enfrentam dificuldades não só financeiras, mas também quando se envolvem com questões como o aborto, a gravidez na adolescência e a esterilização.

A cineasta Ana Luiza Azevedo

“A idéia inicial era trabalhar com casais, mas não consegui, pois foram poucos os que se dispuseram a dar entrevista. E, ao tratar dos direitos reprodutivos, estava claro que a desigualdade estaria presente. Mas para abordar a questão da desigualdade social foi difícil, pois as mulheres da classe média não queriam dar depoimentos. Só conseguimos a Denise, que era militante e advogada. Ela pensou mil vezes, mas nós a convencemos”, disse Ana Luiza Azevedo.Sobre a cineastaFormada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ana Luiza Azevedo é sócia da Casa de Cinema de Porto Alegre e trabalha com cinema desde 1984. Em sua carreira, já dirigiu vários curtas e séries especiais para a televisão.Foi diretora assistente dos longas-metragens Tolerância (2000), O homem que copiava (2003), Meu tio matou um cara (2004) e Sal de Prata (2004) e assistente de direção em diversos filmes, entre eles o premiado curta Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado. Atualmente, Ana Luiza prepara o seu primeiro longa-metragem, que deve se chamar Antes que o mundo acabe e está previsto para ser lançado em 2009.    

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