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O Brasil real está debaixo do viaduto

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Não tem texto na fotografia de O Globo, e nem precisa.

Basta dizer que são brasileiros, aos milhares, debaixo do viaduto do Anhangabaú e até aonde a vista alcança, numa fila de empregos, ou de esperança de empregos, porque o emprego não há, especialmente para os mais velhos.

As estatísticas dizem que, ainda que lentamente, os empregos estariam voltando.

As ruas, infelizmente, mostram o contrário.

Estão cheias de miseráveis, sem-teto, sem esperança, sem sonhos.

E sem país, porque o país os ignora, como mãe desnaturada e pai que abandona.

Os homens bem-postos, que dirigem o Estado e as políticas econômicas com que ele deveria provê-los, os ignoram.

Pior, comemoram a crise econômica a que, do alto de sua pureza moral, levaram o país a um estado de degradação que corruptos e desonestos jamais lograram conduzir.

Chamam isso de “moralização”, embora os ganhos dos ricos, por aqui, nunca tenham sido tão imorais.

Acabamos com centenas de milhares, com milhões de empregos na construção, na indústria, nos serviços e em tudo o mais que lhe eram conexos.

A criança foi, sem a menor preocupação, atirada fora junto com a água suja do banho.

Mas a solução, para eles, é tirar mais ainda desta gente.

Rápido, depressa, antes que as pessoas percebam que a fúria destrutiva a ninguém destrói mais do que a elas mesmas.

Porque, ao desesperado, nada mais fácil de convencer que alguém é culpado de seu desespero porque lhe deu a esperança que já não pode ter mais.

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