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Fórum Social Mundial reúne 92 mil pessoas em Belém

28 de janeiro de 2009

O calor intenso e a chuva não impediram que 92 mil pessoas de 120 países ocupassem as ruas para participar da marcha de abertura da 9ª edição do Fórum Social Mundial, nessa terça (27/01), em Belém do Pará. Até domingo (01/02), serão mais de 2.500 atividades que ecoam as mais diferentes lutas da atualidade. Depois de passar por outros países, em 2009, o Fórum voltou ao Brasil para colocar no centro do debate as respostas à crise global – econômica, financeira, ambiental e alimentar, com particular atenção à perspectiva dos povos indígenas.

A escolha da sede do evento não foi por acaso. A cidade de Belém está no coração da selva Amazônica, região que se estende por nove países do continente: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Suriname, Venezuela e as Guianas. Para o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, que participa do Fórum junto à delegação do sindicato, esses debates fortalecem a perspectiva de construção de um outro mundo possível, lema central do evento. “A crise mundial aponta para o fim do neoliberalismo e para a necessidade de criarmos um novo modelo de desenvolvimento, justo e sustentável”, destaca Gilson.

Em Belém, estão presentes movimentos e organizações vindas de todo o Brasil e do mundo: África do Sul, Alemanha, Argentina, Bangladesh, Bélgica, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa do Marfim, Cuba, Dinamarca, Egito, Equador, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Inglaterra, Filipinas, Finlândia, França, Japão, Jordânia, Guiana Francesa, Guiné, Haiti, Índia, Israel, Itália, Líbia, Mali, Marrocos, México, Nepal, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Paquistão, Palestina, Paraguai, Peru, Quênia, República Democrática do Congo, República Dominicana, Rússia, Senegal, Suécia, Quiça, Tanzânia, Turquia, Uruguai, Venezuela, Zâmbia, Zimbábue e outros.

As três primeiras edições do FSM, assim como a quinta, aconteceram em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, respectivamente em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2004, o evento se deslocou, pela primeira vez, até a Índia, enquanto em 2006, sempre em expansão, foi descentralizado em três países de diferentes continentes: Mali (Africa), Paquistão (Ásia) e Venezuela (América). Em 2007 voltou a acontecer de forma centralizada no Quênia (África). Em 2008, com o objetivo de aumentar a visibilidade deste processo, em vez de um evento em um local, decidiu-se pela celebração de um Dia de Ação de Mobilização Global, realizado em 26 de Janeiro em mais de 80 países, com cerca de 800 atividades e manifestações auto-gestionadas.

Fórum Mundial de EducaçãoTemas como acesso à educação pública de qualidade e regulamentação do ensino privado também estão em debate no Fórum. Nos dias 26 e 27/01, o Sinpro Minas participou das atividades do Fórum Mundial de Educação. Celina Arêas, diretora do Sinpro e da Contee convidou a todos os educadores do Brasil e do mundo, presentes ao evento, a participar da Campanha Educação não é mercadoria. “Devemos nos unir e lutar para que a Organização Mundial do Comércio (OMC) não  defina a educação como serviço a ser comercializado”, afirmou Celina.

Para Cristina Barra, representante do MST, o direito à educação deve ser uma luta de todos, como também a luta pela terra, por saúde e infra-estrutura. “Esses direitos básicos da população devem ser garantidos pelo Estado, não devem ser tratados como mercadoria”, disse Cristina.

Resitência pan-amazônicaO segundo dia do FSM, 28 de janeiro, será dedicado completamente aos 500 anos de resistência, conquistas e perspectivas das populações indígenas, afrodescendentes e populares. Durante o “Dia da Pan-Amazônia“, organizado pelo 5º Fórum Social Pan-Amazônico, os movimentos e os povos da região irão falar ao mundo, estreitando laços e criando novas alianças a partir das metodologias de discussão usadas pelo Fórum Social Pan-Amazônico (assembléias, plenárias, caravanas viárias e fluviais).

Cerca de 27% do território amazônico, formado pelos nove países da Pan Amazônia, é ocupado por terras indígenas e 10% de toda a população da América Latina, o equivalente a 44 milhões de pessoas, e composto por  522 povos tradicionais de diferentes etnias. São crianças e adultos protagonistas de uma luta de resistência e que sofrem perdas irreversíveis provocadas pelo capitalismo neoliberal predatório, impulsionado pela expansão das atividades de empresas multinacionais – mineradoras, petrolíferas, hidrelétricas, madeireiras, sojeiras, entre outras – sobre as reservas indígenas.Essa realidade, assim com a campanha  mundial em defesa do planeta, está na agenda dos indígenas durante a 9ª edição do Fórum Social Mundial, que está acontecendo na Universidade Federal do Pará (UFPA) e na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém. A expectativa é receber aproximadamente três mil participantes indígenas de diferentes etnias de todo o globo, tanto da Pan Amazônia, quanto de outras partes do mundo, como da América do Norte, da África e da Índia. “Queremos dar início a uma campanha a favor da vida e da terra. O mundo está em perigo e se as ações das multinacionais, que destroem a Amazônia e outros ecossistemas, vitais para a humanidade, não forem freadas, em dez anos as alterações climáticas e desastres ambientais vão ser inevitáveis”, prevê Roberto Espinoza, uma das lideranças que coordena a participação dos povos indígenas no Fórum.

Como membro da Coordenadora Andina das Organizações Indígenas (CAOI), entidade que desde 2006 encabeça a luta pelos direitos indígenas, Espinoza explica que o FSM 2009 permitirá trazer a público uma realidade que para as comunidades indígenas não é mais novidade. “Com o respaldo do Estado, assegurado por  incentivos fiscais e ausência de projetos de preservação ambiental, essas multinacionais se apropriam de forma desenfreada das riquezas naturais da Amazônia e colocam os povos tradicionais a mercê do capital ‘neocolonialista’. Transformam as terras indígenas em meras depositárias e exportadoras de matéria-prima. No povoado de Oroya, no Peru, 40 crianças foram diagnosticadas com doenças tóxicas, provocadas pelo contato com mercúrio, utilizado na extração mineral”, denuncia.

O lema das lideranças indígenas é vencer a passividade e não mais se calar diante das injustiças e desmandos impostos pelo capitalismo praticado pelos governos e empresas.  Mas, para discutir e denunciar os agressores e apontar as alternativas diferentes de sustentabilidade, os movimentos indígenas também lutam contra a descriminalização social que ainda recai sobre sua causa. Motivo pelo qual o FSM será um espaço uníssono para mostrar que a mobilização indígena deve ser abraçada por toda a sociedade e povos do planeta, do contrário, adverte Spinoza, as conseqüências serão catastróficas. “O problema indígena afeta a humanidade, o Brasil e toda a população amazônica”, afirma Spinoza.

No Peru, das seis mil comunidades que habitam a Amazônia Andina, três mil estão ameaçadas pela exploração mineral realizada por empresas como a multinacional brasileira Vale. O alerta é da liderança indígena Nancy Iza, integrante da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), que reúne movimentos indígenas de toda Pan Amazônia. “A mineração é atualmente o maior e mais grave problema enfrentado pelos povos da região Andina, que além de perder seus territórios já desertificados e improdutivos, onde os leitos de muitos rios foram desviados de seu curso normal, ainda convivem com as doenças provocadas pela substancia tóxica do mercúrio (utilizado na atividade mineral) que contamina o solo e as águas”, conta. De Belém,
Cecília Alvim
Fotos: Renata Mielli/Vermelho

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