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Pesquisa inédita constata a presença da violência na rede privada

24 de novembro de 2009

O Sinpro Minas divulgou, nesta terça-feira (24/11), a pesquisa inédita Rede particular de ensino: vida de professor e violência na escola, que verifica a percepção do docente sobre a violência nos estabelecimentos de ensino do setor privado.

Elaborada pelo sindicato, por meio do Grupo de Trabalho de Educação – coordenado pela diretora Lavínia Rosa Rodrigues, com o apoio das consultoras Ana Maria Prestes e Clarice Barreto –, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Educação e o Programa de Pós Graduação em Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas, a pesquisa mostra que 20% dos docentes pesquisados presenciaram o tráfico de drogas na escola, e mais da metade (62%) disse ter presenciado a agressão verbal. O estudo aponta ainda que 39% dos professores relataram ter visto situações de intimidação, e 35%, de ameaça

“Essa pesquisa, inédita no país, foi motivada pelo fato de existirem poucos estudos sobre a violência no setor privado de ensino. Isso se deve, em parte, pela dificuldade de acesso às informações, que nem sempre são disponibilizadas pelas escolas, como uma forma de preservarem sua imagem no ‘mercado’ educacional. Por isso, consideramos esse estudo um primeiro e importante passo para compreendermos melhor como se dá o complexo fenômeno da violência no ambiente escolar da rede privada”, avaliou Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.

O levantamento revela ainda que 53% dos pesquisados presenciaram situações em ocorreram danos ao patrimônio da escola, e outros 20% disseram ter testemunhado danos ao patrimônio pessoal. Além disso, 14% dos entrevistados já presenciaram furto, e 10%, roubo.

Para Gilson Reis, a violência na rede privada vem ocorrendo de forma mais acelerada nos últimos 12 anos, em decorrência do crescimento da mercantilização da educação. “É preciso ver a violência sob vários aspectos. Atualmente, quando o fato ocorre na escola privada, normalmente ele é acobertado. Existe uma pressão para que os problemas sejam resolvidos no interior da instituição de ensino, a partir do gestor, do diretor ou do coordenador”, afirmou o presidente do Sinpro Minas, durante a coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira. 

Segundo o estudo, mais da metade dos professores (65%) concorda que os meios de comunicação não noticiam a realidade da violência nas escolas particulares, e esse mesmo percentual concorda que as escolas particulares evitam a divulgação de situações de violência ocorridas em seu interior. Para a maioria dos pesquisados (75%), uma das principais causas da violência no ambiente escolar é a omissão familiar.  A professora da PUC Minas Sandra Tosta, coordenadora da pesquisa, aponta que uma das saídas para esse quadro passa pelo envolvimento da escola, dos alunos, dos pais e da comunidade nas discussões sobre o problema. “É preciso que a escola se abra para a sociedade, dialogue com a comunidade e repense suas políticas pedagógicas, considerando o contexto no qual ela está inserida”, disse. Segundo ela, a pesquisa serve também para mostrar à sociedade que a violência também está presente na rede privada.

“Existe uma certa representação já construída, e a mídia tem um papel fundamental nisso, de que violência é coisa de pobre, de negro, de favelado, de escolas de periferia e públicas. Não é. A violência é um fenômeno que atravessa todas as classes sociais de modo indistinto. Se a escola está numa região de risco social, não necessariamente ela é violenta. Quer dizer, a pesquisa abre um debate que é extremamente necessário e o que esperamos é que as escolas particulares aceitem fazê-lo”, destacou a coordenadora.Também nesta terça-feira (24/11), a TV Alterosa divulgou a notícia de um aluno que agrediu um professor da Unipac, em Juiz de Fora. Confira abaixo:


A pesquisa aponta também que metade dos entrevistados confirmou a existência de práticas de afastamento, suspensão e/ou demissão dos envolvidos em situação de violência, incluindo o professor, adotadas pela direção para amenizar tais conflitos. Em relação aos turnos, 27% dos docentes afirmaram ocorrer manifestações de violência na parte da manhã, 6% à tarde e 20% à noite.

Apesar do quadro negativo, a pesquisa revela que os docentes estão otimistas, pois 95% deles discordaram da afirmação de que a violência na escola não tem solução.

O presidente do Sinpro Minas e a coordenadora da pesquisa também comentaram o projeto de lei suplementar 191/09, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que tramita no Congresso Nacional e prevê medidas para coibir a violência nas instituições de ensino. Para Gilson Reis e Sandra Tosta, o projeto é importante, mas deve ser ampliado e abranger outros casos de violência, como a agressão verbal.

Gilson Reis disse também que o sindicato vai enviar a pesquisa para os parlamentares e demais instituições ligadas à educação no país, como forma de promover o debate em torno do assunto. >> Ouça a coletiva com Gilson Reis>> Ouça a coletiva com Sandra TostaConfira notícias veiculadas na imprensa:>> Professores de escolas privadas sofrem com ataques verbais e ameaças – Estado de Minas – 25/11/09>> 25% dos professores da rede particular de MG já presenciaram agressões de alunos – Folha Online – 28/11/09

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Confira abaixo o resumo distribuído para a imprensa, que contém mais dados sobre a pesquisa.

Pesquisa “Rede Particular de Ensino: Vida de Professor e Violência na Escola”Grupo de Trabalho de Educação – Sinpro MinasEDUC – Educação e Culturas – Programa de Pós-graduação em Educação / PUC MinasGIS – Sistemas de Informação Geográfica – Programa de Pós-graduação em Tratamento da Informação Espacial / PUC Minas

EQUIPE:Coordenadores:Prof. Dr. José Irineu Rangel RigottiProfa. Dra. Sandra de Fátima Pereira Tosta

Pesquisadores:Profa. Mrs. Célia A. dos Santos Marra (consultora)Prof. Mrs. Douglas Cabral Dantas

Entre 2007 e 2008, o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), em parceria com o Programa de Pós-graduação em Educação e o Programa de Pós Graduação em Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas, realizou a pesquisa “Rede Particular de Ensino: Vida de Professor e Violência na Escola”, cujo principal objetivo foi verificar a percepção do professor sobre a violência nos estabelecimentos de ensino do setor privado.   Com esse objetivo, a pesquisa buscou, a partir da percepção dos professores: a) evidências de indicadores ou fatos de violência escolar e sua freqüência; b) caracterizar os tipos de violência a partir da fala dos professores; c) levantar e identificar situações de envolvimento direto do professor em atos de violência; d) conseqüências da violência escolar em sua vida; e) tratamento dado pela gestão escolar às situações de violência; f) divulgação das situações de violência pela mídia.

A pesquisa foi motivada pelo fato de existirem poucos estudos sobre violência escolar no setor privado de ensino no Brasil, principalmente dando voz aos professores que vivenciam essa realidade. A quase totalidade das pesquisas hoje existentes são focadas no ensino público. Desse modo, entendeu-se que essa iniciativa poderia contribuir consideravelmente para preencher essa lacuna existente no meio acadêmico, e apontar possíveis alternativas de prevenção e combate à violência em meio escolar.

A partir do banco de dados de professores sindicalizados existente no Sinpro Minas, foi possível extrair uma amostra de 686 professores. Esses professores responderam a um questionário estruturado, que articulava variáveis como sexo, composição étnica, influência da mídia, influências do ambiente em que se situa a escola, a disciplina e a indisciplina, os projetos pedagógicos e os modos como a violência interfere no trabalho do professor. 

Após a realização das entrevistas e tabulação dos dados, as análises daí decorrentes mostraram alguns aspectos importantes para a compreensão do fenômeno da violência no ambiente da escola privada. Constata-se que, nessa rede, as causas da violência também são coincidentes com as causas encontradas na rede pública, excetuando-se as carências socioeconômicas e culturais.   Cientes da necessidade do aprofundamento dos estudos nesta área, consideramos ser esse um primeiro e importante passo no estabelecimento de uma promissora agenda de pesquisa, que precisa ser devidamente considerada e tratada pela sociedade e pelo poder público.

Seguem abaixo alguns números da pesquisa: 

  • 20% dos docentes pesquisados já presenciaram o tráfico de drogas na escola; 

  •  Mais da metade (62%) disse ter presenciado a agressão verbal; 

  • 24% dos pesquisados disseram ter presenciado agressão física; 

  •  39% dos professores relataram ter visto situações de intimidação, e 35% disseram ter visto situações de ameaça; 

  • 53% dos pesquisados presenciaram situações em que ocorreram danos ao patrimônio da escola, e outros 20% disseram ter testemunhado danos ao patrimônio pessoal;

  • 14% dos entrevistados já presenciaram furto, e 10%, roubo; 

  • Metade dos entrevistados confirmou a existência de práticas de afastamento, suspensão e/ou demissão dos envolvidos em situação de violência, incluindo o professor, adotadas pela direção da escola para amenizar tais conflitos;

  • 78% dos pesquisados concordaram que a falta de diálogo entre a escola e os alunos e entre a escola e a família ou lideranças do entorno incentiva atitudes violentas;

  • Para a maioria dos docentes (75%), uma das principais causas da violência no ambiente escolar é a omissão familiar;

  • O apelido ou gozação de aspecto pejorativo – o chamado bullyng – foi considerado violência por 91% dos professores, e presenciado por 52% dos respondentes.

  • 85% dos professores consideraram como violência a forma prepotente como alunos tratam profissionais da escola por se considerarem clientes da instituição; 

  • 91% dos respondentes concordaram que gangues, tráfico e uso de drogas no interior da escola ou em seu entorno contribuem para a violência; 

  • 86% dos pesquisados avaliam que o diálogo entre o corpo docente, discente e a direção da escola é uma estratégia de prevenção e combate à violência;

  • 27% dos professores concordaram que escolas localizadas em regiões violentas podem ser também violentas; 

  • Frente à afirmação de que os professores estão despreparados para lidar com a violência na escola, 67% dos docentes concordaram. Mesmo assim, 95% deles discordaram da afirmação de que “a violência na escola não tem solução”; 

  • Dos professores respondentes, 85% concordaram que tem surtido efeito o envolvimento da comunidade em ações promovidas pela escola no combate à violência; 

  • Mais da metade dos professores (65%) concorda que os meios de comunicação não noticiam a realidade da violência nas escolas particulares. Esse mesmo percentual concorda que as escolas particulares evitam a divulgação de situações de violência em seu interior;

  • Cerca de metade dos docentes (53%) concordaram e 27% concordaram em parte com a hipótese de que a abertura dos portões da escola em horários não escolares favorece o combate à violência; 

  • Há um equilíbrio percentual entre os professores que concordaram (33%), os que concordaram em parte (34%) e os que discordaram (31%) de que os meios de comunicação e as tecnologias digitais estimulam a violência nas escolas; 

  • Para 30% dos respondentes, “a escola assumiu o papel da família na educação, tornando-se a educadora primordial”. Outros 30% disseram que “a escola tem papel social (ensinar valores e formar cidadãos)”. 

  • Em relação aos turnos escolares, 27% dos docentes afirmaram ocorrer manifestações de violência, com mais freqüência, na parte da manhã, 6% à tarde e 20% à noite;

  • 91% dos professores consideram como violência o desrespeito à sua autonomia no exercício da docência, sendo que 52% vivenciaram situações dessa natureza.

  • 89% dos docentes consideram violência o descumprimento dos direitos trabalhistas, bem como 81% dos pesquisados consideram como violência a sobrecarga de trabalho.

  • Em relação aos sujeitos envolvidos nas situações de violência ocorridas nas escolas, a expressiva maioria das respostas obtidas refere-se ao par professor-aluno. O que significa dizer que os dados da pesquisa sugerem que é necessário olhar com muita atenção as condições concretas de desenvolvimento do trabalho decente e como isso pode afetar as relações em sala de aula e os processos de aprendizagem.

 

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