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Professor vira alvo de chacota e ofensa de aluno na internet

23 de julho de 2010

Faça uma pesquisa no Orkut com “odeio” e “professor”, e surgirão mais de mil grupos de discussão. A lista terá comunidades aparentemente inofensivas –como “Odeio a voz do meu professor”–, mas também incluirá outras raivosas e com nome da vítima –como “Odeio a professora Etiene”.

“Primeiro, fiquei chocada. Depois, senti vergonha, tristeza. Chorei”, diz Etiene Selbach, 43, professora de educação física num colégio particular de Porto Alegre. A comunidade havia sido criada por um grupinho de alunas de 13 anos após serem repreendidas numa aula.

 A professora Etiene Selbach foi vítima de “cyberbullying”; estudo do Rio Grande do Sul mostra que, a cada quatro professores gaúchos, um já sofreu agressão na internet Ao lado de uma foto de Etiene riscada com um xis, as meninas escreviam com deboche sobre o corpo, o cabelo e até as roupas dela.

Etiene foi uma vítima do “bullying”. No ambiente escolar, o “bullying” sempre foi associado àquele aluno valentão infernizando a vida do colega mais fraco. A novidade é que ele agora ataca o professor. E pela internet.

Estudo do Sinpro (sindicato de mestres) do Rio Grande do Sul mostra que, a cada quatro professores gaúchos, um já sofreu agressão na internet. Os motivos: o aluno tirou nota baixa, incomodou-se com um trejeito do professor ou simplesmente não foi com a cara dele.

“Alguns alunos acham que não passa de brincadeira. Outros creem que estão anônimos na internet”, diz o delegado Pedro Marques, da Delegacia contra Crimes Cibernéticos de Minas Gerais.

Calúnia, difamação e injúria são crimes. Quando o autor é maior de idade, pode ser condenado à prisão. Quando menor, ser advertido ou, em caso grave, internado em entidade como a antiga Febem.

Em 2008, os pais de um grupo de alunos de um colégio particular de Rondônia foram sentenciados a pagar R$ 15 mil por danos morais a um professor de matemática vítima de chacota no Orkut.

DemissãoO “bullying” também está no ensino superior. Roberta (nome fictício), 41, professora de jornalismo numa faculdade privada no interior de Minas, foi alvo dos desabafos de um estudante de 24 anos.

“No Orkut, ele me chamava de velha e dissimulada. Apareceu gente escrevendo que eu era uma oferenda que deveria voltar para o mar. Fiquei perturbada”, conta. “Aquela figura do mestre, um profissional que merece respeito, não existe mais.”

Ao fim do ano letivo, os três professores citados nesta reportagem foram demitidos. “A escola vê o aluno como cliente. Não quer perdê-lo”, diz Maria das Graças de Oliveira, do Sinpro de Minas.

Por essa razão, muitos professores preferem calar-se diante dos ataques psicológicos cometidos pelos alunos. Para Telma Brito Rocha, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia que estuda o “cyberbullying” contra professores, as escolas precisam incluir o bom uso da internet na grade curricular.

“As crianças passam o dia na internet, mas os colégios não discutem temas como pedofilia ou responsabilidade por aquilo que se publica. Os pais também não fazem isso. Acham que basta pôr um bloqueador de site [de sexo] e pronto. Falta diálogo”.

Fonte: Folha de São Paulo – 18/7

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