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Estudantes manifestam apoio à greve dos professores na Unincor

Movimento grevista cresce, e mais professores paralisam as atividades docentes

Os professores da Unincor estão em greve por tempo indeterminado, desde terça-feira (5/4), e o movimento cresce a cada dia, com a adesão de outros docentes e o apoio de pais e alunos da instituição de ensino.

Ontem, estudantes de vários cursos da universidade publicaram notas e moções de apoio à paralisação. Os docentes reivindicam a regularização das dívidas trabalhistas. Até o momento, eles não receberam os salários de fevereiro e março, as férias e o 13º, e a instituição de ensino também descumpre outros direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

“A luta é legítima e também é nossa. Pagamos nossas mensalidades em dia para que sejam cumpridas as devidas obrigações e os direitos dos professores. Diante dos acontecimentos, ficamos extremamente indignados. O que mantém a instituição viva somos nós, alunos, e a dedicação total de vocês. Não aceitaremos que sejam desvalorizados dessa forma. Estamos com vocês”, disseram, em nota, os estudantes de Educação Física.

Alunos do curso de Veterinária também declararam apoio aos docentes, em nota postada nas redes sociais. “Viemos por meio desta comunicar que estamos com vocês. Efetuamos o pagamento das nossas mensalidades em dia, para que sejam cumpridas todas as obrigações e os direitos de vocês, que não medem esforços para nos ensinar. Vocês não estão sozinhos”.

Nessa quinta-feira, alunos de vários cursos também participaram de uma manifestação dos professores nas ruas de Três Corações, realizada com o objetivo de chamar a atenção da população para as irregularidades praticadas pela instituição de ensino.

“Acima de tudo nos é ensinado respeito e ética, e vocês não estão sozinhos nesta luta. Sejam fortes. Aonde for preciso, iremos para que sejam valorizados. O direito de vocês e de qualquer colaborador precisa ser respeitado. Pagamento já”, afirmaram os estudantes de Estética e Cosmética da Universidade.

Já os alunos do curso de Pedagogia destacaram que a luta dos professores pelo cumprimento dos direitos trabalhistas é um gesto que ensina. “A educação não está condensada apenas ao que aprendemos em sala de aula, mas também em nossas atitudes. Todo nosso apoio aos professores nesta causa legítima. Lutando, professores também estão ensinando”.

Nessa quinta, em uma mediação no Ministério do Trabalho e Emprego, representantes da Unincor apresentaram uma proposta de parcelar os salários atrasados e que as dívidas do INSS e FGTS serão pagas a partir de agora (as anteriores, no entanto, ficarão à cargo da Justiça resolver). Esta proposta foi rejeitada por unanimidade pelos professores, em reunião agendada, na tarde de ontem, 07/04, para discuti-la.

*Dívidas trabalhistas*

A greve dos professores da Unincor tem o objetivo de pressionar a instituição de ensino a regularizar as pendências trabalhistas. Há mais de 10 anos, a universidade atrasa constantemente ou não paga salários e verbas rescisórias e não deposita o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o INSS dos trabalhadores, além de descumprir outros direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

O Sinpro Minas já ajuizou inúmeras ações individuais e coletivas contra a instituição de ensino, para que as irregularidades trabalhistas sejam corrigidas e os/as docentes tenham seus direitos preservados.

Ao longo desses anos, várias mediações no Ministério Público do Trabalho e audiências na Justiça já foram feitas, e assembleias de professores, realizadas para discutir os problemas. No entanto, a universidade se recusa a resolver, de forma definitiva, as pendências.

No ano passado, em reuniões de mediação no Ministério Público do Trabalho (MPT), representantes da Unincor até reconheceram algumas irregularidades, mas não se comprometeram a resolvê-las nem apresentaram proposta. A partir de critérios desconhecidos, a direção da universidade até chega a quitar parte dos atrasados de alguns docentes. Mas o que eles querem ao agir assim é tentar desmobilizar a categoria, com a ideia de que em breve o salário de todos poderão ser pagos de forma correta – o que não ocorre.

O Sinpro Minas destaca que a greve é legítima, constitucional e funciona como um recurso para chamar a atenção da comunidade escolar e pressionar a direção a resolver as pendências, depois que várias outras tentativas de solucionar as pendências foram feitas.

“A universidade mantém há anos essa postura de descaso e de descumprimento da legislação trabalhista, e a direção sequer cumpre um dos direitos mais básicos dos trabalhadores, o de receber em dia seu salário. Por isso os professores cruzaram os braços. Não há condições de lecionar em um ambiente assim, de total desrespeito ao trabalho sério e de qualidade feito pelos professores e aos alunos e pais também”, criticou a presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, ao reiterar que o sindicato vai continuar as ações em defesa dos direitos dos professores da Unincor.

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