
No Dia da Internet Segura (10/2), o Ministério Público de Minas Gerais faz alerta sobre a superexposição de crianças na internet. A recomendação veio do coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público de Minas Gerais (Gaeciber/MPMG), o promotor de Justiça André Salles, em entrevista à Agência Brasil.
De acordo com o Gaeciber, o melhor é evitar expor fotos da rotina de crianças nas redes sociais, fotos com uniforme, o nome da escola onde estudam, cursos que frequentam, entre outras informações que possam ser usadas em tentativas de golpe por telefone ou até mesmo para possíveis sequestros.
“Essa exposição fornece informações preciosas aos criminosos, no sentido de que vão saber qual é a rotina, onde a criança estuda, para onde vai, os locais onde os pais vão estar em determinados horários”. Ele destacou que em caso de postagens feitas pelas crianças, os pais e responsáveis devem impor limites. “Essas informações são valiosas para bandidos quando vão elaborar seus golpes.”
A superexposição pode trazer outros riscos imediatos. Em 2024, o Brasil registrou 593 mil denúncias de exploração e abuso sexual infantil on-line. A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, da organização não governamental SaferNet, registrou 63.214 denúncias em 2025 relacionadas a imagens de abuso e de exploração sexual infantil.
A pesquisa TIC Kids Online Brasil (2024) apontou que entre as crianças e os adolescentes que usam internet no Brasil, 83% têm perfis em plataformas como WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube. Apesar das restrições de idade das plataformas, 60% das crianças de 9 e 10 anos que estão na internet têm conta em ao menos alguma rede social.
Sharenting
A exposição excessiva de crianças pelos pais é um fenômeno que ganhou nome próprio, o sharenting. A expressão é a união das palavras share (compartilhar) e parenting (parentalidade), e define o hábito de compartilhar, na internet, vídeos e fotos do cotidiano dos filhos. Especialistas afirmam que a falta de privacidade e a superexposição podem afetar a autoimagem e levar a quadros de ansiedade, transtornos alimentares, insegurança e distorção de imagem, entre outras consequências.
Com informações da Agência Brasil
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