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Sinpro Minas repudia trend misógina “caso ela diga não”

10 de março de 2026

Uma trend misógina viralizou nas redes sociais recentemente, na qual homens simulam reações violentas contra mulheres, diante da recusa delas a algum tipo de relacionamento. Ao supostamente escutarem um “não”, eles reagem com agressões, socos, facadas ou tiros.

As simulações levaram a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar a trend, intitulada “caso ela diga não”, atendendo a um pedido da Advocacia Geral da União (AGU). Em nota, a corporação disse que “a apuração teve início após o recebimento de denúncia sobre publicações associadas a uma tendência que incentivaria esse tipo de prática [violência contra as mulheres]”.

“O Sinpro Minas manifesta seu mais veemente repúdio a essa trend. Ao transformar a recusa feminina em motivo de ameaça, intimidação ou agressão, esse tipo de conteúdo banaliza a violência de gênero e reforça estereótipos perigosos que historicamente colocam as mulheres em situação de vulnerabilidade. Não podemos silenciar diante de manifestações públicas que normalizam a misoginia e a ideia de que mulheres devem ser punidas por exercerem seu direito básico de escolha”, ressalta Valéria Morato, presidenta do Sinpro Minas.

Revista Elas por Elas

A mais recente edição da revista Elas por Elas (publicação de gênero do Sinpro Minas), lançada nessa sexta-feira (6/3), traz duas reportagens que tratam desse tema. A primeira aborda a urgência de regulamentação das big techs, com o objetivo de proteger as mulheres de ataques nas redes sociais. De acordo com a matéria, entre 2017 e 2022, a misoginia foi o crime de ódio que mais cresceu na internet brasileira.

Já a reportagem de capa da revista aborda a necessidade de discutir as pautas de gênero no ambiente escolar, como forma de prevenir situações de violência e de construir uma sociedade mais plural (clique aqui e acesse a publicação). Para a presidenta do Sinpro Minas, a difusão desse tipo de conteúdo nas redes sociais tem impacto direto na formação cultural de crianças, adolescentes e jovens. Segundo ela, quando comportamentos agressivos contra mulheres são apresentados como entretenimento, reforça-se um ambiente de naturalização da violência.

“Isso contradiz os valores de respeito de igualdade que devemos promover. Diante disso, reafirmamos nosso compromisso com a defesa da dignidade das mulheres, da educação para a igualdade de gênero e do combate a todas as formas de violência e discriminação”, destacou.

Pacto nacional

No início de fevereiro, os chefes dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) lançaram o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa prevê a atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes, com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil. O país registra o triste e absurdo número de quatro vítimas e 10 tentativas de feminicídio por dia (clique aqui e acesse o site da iniciativa).

“Conclamamos a sociedade, as instituições educacionais e as próprias plataformas digitais a se posicionarem com responsabilidade, repudiando conteúdos que incentivem a misoginia e promovendo uma cultura baseada no respeito e na autonomia das mulheres. Também esperamos que os responsáveis por tais postagens sejam devidamente punidos, de acordo com o que prevê a legislação brasileira”, afirmou Valéria Morato.


Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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