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“Recomposição salarial” é debatida em reunião de professores/as de BH e região

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Na noite da última quinta-feira (15/04), a diretoria do Sinpro Minas se reuniu virtualmente com professoras e professores das cidades de abrangência da CCT MG, para abordar os caminhos da campanha reivindicatória deste ano e repassar as negociações com o sindicato patronal Sinep-MG.

A presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, fez uma retrospectiva da atuação do Sindicato, que desde o início da pandemia, com a liminar que suspendeu as aulas presenciais, tem lutado pela manutenção dos direitos da categoria.

Relembrou que, no ano passado, diante de uma conjuntura complexa, foi assinada uma convenção emergencial, que venceu no último dia 31 de março, no limite da data base, que se inicia em 1º de abril. Após as reuniões realizadas em novembro do ano passado, foi entregue a pauta final ao sindicato patronal e as rodadas de negociação têm sido realizadas. “É preciso destacar que o pontapé para nossa campanha é por “nenhum direito a menos”, em defesa de tudo que conquistamos”, afirmou Valéria.

Foi repassado que no Norte e Nordeste as convenções já foram assinadas com a conquista da recomposição salarial. “Se em duas regiões conseguimos, acreditamos que nas cidades da abrangência da CCT MG, minimamente devemos ter também esse direito”, ressaltou Valéria.

Reivindicações

Um dos diretores do Sinpro Minas e integrante da comissão de negociação, Adelmo Rodrigues, relatou como o patronal tem se posicionado frente às reivindicações da categoria. Destacou que um dos pontos é referente ao adicional extraclasse, que já era insuficiente antes da pandemia. Com a nova realidade, outras demandas urgentes surgem, como por exemplo a regulamentação do trabalho virtual e o direito à desconexão.

Adelmo explicou que a luta pela renovação da CCT tem esbarrado no descaso do patronal em concordar com a recomposição salarial que na negociação do ano passado não foi aprovada, mas com o entendimento que seria postergada devido à situação daquele momento. “Não estamos falando de aumento, mas de recomposição. O INPC acumulado entre 1º de abril de 2019 e 31 de março de 2020 é de 2,45% e o índice da inflação, corresponde ao período de 1º de abril de 2020 a 31 de março de 2021 é de 6,94%. Ou seja, para recuperar, de fato, nosso poder de compra, teríamos que ter um reajuste referente aos índices acumulados dos últimos dois anos, o que seria correspondente a 9,57%”, explicou.

O diretor destacou como é visível o aumento dos alimentos, aluguéis, do custo de vida de uma forma geral e, mesmo assim, o patronal tem tido uma postura irredutível, com a intenção de manter o salário congelado, se recusando inclusive à possibilidade de parcelamento.

Quem paga a conta?

Durante a reunião, foi abordada a incoerência e descaso por parte do patronal. Muitas escolas não perderam significamente matrículas e até chegaram a aumentar as mensalidades. Além disso, há um ano, não há gastos com luz, água, lanches, limpeza, internet e outros gastos estruturais. Enquanto isso, professores/as tiveram que investir em equipamentos como computadores e celulares, sendo que essa responsabilidade de oferecer estrutura é do empregador. “O professor tem sido a escola o ano todo. O trabalho invadiu nossa casa e nós sustentamos tudo isso. Além do investimento financeiro, nos doamos psicologicamente e emocionalmente”, afirmou a diretora do Sinpro Minas, Telma Santos, que ressaltou que é inadmissível que o/a professor/a pague essa conta.

“Eles não sabem o quanto aumentou nosso trabalho, a exposição da nossa imagem. Horas em frente ao computador, sem orientação de saúde e ergonomia. No último ano adoecemos. Não só fisicamente pela jornada exaustiva, mas psicologicamente. E ainda, várias vezes escutamos que estamos em casa sem fazer nada.
O mínimo necessário é o reajuste. Nós pagamos tudo para dar aulas. As escolas transferiram para os/as professores/as os custos”, relatou uma das professoras presentes.

Diretores/as do Sinpro Minas ainda compartilharam que muitas escolas têm feito reformas e outros investimentos enquanto demitem, alegando não ter dinheiro. Foi relatado que muitos donos de escola já falaram que o trabalho extraclasse é “Control-C, Control-V” (cortar e colar) e que os estudantes mais problemáticos são os/as bolsistas, filhos/as de professores/as. A postura do patronal evidencia uma desvalorização do trabalho docente, que só se reforçou com a pandemia.

O caminho é a união

A reunião foi momento também para recordar o quanto a categoria é fundamental para o desenvolvimento do país e que foi preciso uma pandemia para que os/as professores/as fossem vistos como essenciais.

“Sabemos o quanto os/as professores/as se se desdobraram e, apesar de tudo, mantiveram vínculo com os estudantes, encerrando e começando os anos letivos. A categoria teve que se adaptar a uma nova metodologia, se expondo mais devido ao mundo virtual, diante de muitos ataques contra a liberdade de cátedra que já enfrentamos há anos. Mesmo diante de tantas dificuldades, a categoria se manteve firme”, afirmou Valéria, reforçando que o único caminho para a garantia de direitos é a unidade da categoria.

Professores/as de Belo Horizonte e interior relataram casos de ataques aos direitos da categoria. A diretoria do Sinpro Minas reforçou a importância dos/as professores/as apresentarem ao sindicato as denúncias, para que sejam tomadas as medidas necessárias, lembrando que a identidade do/a professor/a é resguardada. Reforçou que, mesmo com todas as ações judiciais, o tempo da Justiça não é o nosso e, infelizmente, muitas vezes essa Justiça fecha os olhos para o/a trabalhador/a.

“A luta emergencial só os/as professores/as podem fazer. O sindicato não é um prédio. É a força de toda nossa categoria. Mais do que nunca é muito importante a participação de todos e todas vocês”, destacou Valéria.

A presidenta do Sinpro também reafirmou que o Sindicato segue em defesa da educação presencial, mas em um contexto de segurança, que só será possível após a vacinação e adaptação das escolas às normas sanitárias e com direito à testagem.

Próximos passos

A cada nova rodada de negociação, o Sinpro Minas vai chamar próximas reuniões para seguir construindo um espaço de repasse e debate com a categoria sobre os rumos da campanha reivindicatória. Sua participação é essencial!

Comentários (1)

  1. Verdade foram muitos investimentos e acumulo de trabalho ficamos por conta da escola o dia todo.

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