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Carta de uma professora à comunidade escolar: a greve é um direito fundamental

21 de setembro de 2026

Escrevo esta mensagem do lugar de filha de professora. Vivi a minha vida inteira nesse meio e vi de perto a minha mãe sofrer com os desafios e a desvalorização da profissão. Hoje, sou quem sou como fruto desse ambiente e, principalmente, das garantias e direitos conquistados com muita luta pelos professores no passado — os mesmos direitos que hoje estão colocados na mesa de negociação.

Tenho um orgulho imenso dos professores dos meus filhos. Ao se posicionarem, eles ensinam aos nossos pequenos uma das lições mais valiosas de vida: que, mesmo diante de todas as dificuldades, não devemos nos curvar e precisamos ter coragem para ir atrás daquilo que é justo.

A greve é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal (Art. 9º) a todos os trabalhadores. Sabemos que este é um movimento complexo e que impacta a todos nós.

Para as famílias: entendo profundamente o transtorno. A escola é, para muitos, a principal rede de apoio que muitas vezes não temos em casa para conseguir trabalhar.

Para os alunos: ocorrem prejuízos na rotina de aulas e na convivência com os colegas, tão importante para a socialização.

Para os professores: trata-se do prejuízo de perder conquistas históricas. Para uma escola oferecer ensino de qualidade, ela precisa de profissionais respeitados e valorizados.

Para as escolas: os donos de escola sentem a pressão direta dos pais diante da paralisação.

É exatamente nessa pressão que reside a força do movimento. Enquanto a mobilização ficar restrita apenas aos professores, o impacto é limitado. A mudança acontece quando os pais compreendem a causa e pressionam as escolas, para que as escolas, por sua vez, pressionem o Sinepe a chegar a um acordo justo.

A educação é um dos setores mais desvalorizados da atualidade, mas é a única força capaz de mudar o cenário do nosso país. Todos — pais, alunos, professores e donos de escola — precisam entender e valorizar o ambiente escolar.

Conto com a empatia e a compreensão de todos para apoiarmos quem constrói o futuro dos nossos filhos todos os dias.

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