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Docentes do Triângulo  Mineiro  rejeitam contraproposta patronal

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Professores do Triângulo Mineiro realizaram, na noite desta terça-feira (13/04), uma reunião virtual para debater o andamento das negociações com o Sinepe-TM.  A presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, abriu a reunião fazendo uma memória da reunião anterior e reforçando a importância da participação da categoria nestas discussões acerca da pauta de reivindicações e das negociações com o sindicato patronal.

“Sabemos que a campanha reivindicatória e a mesa de negociação refletem a unidade da categoria, por isso cada vez mais temos que discutir aqui, especialmente neste momento em que sofremos tantas tentativas de retirada de direitos conquistados historicamente e com muita luta. É um absurdo o que os patrões querem fazer, pois o trabalho do professor sempre foi complexo e com a pandemia ficou ainda mais árduo, com muito mais trabalho e inclusive despesas bancadas pelo/a próprio/a professor/a como aquisição de equipamentos e internet para aulas remotas. A escola foi para dentro de casa, obrigando o docente a fazer adaptações na sua vida, na dinâmica da família, no   tempo e até no espaço físico. E assim, a  carga horária dobrou. Estamos atentos a tudo isso e a campanha reivindicatória é o ponto alto desta luta”, afirma Valéria ao reforçar que o sindicato  patronal tem dificultado as negociações para a construção da Convenção Coletiva de Trabalho e, na contramão, querem retirar mais direitos.

Desde o início das aulas remotas, no primeiro semestre de 2020, os/as docentes têm demonstrado o quanto são essenciais para a sociedade brasileira e os patrões não querem fazer este reconhecimento.

 “Viramos youtuber da noite para o dia, novos planejamentos de aula, novos e urgentes aprendizados com o manuseio das novas tecnologias, gravação, edição de vídeo, atendimento a email e whatsApp o dia todo,  aumentando muito a jornada de trabalho. Estamos morando no trabalho. Em todo este tempo, o Sinpro tem feito uma intensa defesa da vida e dos direitos trabalhistas, tão atacados. Defendemos sempre a aula presencial mas para voltar, ainda com a pandemia, apenas depois da vacinação dos professores, pois é o único caminho para garantir a vida”, afirma  Valéria.

A força da união da categoria

Inúmeros professores/as presentes na reunião denunciaram, mais uma vez, graves problemas como banco de horas (dão várias aulas e recebem menos), redução de salário devido à “junção” de turmas (uma prática comum em algumas instituições, mesmo antes da pandemia), o desgaste do ensino híbrido (cada aula deveria valer por duas), além da pressão diária feita pela escola.

A data base dos/as professores/as do Triângulo Mineiro é em 1º de abril, mas desde  novembro o Sinpro tem ouvido a categoria para a construção da pauta da Campanha Reivindicatória 2021. Além de garantir a manutenção do que já foi conquistado na CCT anterior,  foi incluída a regulamentação do trabalho híbrido, as aulas remotas, o direito à desconexão (do tempo de trabalho remoto), o limite do número de alunos por turma, etc.

O professor Adelmo Oliveira, diretor do Sinpro, informou que a pauta de reivindicação foi entregue há um mês ao Sinepe-TM que  tem demonstrado total insensibilidade. “Nossa pauta não foi sequer observada e a proposta deles é retirar direitos que já foram conquistados há muitos anos como bolsas de estudo, adicional por tempo de serviço, adicional extraclasse e até férias coletivas. Ignoram que a maioria de nós trabalha em mais de uma escola para poder viver e, assim, se as férias não forem coletivas, nunca teremos um período de descanso total, tão necessário para manter a saúde”.

Os representantes do Sinepe-TM também se negam a discutir uma política de reajuste de salário. “Os patrões querem que o salário siga congelado (não tivemos nem a recomposição do INPC), mas reajustam as mensalidades entre 6 e 8%. Eles não consideram que o professor levou a escola para dentro de sua casa, fez e tem feito de tudo para garantir o funcionamento desta que, aliás, tem tido bem menos gastos como água, luz, lanches, material de limpeza etc”, afirma a professora Haida Arantes, diretora do Sinpro, ao reforçar a importância da união da categoria para a construção desta campanha reivindicatória.

Diante da gravidade do quadro, a diretora do Sinpro Minas professora Celina Arêas não descarta a possibilidade de uma greve da categoria. “O que os patrões propõem é inadmissível e não vamos ceder. Eles fazem uma contraproposta absurda e sem argumentar, nem eles mesmos sabem como podem, por exemplo, resolver na prática o fim das férias coletivas, pois não estão preocupados com isso. Querem apenas retirar direitos. Educação como mercadoria é um desrespeito com os/as professores/as e com toda a sociedade”, diz.

Ao final, os docentes presentes na reunião reforçaram a importância da união da categoria e sugeriram ao Sinpro que faça esta realidade da postura desrespeitosa do sindicato patronal ser conhecida por toda a sociedade para que alunos/as, seus familiares e toda a comunidade saibam o que os/as docentes enfrentam além da pandemia e do trabalho remoto.

A próxima reunião com os docentes do Triângulo Mineiro será na terça-feira, 20/04, às 18 horas. Para participar, entre no link abaixo na hora da reunião.

https://us02web.zoom.us/j/86835437287?pwd=MUZMRExFVThpM0lDSm9VYndNN3pDUT09

ID da reunião: 868 3543 7287

Senha de acesso: 926220

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