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“Existe vida fora do Consenso de Washington…

2 de outubro de 2015

profEliasJabbour…a China fez tudo ao contrário e cresceu” – Elias Jabbour

Professores debatem sobre o papel geopolítico da China

O Laboratório de Altos Estudos Políticos do Sinpro Minas promoveu um debate, no último dia 26/9, sobre o papel da China nas transformações geopolíticas hoje. O tema foi abordado pelo professor e escritor Elias Jabbour que é doutor em Geografia Humana e Econômica pela USP e autor de livros sobre a realidade econômica e política chinesa.

Em conversa com professores e sindicalistas, Jabbour destacou a capacidade financeira da China, país que possui uma população de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Segundo ele, a nação asiática é capaz de gerar transformações no mundo. “Nos últimos 30 anos, ela conseguiu formar uma grande reserva cambial da ordem de 3,8 trilhões de dólares, isso singifica uma capacidade muito grande de investimento fora do país. Há alguns meses, o primeiro ministro chinês esteve no Brasil, quando ofereceu um pacote de investimentos da ordem de 180 bilhões de dólares. Isso mostra a capacidade de intervenção chinesa fora dos seus domínios e altera, de forma significante, a geopolítica mundial e latinoamericana”.

Existe vida fora do Consenso de Washington, a China fez tudo ao contrário e cresceu”, afirmou Jabbour. De acordo com o professor, os economistas destacam que ocorre no mundo um deslocamento do centro dinâmico da economia mundial. Os EUA ainda são o país mais rico do mundo, centro do grande capital financeiro, mas a China tem se mostrado como uma alternativa.

A diferença é que a China quer fazer negócios sem interferir na vida dos outros países. Quando falamos em socialismo de mercado enfrentamos uma conceituação complicada para quem tem na cabeça um único modelo de socialismo, no caso o soviético. A China é um estado socialista, do ponto de vista institucional, com instituições que surgiram em 1949 e sobrevivem até hoje, porém utiliza-se de métodos capitalistas e da economia de mercado como forma complementar à grande propriedade estatal e coletiva do país. A China é um pouco de combinação entre socialismo, no poder político, entre domínio do Estado sob os pontos fundamentais da economia, ao mesmo tempo em que convive com formas capitalistas e de mercado”, explica Jabbour.

O especialista destacou que nos últimos 30 anos a China retirou 500 milhões de pessoas da linha da pobreza. Além disso, existe uma política de salário mínimo instituído em 2004 que tem crescido mais que a inflação nos últimos dez anos. “A China não tem miséria, não tem fome, nenhuma favela, isso é impressionante. Se o mundo hoje tem resultados ‘positivos’ neste aspecto, a China é responsável. Mas isso não quer dizer que a China não tenha contradições”.

Estamos contaminados com a visão anglosaxônica dos processos políticos sociais e e econômicos. A china é outra coisa, uma nação que se formou há 5 mil anos, um estado nacional que existe há 2.500 anos. A China não é um país qualquer, uma invenção, que surgiu do nada, pelo contrário, o poder político exercido hoje foi instituído após mais de vinte anos de luta, a maior revolução social do séc. XX foi na China”, destaca.

A vice-presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, ressaltou a importância dos Brics, grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, no debate levantado pelo professor Jabbour. “O Sinpro Minas tem uma visão classista e entende que, para além das questões específicas da categoria, é preciso discutir o mundo. Entender quais são os aspectos que nos afetam diretamente no nosso dia a dia e discutir a geopolítica e o enfrentamento através dos Brics ao imperialismo é importante para entendermos o papel da China hoje no mundo e qual a sua contribuição para que os Brics sejam mais soberanos no enfrentamento ao imperialismo”, afirma.

Para a diretora do Sinpro Minas Eliane de Andrade, o professor Elias Jabbour trouxe contribuições importantes para se pensar a China hoje. “Esse debate traz a necessidade de se pensar os meios de produção, desenvolvimento e o enfrentamento entre as grandes potências mundiais”, opina. “Discutir economia, política e assuntos da atualidade nos habilita a ter mais argumentos para não sermos manipulados pela grande mídia e sermos melhores professores”, complementa.

Ouça também a entrevista completa pela Rádio Sinpro 

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