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Fórum Social Mundial completa dez anos

25 de janeiro de 2010

O Fórum Social Mundial, que começa em Porto Alegre nesta segunda (25/01/10), deverá
reunir pelo menos cinco presidentes latinoamericanos para comemorar os
dez anos do evento que nasceu em contraponto ao neoliberalismo, com a
proposta de um “outro mundo possível”. A organização do evento aguarda as presenças do presidente Lula e dos presidentes da Venezuela, Hugo
Chávez, da Bolívia, Evo Morales, do Paraguai, Fernando Lugo, e o novo
presidente uruguaio, José Pepe Mujica.Na
terça-feira (26/01), Lula vai receber os movimentos sociais para um
“diálogo” sobre seus sete anos de governo e para a comemoração dos dez
anos do Fórum Social Mundial. Na quinta-feira (29), receberá em Davos o prêmio de Estadista Global. De acordo com Palácio
do Planalto, o prêmio é uma homenagem pela atuação de Lula em
vários setores, como do meio ambiente, erradicação da pobreza,
redistribuição de renda e paz mundial, com o objetivo de melhorar
a situação do planeta. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva será o primeiro chefe de Estado a receber do
Fórum Econômico Mundial o prêmio de Estadista Global.

A ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a duas reuniões
internacionais antagônicas – o Fórum Social Mundial e o Fórum Econômico
de Davos – na mesma semana não é considerada contraditória pelos
criadores do encontro de esquerdas. “Ele é presidente de milhões de brasileiros, representa
o país, é natural que seja convidado”, disse um dos idealizadores
do FSM, Chico Whitaker. Whitaker ponderou que em 2001, quando o Fórum
Social foi criado como um contraponto à reunião de Davos, o convidado
de honra do evento suíço era o ex-presidente argentino Carlos Menem, um
dos símbolos da política neoliberal na América Latina. Um ano depois, a
economia do país quebrou. “Homenagearem o Lula agora é um sinal de que
Davos mudou. Mas é difícil esperar que eles admitam que não estavam
certos.”Ao contrário da reunião de Davos, que segundo Whitaker, “mais uma vez terá
clima de velório”, o Fórum Social Mundial conseguiu propor soluções
para que alguns países saíssem mais rápido da crise financeira
internacional, caso do Brasil. “O Fórum sempre se advogou pela distribuição de renda, fortalecimento do mercado interno, diversificação
das relações internacionais, menos dependência. E isso foi colocado em
prática no Brasil e em outros países da América Latina. Não foi por
obra do destino ou vontade de Deus que o Brasil tenha se saído melhor
da crise, as propostas do Fórum foram seguidas e permitiram recuperação
mais rápida”, apontou Oded Grajew, também idealizador do FSM.Com expectativa de público de 30 mil pessoas até sexta-feira
(29/01), o Fórum Social Mundial vai abrigar cerca de 600 atividades em
Porto Alegre e na região metropolitana da capital gaúcha. Na
programação, nomes conhecidos pelo público do evento, e figurões da
esquerda mundial, como o sociólogo português Boaventura de Sousa
Santos e o geógrafo britânico David Harvey.Agenda Ambiental
Depois de ganhar força na última edição do Fórum Social Mundial
(FSM), em Belém (PA), no ano passado, a questão ambiental deverá
ser um dos principais temas de debate na reunião de avaliação do
evento, o Fórum Social 10 Anos. Segundo
os articuladores do evento, o tema está entre as discussões desde
as primeiras edições, no início da década, mas se tornou o centro
do debate, na última reunião. De acordo com a coordenadora do
Núcleo Brasil Sustentável da organização não governamental Fase,
Fátima Mello, a realização de um FSM na Amazônia foi um
divisor.“O fórum foi realizado num território onde os
conflitos socioambientais são gritantes. A Amazônia é o espelho
da crise do atual modelo de desenvolvimento, no qual a exploração
predatória dos recursos da natureza se dá de forma mais que
insustentável, social e ambientalmente”, afirmou. Decisões políticasSem deixar de combater o modelo
neoliberal e tratar de problemas decorrentes da ordem financeira
mundial, os principais temas do FSM desde as primeiras edições, o
secretário executivo do Conselho Latino Americano de Ciências
Sociais (Clacso), o professor Emir Sader, avalia que o fórum precisa
começar a pressionar por decisões políticas, principalmente no
Brasil.“A construção de um outro mundo avançou na
América Latina. Mas o fórum só colocou propostas sociais e ficou
na etapa anterior, na década passada, na resistência ao
neoliberalismo. O outro mundo está passando por governos como o da
Bolívia e do Equador”, avaliou. Na opinião de Sader, o fórum
precisa de novas estratégias para dar conta dos problemas de ordem
global.
Com Agência Brasil

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