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Nota em solidariedade à comunidade de Brumadinho

O Sinpro Minas, Sindicato dos Professores de Minas Gerais, manifesta toda solidariedade e apoio aos/às familiares e amigos/as de todas as vítimas de mais um crime socioambiental e trabalhista da mineradora Vale. No último dia 25 de janeiro, romperam-se três barragens no município de Brumadinho, região metropolitana de Minas Gerais e cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro foram despejados sobre a região. Até o momento já foram confirmadas 65 mortes e 288 pessoas desaparecidas.

O Sinpro, enquanto entidade de luta em defesa dos/as trabalhadores/as, torna público seu repúdio com relação a esse crime, reflexo de uma lógica em que o lucro se coloca acima da vida. Esse fato escancara a irresponsabilidade e negligência da Vale com relação aos/às seus próprios/as trabalhadores/as e moradores das comunidades onde são cavados seus bilhões em minérios. O que se torna óbvio também é a visão da natureza quanto algo a ser explorado até as últimas consequências. O rompimento já atingiu o Rio Paraopeba, com grande probabilidade de chegar ao Rio São Francisco. Cerca de 19 municípios podem ser impactados de diversas formas, atingindo comunidades e ecossistemas. Como bem refletia o escritor uruguaio Eduardo Galeano, “se a natureza fosse um banco, já teria sido salva”.

O crime da Samarco/Vale em Mariana, no ano de 2015, ainda deixa marcas profundas para todas as pessoas atingidas. É preciso seguir denunciando todas as brechas que fazem com que as empresas de mineração ajam de acordo com seus próprios interesses, colocando suas metas acima de qualquer bem comum e das leis trabalhistas. Ressaltamos que a Vale deve ser punida e responsabilizada por todas as consequências desse crime. Para o Sinpro Minas, assim como um momento de denúncia, este também é um momento de unir forçar e cultivar a solidariedade histórica entre aqueles/as que sofrem cotidianamente com as desigualdades e opressões deste sistema. O Sindicato, então, reafirma seu apoio a todos/as atingidos/as por esse crime, incluindo a toda comunidade de Brumadinho, já marcada por um dos capítulos mais triste da história do país.

O Sinpro também se solidariza com os/as professores/as e toda a comunidade escolar de Brumadinho e região. Sabemos o quanto esse crime pode afetar estruturalmente e emocionalmente aqueles/as que estão construindo uma educação de qualidade e por isso a entidade se coloca à disposição para qualquer contribuição necessária.

É preciso transformar toda essa indignação em resistência, para que outras cidades como Mariana e  Brumadinho não sejam lembradas enquanto cidades que se afundam em lama. Essa lama é da Vale, da mineração predatória, desse modelo desigual e desumano, que nos prova, dia após dia, que na lógica privatista e exploratória, “o lucro é o deus acima de tudo e todos”. Para que esses crimes não sejam mais naturalizados e em defesa de diversas outras tantas formas de vida ameaçadas por essa lógica, seguiremos em luta e em defesa da classe trabalhadora.

Diretoria do Sindicato dos Professores de Minas Gerais

Foto: Ricardo Stuckert

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