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Trabalho intenso prejudica saúde dos professores

2 de fevereiro de 2010

Pesquisa realizada pela Universidade de Brasília revela que os professores da rede pública DF estão cansados, doentes e trabalhando demais, inclusive para suprir deficiências da merenda escolar. Estudo feito em uma escola-classe de ensino fundamental (1ª a 4ª série) na Asa Norte mostra que o trabalho intensificado pelas mudanças no comportamento da sociedade e políticas públicas ineficientes prejudicam a saúde dos professores.   A dissertação A intensificação do trabalho docente na escola pública, defendida pela pedagoga Sandra Jaqueline Barbosa, aponta que os pais transferem à escola o papel de educar seus filhos e as instituições não estão prontas para isso. “A famosa educação que vem de berço, não é mais o pai ou a mãe que dão, agora é função das escolas. Os pais estão mais preocupados em suprir necessidades materiais e acabam trabalhando muito”, explica a pedagoga.

Sandra verificou que os professores estão procurando auxílio no Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro/DF) muito mais por causa da saúde do que para questões jurídicas. “Os professores estão apresentando sofrimentos psíquicos pela intensificação do trabalho”, explica a pesquisadora. Um dos diretores do Sinpro/DF, Ilson Bernardo conta que a demanda cresceu. “Tivemos que abrir um espaço para atender a saúde porque os casos extrapolam o que poderíamos considerar razoável”.

Outros problemas que intensificam o trabalho do professor são algumas funções administrativas acumuladas sem adicional financeiro, atitudes de desrespeito dos estudantes e seus familiares em relação à autoridade do professor, e ainda a obrigação de captar recursos para a escola, como organização de festas juninas. “A política de descentralização financeira propugnada pelos governos acabam em uma busca de alternativa pelos professores de arrecadação de recursos ”, explica Sandra Jaqueline.

Sandra conta que, sem esse esforço extra dos professores para captar dinheiro, até a merenda estaria ameaçada. A pedagoga conta que o governo repassa aos colégios alimentos básicos que seriam intragáveis. Por exemplo, quando chega o macarrão, ele não vem acompanhado de temperos. A saída é levantar dinheiro para comprar os temperos. Os professores acabam realizando trabalhos paralelos junto à comunidade que cerca a escola.

MetodologiaPara realizar a pesquisa, Sandra entrevistou sete professoras, seis delas com mais de dez anos de experiência e uma com mais de sete anos sob o regime de contrato temporário. Começou seu trabalho em março de 2007 e defendeu sua dissertação em março de 2009. De maio a dezembro de 2008, Sandra Jaqueline acompanhou as atividades desenvolvidas na escola e realizou entrevistas com as professoras. Participou de reuniões de coordenação, reuniões com famílias, oficinas para confecção de material para a festa junina, oficina de música, atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem e outros trabalhos.

Outro ponto que contribui para o stress dos professores é a inclusão de alunos com necessidades especiais. Apesar de ser um ponto positivo para a sociedade – também seria para a escola – as instituições não estão preparadas para receber essa demanda. “Há pais que podem pagar algum ajudante para cuidar seus filhos. A escola não consegue dar suporte para todos os alunos inclusivos. O Estado tem de garantir essas condições”, explica Sandra. Na maioria das vezes, a escola tem apenas uma pessoa para acompanhar cerca de 19 alunos com alguma deficiência.

A pesquisadora diz que a saída seria uma reestruturação no sistema, como salas de aula com menos alunos, mais servidores para ajudar os alunos inclusivos, diminuição de carga horária dentro da classe ou aumento de horas para elaborar os projetos, definir as avaliações e serem capacitados. “Hoje em dia é muito trabalho e pouco tempo”, explica Sandra Jaqueline.

Fonte: UnB

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