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Nosso voto é em defesa da educação, do trabalho, da democracia e da soberania nacional

30 de setembro de 2026

A poucos dias para as eleições presidenciais de 2026, o futuro do Brasil está em xeque. Há uma disputa de projetos que alcançam diretamente a vida dos trabalhadores, o financiamento da educação, as condições de trabalho, a existência dos sindicatos e o próprio ambiente democrático em que exercemos nossa profissão e nossos direitos.

Em 2026, o que se decide nas urnas é se o Brasil segue reconstruindo ou se volta ao ponto em que a educação era tratada como sucata – e os professores, como alvos. Nossa categoria sentiu na pele o que significou o governo Jair Bolsonaro (PL): desmonte do MEC, perseguição a docentes, desprofissionalização do magistério, censura e criminalização. 

Derrotado nas urnas em 2022, o bolsonarismo partiu, ainda, para uma tentativa concreta de ruptura da ordem democrática. Os ataques de 8 de janeiro de 2023 atingiram as sedes dos Três Poderes e deram origem a processos judiciais e condenações. A tentativa de golpe teve como resposta o reforço à legitimidade das instituições e a defesa da democracia.

Nos últimos anos, a gestão Lula retomou uma agenda de expansão e fortalecimento das políticas educacionais. Programas como a Escola em Tempo Integral e o Pé-de-Meia, somados ao novo Plano Nacional de Educação (2026-2036), mostraram a disposição do governo em ir além da reconstrução. O PNE, em especial, estabelece metas para a expansão da educação integral, a melhoria da aprendizagem, a formação dos profissionais da educação, a infraestrutura escolar e o financiamento público. 

Para além da educação, a política de valorização do salário mínimo foi retomada no atual governo. Houve ampliação nas faixas de isenção e desconto no imposto de renda do trabalhador. A taxa de desemprego é a mais baixa de nossa história. A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, sem redução salarial, estão em pauta no Congresso Nacional e devem ser votadas em outubro. O piso nacional do magistério público da educação básica agora é atualizado com base na inflação medida pelo INPC com parcela vinculada à evolução real das receitas do Fundeb.

São avanços que precisam ser reconhecidos, ao mesmo tempo em que reafirmamos que valorização profissional não se resume ao piso. Envolve carreira, jornada, formação, contratação por concurso, condições de trabalho, saúde dos trabalhadores e respeito à autonomia pedagógica. Além disso, tanto o PNE quanto o piso do magistério devem valer não apenas para as redes públicas de ensino – mas também para o setor privado. Só em Minas Gerais, somos mais de 100 mil docentes trabalhando em instituições como creches, escolas e universidades. 

A escola só pode cumprir sua função social quando professores têm liberdade pedagógica, estudantes têm direito ao conhecimento e a comunidade escolar pode participar da construção de um projeto educacional comprometido com a cidadania. Educar é formar cidadãos capazes de pensar, questionar, participar da vida pública e conviver com diferenças. Não há educação emancipadora em que prevalece o medo de pensar. Não há escola democrática onde a divergência é tratada como crime. É preciso respeitar as eleições livres, o resultado das urnas, a separação dos Poderes e o direito à organização política. São condições indispensáveis para que sindicatos, escolas, universidades e movimentos sociais possam existir e atuar.

Desafio semelhante acontece no estado. Na contramão do Brasil, vivenciamos o governo de Romeu Zema que se dedicou ao desmonte de políticas públicas, à desvalorização do trabalhador e aos ataques à Educação. 

Temos a chance de avançar. Hoje, dois projetos se antepõem na disputa pelo governo de Minas Gerais. O de continuidade ao de Zema, ainda que personificado pelo atual senador, Cleitinho, e um de fato comprometido com o trabalhador e com o fortalecimento da educação, de Patrus Ananias.

O plano de governo de Cleitinho é omisso em relação ao piso salarial do magistério, efetivação de trabalhadores temporários, militarização das escolas e nem ao menos apresenta um eixo voltado ao trabalho. Ele não se posiciona sobre temas relevantes ao trabalhador, como a pejotização, a jornada, a terceirização e saúde e segurança no trabalho. No que pese estar em outro grupo político, é a manutenção do retrocesso de Zema. 

O de Patrus está alinhado com os avanços que experienciamos em nível nacional nos últimos quatro anos: valorização docente, ampliação do acesso e da permanência, alinhamento ao PNE, e defesa dos direitos dos trabalhadores e da redução das desigualdades. Tem propostas voltadas para a juventude, para a qualificação profissional e para o fortalecimento das universidades públicas. Traz perspectiva e esperança.

Em 2026, quando o Brasil novamente escolherá seus governantes, esses compromissos precisam estar no centro da discussão. O futuro da educação não será decidido apenas dentro das escolas. Será também resultado das escolhas que a sociedade fizer sobre o modelo de desenvolvimento, o papel do Estado, os direitos dos trabalhadores e a própria democracia brasileira.

O que está em jogo, em Minas e no Brasil, é a escolha entre um projeto que devolve dignidade ao trabalho e à educação, e um projeto que trata a educação como mercadoria, os professores como inimigos e a própria democracia como obstáculo. 

Os avanços recentes do Brasil na educação e no mundo do trabalho não existiriam sob um governo que desmontou o MEC e tratou a educação pública como gasto a ser cortado. Os diretores e diretoras do Sinpro Minas já se posicionaram contra o avanço da extrema direita e contra o projeto que transforma a educação em negócio. 

Defendemos um projeto de País que trata a escola como espaço de formação cidadã; que trata o professor como profissional a ser valorizado; e que trata a democracia como conquista a ser protegida. 

Não aos retrocessos e às ameaças antidemocráticas!

Pela educação, pelos trabalhadores e pela democracia!

 

Belo Horizonte, 30 de setembro de 2026

Diretores e diretoras do Sinpro Minas

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