Notícias

Múltiplas bandeiras marcam Grito dos Excluídos pelo país

8 de setembro de 2009

O Grito dos Excluídos deste ano, em sua 15.ª edição, levou para as
ruas de várias cidades brasileiras uma grande variedade de temas, o que
acabou diluindo as manifestações. O Grito dos Excluídos é organizado há
15 anos por várias pastorais sociais da Igreja Católica, organizações e
movimentos sociais.
Sob o lema
“Vida em primeiro lugar – A força da organização está na transformação
popular”, as manifestações citaram a indignação dos trabalhadores
contra os efeitos da crise econômica e as demissões, por emprego e
melhores salários, pela manutenção dos direitos e pela sua ampliação,
por Reforma Agrária e Reforma Urbana Já, em defesa dos nossos recursos
naturais (O petróleo tem que ser nosso!), contra a corrupção e a
impunidade e contra a criminalização da Pobreza e dos movimentos
sociais foram os motes “oficiais” da mobilização. A estas bandeiras,
várias outras foram agregadas em diferentes cidades.
Fortemente marcado pelo discurso religioso e o protagonismo de
lideranças ligadas à ala progressista da igreja católica, o ponto de
união em todas as manifestações populares desta 15ª edição do Grito foi
a ênfase na questão ambiental.
Em São Paulo, o Grito dos Excluídos serviu para mostrar que
existem pessoas inconformadas com atual situação do país, afirmou a
coordenadora da romaria a pé, Célia Leme. A caminhada foi iniciada
domingo, na Paróquia de Perus, e percorreu diversos pontos da capital
paulista, até a missa realizada na manhã desta segunda-feira, na
Catedral da Sé. Após o culto, os manifestantes caminharam até o
Monumento do Ipiranga.
Segundo Célia Leme, o movimento é importante para “fazer ecoar que,
apesar da aparente normalidade, tem gente que não está satisfeita com
essa situação”. Ela se refere tanto a problemas como a fome e a
violência como aos recentes escândalos no Senado Federal.
“A questão da crise no Senado está pegando muito forte. Mexeu forte com a população e com a sociedade organizada”, disse Célia.
No Rio de Janeiro, o Grito focou sua atenção no protesto
contra a violência policial em comunidades carentes. Segundo o membro
da comissão organizadora do Grito Leo Haua, integrante do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra (MST), este é um momento único que precisa ser
usado pelos movimentos sociais para denunciar as injustiças sociais.
“Há alguns anos vem se desenvolvendo uma crise econômica no estado e
com isso também cresce a violência do estado contra quem mais sofre com
essa crise: a juventude negra das favelas principalmente, os
desempregados, os camelôs, que vem sendo criminalizados pelo sistema”,
afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Em Vitória, pela primeira vez, o movimento social, que
geralmente encerra o desfile de 7 de setembro no Centro de Vitória,
ocupou outro espaço e foi realizado no mesmo horário do desfile
Cívico-Militar. O Grito dos Excluídos capixaba se voltou para a ética
na política neste ano. Com o auxílio de um carro pipa, os manifestantes
varreram e lavaram as escadarias do Tribunal de Contas do Estado (TCE),
Tribunal de Justiça (TJES) e Assembleia Legislativa do Espírito Santo
(Ales). Entre os assuntos alvos de críticas estavam a violência, a
corrupção e a crise política do Senado.
Um dos coordenadores do movimento e da Pastoral da Arquidiocese de
Vitória , Padre Kelder Figueira, destaca que a sociedade privilegia o
lucro, os bens de consumo e a exploração do trabalho em detrimento da
dignidade da vida do ser humano.
“A corrupção está associada à política e ao modelo econômico
estabelecido, e as instituições que deveriam se dedicar ao bem comum
legitimam a prática da defesa de interesses de pessoas e de
determinados grupos. Por isso esse gesto simbólico de lavar as
escadarias do Tribunal de Contas, de Justiça e da Assembleia
Legislativa”, afirma o padre.
“A gente veio gritar contra a violência da criança. Estamos denunciando
todos os tipos de violência,como abuso sexual, violência psicológica e
a pedofilia. Essa é uma forma da sociedade voltar os olhos para esses
problemas e dentro da própria família acontece essa violência”,
denuncia a representante da Pastoral da Criança, Rosilene Castro.
Em Curitiba, a manifestação do Grito dos Excluídos reuniu
cerca de 400 pessoas no aterro da Caximba. O local foi escolhido para o
evento, segundo o militante da Assembleia Popular Pedro Carrano, porque
o lixo e o modelo ideal de aterro foram, este ano, motivos de
discussões em diversas comunidades locais. “É um problema que Curitiba
está discutindo e que todas as cidades brasileiras terão de repensar. O
Grito faz parte de uma reflexão nacional, por isso contamos com a
participação popular”, diz.
Este ano, o Grito contou com a participação do movimento estudantil,
que pediu a abertura dos arquivos da ditadura militar. Além de falar do
problema do lixo, os militantes abordaram ainda as lutas dos povos
indígenas, a crise financeira internacional e o extermínio da juventude
pela violência e as drogas.
Em Belém, o evento chamou a atenção para questões como a
crise econômica e a violência na cidade.A caminhada começou às 8h, na
rua São Domingos e seguiu por várias ruas do bairro, sempre com paradas
em locais estratégicos como a delegacia, caixa d’água, posto de saúde e
uma escola do bairro. Em cada parada, as cerca de duas mil e quinhentas
pessoas fizeram uma explanação sobre os problemas recorrentes desses
locais.
“O que chamamos atenção é que não adianta a polícia estar na rua, com
viaturas, se não houver uma política de inclusão, que priorize a
educação e a saúde, para que os jovens não se envolvam com o consumo e
tráfico de drogas”, disse um dos coordenadores da programação, Eraldo
Rodrigues Júnior.
Os participantes também se posicionaram contra a privatização do
serviço de água e esgoto da cidade. ‘Estamos questionando a
privatização da água porque achamos que isso não vai trazer benefício
para a população’, comenta.Recife teve maior manifestação
Recife foi palco da maior manifestação desta 15ª edição do Grito dos
Excluídos. Ao contrário de outras cidades, na capital pernambucana, os
pedidos de “fora Sarney” e pelo fim do Senado foram feitos apenas por
integrantes da central sindical Conlutas e dos partidos políticos PSTU
e PSOL.
Cerca de 5 mil pessoas – representando mais de 50 entidades e
movimentos sociais – participaram do Grito dos Excluídos, em Recife,
que contou com um reforço de peso: o arcebispo de Olinda e Recife, dom
Fernando Saburido. Índios, representantes dos movimentos negros e gay e menores de rua engrossaram as fileiras da manifestação.
Segundo um dos organizadores do grupo, Jaime Amorim – que também é
coordenador regional do MST – os movimentos sociais preferiram “não
estreitar” o debate. Ele disse que com a exclusão social ainda
existente no Brasil não dá para comemorar o Sete de Setembro mas sim
“contestar” o modelo institucional brasileiro que está ultrapassado.
Na manifestação chamou a atenção um trio formado pelo “Presidente
Lula”, por “Barack Obama” e por um integrante com visual parecido com o
de Lampião. Todos sob a bênção de um boneco gigante encarnando dom
Helder Câmara, ex-arcebispo de Olinda e Recife, já falecido, e que
marcou sua passagem na Arquidiocese pelo trabalho em defesa de
perseguidos políticos e dos excluídos.
Portal Vermelho
com agências

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Geral
Mundo
Opinião
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Ponte Nova
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Teófilo Otoni
Uberaba
Uberlândia
Varginha