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Mensalidades têm reajuste de até 11,42% nos colégios particulares

14 de dezembro de 2012

Em 2013 a escola particular vai consumir uma fatia bem maior do orçamento das famílias. Enquanto a inflação deste ano deve fechar em 5,5%, e o salário mínimo da população será reajustado em 7,9%, a educação vai ficar até 11,4% mais cara em Belo Horizonte, alta que ultrapassa em mais de duas vezes a alta do custo de vida. Levantamento do site mercadomineiro.com.br em 41 escolas da rede privada apurou que o reajuste médio das mensalidades na capital varia de 10,16% a 11,42%. A correção dos valores superou a estimativa máxima do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) que projetava alta média de 9,5%, com reajustes até o limite de 11%.

As maiores correções, de 11,4%, ocorreram no segundo ano do ensino médio e no primeiro ano do ensino fundamental. A inflação escolar elevou o preço médio das mensalidades nessas séries para R$ 890 e R$ 672,60, respectivamente. Para completar a superdose de custo extra as famílias terão também que arcar com reajustes entre 15% e 20% no material escolar, segundo estimativas do varejo que já abasteceu o estoque para o ano que vem.

Em média, a renda das famílias com dois filhos na escola particular de Belo Horizonte é de R$ 6 mil, segundo estudos do Sinep. Considerando esse orçamento e os valores para o ensino médio e fundamental que serão praticados em 2013, o gasto das famílias, somente com a mensalidade escolar, sem considerar custos de transporte e material, atinge 30% do orçamento doméstico. Essa é a margem de risco. Segundo especialistas quando o comprometimento ultrapassa o percentual é preciso redobrar os cuidados.

Com três filhos na escola particular a professora Rosana Junger não tem dúvidas ao dizer que a educação está no topo do ranking das despesas domésticas. Ela investe perto de R$ 2,3 mil ao mês e considera o custo brasileiro muito alto, até mesmo em comparação com outros países como Europa e Estados Unidos. Rosana e o médico Sérgio Vilela calculam que no ano que vem a educação de Lara 2, Nina e Henrique 8 anos, vai arrebatar perto de 25% do orçamento doméstico, mas mesmo assim eles consideram a despesa muito importante para sofrer cortes e preferem pensar em ajustes em outros segmentos. “ Se tivermos a necessidade de fazer algum corte no orçamento a escola será a última na lista. Primeiro viria o lazer.”

Lista caraA alta do dólar que abriu o ano em R$ 1,86 mas fechou nessa segunda-feira com a cotação de R$ 2,07 é a justificativa para o reajuste do material escolar. Adriano Boscatti, presidente da Câmara de Papelarias da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH) diz que 70% do material brasileiro é fabricado fora do país. A mudança do câmbio e alta do preço do pepal, segundo ele, pressionaram os custos. Boscatti aponta que itens sazonais que sofrem grande pressão de personagens do cinema, como as mochilas, vão contribuir para puxar o valor da conta nas papelarias.

Para evitar sustos com a fatura da educação privada Rosana, que tem uma longa estrada pela frente, conta que prefere não pensar no custo final do investimento. “Vamos pagando as mensalidades sem pensar no que isso vai significar até o ensino médio.” Por ano, ela que tem bolsa parcial para um dos filhos desembolsa R$ 27,6 mil.

Professores Segundo o Sinep, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPC) acumulado em 5,95% até novembro é a principal justificativa para o reajuste. “O salário dos professores representa até 70% da receita e tem reajustes acima da inflação”, diz Emiro Barbini, presidente do Sindicato. Ele admite que a alta expressiva praticada por muitas escolas pode ter como efeito o aumento da demanda pelas instituições com valores mais competitivos. “Mesmo a educação sendo o melhor entre todos os investimentos, a família que fizer suas contas e extrapolar 30% de seu orçamento deve considerar buscar uma escola que encaixe em seu orçamento.”

A variação de preços entre escolas de Belo Horizonte chega a 197%. O abismo entre uma instituição e outra se justifica, segundo o Sinep, pelo projeto pedagógico e espaço físico. O especialista em finanças Paulo Vieira lembra que investimentos importantes como a casa própria têm o financiamento limitado pelo governo a 30% da renda. “Qualquer investimento que extrapole esse percentual é alto e deve ser bem dimensionado pelas famílias para evitar descontrole e endividamento.”

Preço de intercâmbioA forte aceleração dos preços na escola brasileira está deixando o ensino internacional bem mais competitivo. Para se ter ideia, a mensalidade do terceiro ano do ensino médio na capital pode atingir R$ 1.319, o que significa ao ano um investimento de R$ 15,8 mil. Já para o primeiro e segundo ano do ensino médio o investimento chega a R$ 13,8 mil ao ano. Instituições que trabalham com intercâmbios oferecem programas para o ensino médio nos Estados Unidos e em países como França, Alemanha e Holanda com valores variando entre R$ 14 mil e R$ 15 mil, incluindo a hospedagem e a escola.

Vanessa Lana, proprietária da C.I Central de Intercâmbio, diz que além dos preços atrativos se comparado com os valores nacionais, as famílias podem dividir os valores em parcelas sem juros se o pagamento for prévio, ou em financiamentos de até 24 vezes, o que tem feito crescer a participação de estudantes também da escola pública. Ela explica que os programas com melhor custo-benefício são aqueles que trabalham com famílias voluntárias no exterior e exigem uma língua como pré-requisito. Além disso, os estudantes abrem mão de escolher a cidade onde vão morar. “Incluindo os custos com passagem aérea esses programas custam perto de R$ 20 mil.” Outras viagens mais flexíveis para os Estados Unidos podem custar a partir de R$ 18 mil e para o Canadá R$ 30 mil.

A gerente geral da STB em Belo Horizonte, Jordana Almeida, aponta que a demanda pelos programas de intercâmbio no exterior deve crescer 5% em 2013, já a procura esperada para o ensino médio é quatro vezes maior, atingindo até 20%. Segundo ela, existem programas com custo-benefício bem atrativos. “Percebemos uma demanda crescente por intercâmbios das classe C e D. O investimento deixou de ser exclusivo das classes de maior renda.”Fonte: Estado de Minas

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