
Os dirigentes do Sinpro Minas se reuniram neste sábado (7), em Belo Horizonte, para a Reunião Geral da Diretoria. A reunião teve como objetivo preparar e alinhar a diretoria para a Campanha Reivindicatória e para as lutas e tarefas de 2026.
Estiveram presentes mais de xx diretores de todas as regiões do estado. Ao abrir a reunião, a presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, falou sobre a importância do ano de 2026 para a classe trabalhadora: “Nós sempre falamos da prioridade de cada pleito eleitoral. Mas as eleições deste ano tem importância maior para nós, trabalhadores e trabalhadoras. Nós vamos optar entre a continuidade de um projeto de reconstrução nacional, com soberania e políticas voltadas para o povo, ou a volta de um governo neoliberal, autoritário e que retirou direitos e deixou de lado o povo trabalhador.”
“Além disso, estamos em meio à campanha reivindicatória e precisamos estar preparados para essa luta. Hoje é o dia de nos alinharmos para a diretoria sair coesa para as tarefas que virão.”


Nova fase, brutal, do imperialismo
A primeira mesa tratou das conjunturas internacional, nacional e estadual. O presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), José Reinaldo Carvalho, iniciou a mesa fazendo uma análise do cenário internacional, marcado por guerras, bloqueios e sanções econômicas. Para ele, estamos vivendo uma nova fase, brutal, de expansão do imperialismo, com novo formato e ritmo.
“Essa mudança está ligada a dois fatores. O primeiro, à crise sistêmica e econômica do sistema capitalista ocidental. O outro fator, mais grave e o que mais explica essa nova etapa brutal do imperialismo americano, é o fato dos Estados Unidos estarem vivendo uma longa fase de declínio histórico, de decadência, com uma economia deficitária e endividada. É preciso entender a agressividade maior como o único meio que eles têm para responder a esse declínio”, afirmou. A situação se agrava com o enfraquecimento de sua hegemonia e o surgimento de relações multipolares entre os países, com destaque para a ascensão da China.
Não podemos desvincular a luta imperialista das lutas populares
José Reinaldo destacou que o objetivo final do domínio imperialista é massacrar os povos e promover mais desigualdades e injustiças sociais. “Não é uma luta geopolítica entre classes dominantes. É uma luta dos Estados Unidos para aumentar a exploração dos povos, para sacar suas riquezas e manter incólume o sistema capitalista – que é baseado na exploração.”
Ele usou como exemplo a guerra contra a Palestina – “Querem exterminar a população em Gaza ou mantê-la em guetos, marginalizada e sem autonomia” – e o golpe na Venezuela: “Tentam transformar a Venezuela em um protetorado”.
Sobre a guerra impetrada contra o Irã, o presidente do Cebrapaz enxerga dois interesses estratégicos: a vontade de Israel de liquidar o Irã e a dos Estados Unidos de reconfigurar o Oriente Médio. “Trump anunciou uma guerra eterna, mas o Irã está mostrando uma capacidade enorme de luta.”
“O mundo multipolar é irreversível mas ainda não está consolidado. É preciso lutar por novas instituições para que as novas relações permaneçam. A luta antiimperialista está ligada à luta pela paz. Ela pressupõe a luta contra o fator que provoca as guerras, que é o imperialismo estadunidense, seus aliados e seus instrumentos.”
Eleição é agenda prioritária
A análise da conjuntura nacional também ficou a cargo de José Reinaldo, que classificou a eleição de Lula como prioritária para as forças progressistas e os movimentos sociais e sindical e decisiva para impedir que o Brasil se degrade. “O processo de governo da extrema-direita com Bolsonaro foi de degradação profunda do país e da vida do povo. Essa é a luta que está na ordem do dia: pela reeleição do presidente Lula. Será uma campanha marcada pela polarização e condicionada pela pressão internacional dos acontecimentos.”
Ele reforçou a necessidade de uma grande frente ampla para garantir a reeleição e alertou: “Para vencer as eleições a gente precisa garantir algumas questões importantes: tornar mais claro da parte do governo e das forças que o sustentam quais são as lutas que estão em jogo, e formular propostas claras que atendam às necessidades do povo”.
Minas Gerais
A análise conjuntural de Minas Gerais ficou a cargo do assessor da Finep (Financiadora de Estudos e Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), Wadson Ribeiro. Na sua visão, é imperativo derrotar a continuidade do governo Romeu Zema (Novo), que “destruiu” o estado: “Ele entrega o governo de Minas após oito anos com o estado mais empobrecido e mais endividado, com menos capacidade de investimento.”
“O governo entra agora no ano de 2026 com um rombo de 11 bilhões nas contas do estado e com uma peça orçamentária de 5 bilhões deficitários. A dívida saltou para 190 bilhões”, afirmou. Ele lembra que o governador se beneficiou de decisões judiciais que adiaram o pagamento da dívida com a União e também do resultado de acordos provenientes dos desastres de Mariana e Brumadinho.
“A política ultraneoliberal de Zema se resume em ter um estado forte para os interesses das elites, com isenções bilionárias para as empresas, apesar das dívidas e déficits, e para a grande parte da população é um estado que vai ladeira abaixo tanto do ponto de vista político da sua liderança, quanto econômica e socialmente.”
Wadson ainda afirma que Zema tem uma visão de mundo contrária ao desenvolvimento, o que coloca Minas no pior cenário econômico e de políticas sociais. “Precisamos virar esse jogo. A saída é uma composição com alguém que dialogue com as forças políticas e com o presidente Lula. Montar uma frente política ampla para isolar o bolsonarismo e as forças de Zema no estado e abrir caminho para a vitória do campo progressista.”
Conjuntura Educacional
A segunda mesa tratou da conjuntura educacional, com atualização feita pela secretária-geral do Sinpro Minas, Clarice Barreto, e da análise de dados sócio econômicos, apresentado pelo supervisor técnico do Dieese, Fernando Lima.
Clarice apresentou para a diretoria as informações mais recentes sobre o PNE (Plano Nacional da Educação). Segundo ela, o projeto está no Senado após um longo trâmite na Câmara dos Deputados. A maior crítica está no que se refere à educação privada: “os professores das escolas privadas passam ao largo do PNE e os deixa ao sabor dos ventos do mercado e do patronato”, afirmou. “Falta regulamentação mínima. Há ainda muita luta para o setor privado.”
O PNE é a política de Estado que articula o sistema nacional de Educação e define diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis. O grande problema, de acordo com a dirigente, é que o último plano venceu em 2024 e ainda não há um substituto aprovado. “Um dos principais motivos é a conjuntura e a falta de vontade política, principalmente do Congresso Nacional.” Hoje, o projeto está no Senado e ainda não há perspectiva de quando será colocado em pauta.
Outro grande problema observado no projeto é no que tange ao financiamento da Educação. Se no plano anterior, havia destinação de 10% do PIB (Produto Interno Bruto), apenas 7,5% estão previstos no novo PNE. “Há possibilidade de se chegar a 11%, mas com complemente da iniciativa privada”, informou.
O texto também não apresenta metas intermediárias – o que compromete o acompanhamento –, não faz menções específicas ao EJA (Ensino de Jovens Adultos) e ignora propostas aprovadas na Conae 2024.
Mesa de Negociação
Fernando Lima, do Dieese, apresentou dados que mostram que a economia está em uma de suas melhores fases e que isso deve impactar de maneira positiva as mesas de negociação. “Nós estamos mediante um conflito colocado pela forma dos Estados Unidos tratar sua insegurança econômica frente ao mundo. Apesar de todos os conflitos e injustiças, ainda assim o mundo vai crescer esse ano na perspectiva do produto interno bruto.”
“Não tem condições de aceitar um conflito dentro da mesa de negociação. Por enquanto, as atividades econômicas indicam crescimento.” Para o Dieese, as economias em desenvolvimento tendem a crescer 4,2%. Já para a economia brasileira, a tendência é crescer 1,82%.
“O Brasil não está em recessão. De acordo com os próprios dados do mercado, a economia vai crescer este ano.” De acordo com ele, a grande locomotiva que tem impulsionado este crescimento é o consumo das famílias. “É a classe trabalhadora, através da política de valorização do salário mínimo, através das negociações coletivas com aumentos reais e também com a diminuição da taxa de desemprego.”
“Se temos colocado um aumento no consumo das famílias e o crescimento do PIB, isso normalmente impacta positivamente o setor do ensino privado, assim como outros indicadores.”
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