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Quilimérios: quase dois séculos em isolamento social

O Sinpro Minas, através do Cineclube Joaquim Pedro de Andrade, exibirá no dia 9 de julho, quinta-feira, às 19 horas, pelo seu canal no youtube e pela plataforma Zoom, o curta metragem Quilimérios – documentário que trata da história de um povo que vive isolado, desde o séc. XIX, no Vale do Jequitinhonha Mineiro. Escondido entre altas pedras, vivendo em lugares quase inacessíveis, os Quilimérios ainda são desconhecidos por muita gente que vive até na própria região. É o que podemos constatar, por exemplo, em um dos comentários (Maria Ângela Silva ) sobre o filme, na página do youtube: “Sou natural de Pedra Azul, conheço a cidade de Rubim há mais de 60 anos, mas não tinha ouvido falar nos Quilimérios. Adorei o documentário!”.

A live será aberta pela presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, e pela coordenadora do Cineclube Joaquim Pedro de Andrade e presidenta do Conselho Nacional do Cineclube (CNC) , Terezinha Avelar. Logo após a exibição de Quilimérios (24min), haverá uma conversa do diretor do documentário, Emerson Penha, e o produtor, Zu Moreira, com os internautas.

Filmado em 2019, Quilimérios traz uma inovação: conta um pouco da história deste povo, mostra cenários deslumbrantes e lugares quase intocados do Baixo Jequitinhonha, mas filmado praticamente apenas com celular e drone – “o que o torna um produto experimental e inovador”, afirma Emerson Penha. O diretor revela que ir a esta comunidade, de quem teve conhecimento por meio de Tião Soares (argumento), e fazer este documentário foi muito significativo. “É impressionante, nos dias de hoje, com tanta tecnologia, um povo permanecer isolado. Por outro lado, é importante poder mostrar que o mundo tem lugar para todos/as, independente do seu jeito de ser e viver. Todos/as têm direito a viver como desejam e isso precisa ser respeitado”, ressalta.

A presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, também destaca a dimensão da diversidade do povo brasileiro e a importância da garantia do direito à vida e à preservação da cultura. “Os Quilimérios são exemplo de resistência e muito nos ensinam”, afirma.

História

Um lugar distante e suas belezas desconhecidas: na região do Baixo Jequitinhonha, divisa entre Minas Gerais e Bahia, as pedras gigantes marcam, há milhões de anos, o caminho do rio. A muralha natural isola tudo, até mesmo a passagem do tempo. Nesse cenário impressionante, os Quilimérios ainda vivem como no século XIX. Para eles, o isolamento foi a única opção. Até hoje, no meio das altas e intocadas pedras, o mistério de sua existência permanece.
A história que se conta na região de Rubim, cidade mais próxima, é que esse grupo de pessoas foi formado a partir da fuga de um ex-escravo, Juca Preto, contratado por um fazendeiro da cidade de Pedra Azul, onde vivia, para matar alguém importante. Após cometer o crime, Juca fugiu para aquela região onde seus descendentes vivem até hoje e que ainda permanece quase inacessível. Na fuga, ele levou consigo uma mulher indígena, com quem deu início à família dos Quilimérios. São pessoas muito reservadas, que cultivam costumes antigos e têm hábitos comportamentais como o casamento endogâmico.
Ao par da lenda, a explicação sociológica mais razoável é que sejam remanescentes dos quilombos volantes – grupos nômades formados por afrodescendentes que escapavam do cativeiro, indígenas expulsos de suas terras e mesmo por brancos que fugiam das cidades por diversas razões.

Quilimérios é um filme de Emerson Penha, com música de Túlio Mourão, fotografia de Fábio Damasceno, produção de Zu Moreira, edição de Rafael Diniz (Fiel) e argumento de Tião Soares.

Serviço:

Exibição de Quilimérios

Data: 09/07/2020

Hora: 19 horas e, em seguida, bate-papo com o diretor, Emerson Penha, e o produtor, Zu Moreira

Mediador: Magno Córdova (Aldeia do Mundo)

Participação: Presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, e da coordenadora do Cineclube Joaquim Pedro de Andrade e presidenta do CNC, Terezinha Avelar

Canais de exibição: Zoom/Youtube do Sinpro Minas

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Vejam quem estará presente e convida vocês a assistir:

Rubinho do Vale, músico e compositor


 
Rangel Moreira, produtor cultural:

 
Marina Alves Botelho, Assistente Social:

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