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10% dos professores no país fazem ‘bico’

8 de novembro de 2011

Para especialistas, média salarial não é única explicação para impulsionar o professor à dupla função

Semanalmente, a professora de ciências Sonia Maria de Barros Cardoso, 52, leciona 32 horas em duas escolas públicas no Rio. Seu salário é de R$ 1.800.Para complementar, vende cosméticos, o que lhe rende R$ 1.000 mensais em oito horas semanais. “Em datas comemorativas, chega a ficar igual ao que ganho no magistério”, afirma a docente.Como Sonia, outros 266 mil professores da educação básica do país possuem uma segunda ocupação fora do ensino, um “bico”, aponta estudo apresentado no mês passado pelos pesquisadores da USP Thiago Alves e José Marcelino de Rezende Pinto.O número representa 10,5% do magistério nacional, índice bem acima do da população brasileira (3,5% têm uma segunda ocupação). O estudo usa a Pnad-IBGE e o Censo Escolar-MEC, ambos de 2009, e abrange as redes privada e pública.Alguns dos mais frequentes “bicos” dos docentes são os de vendedores em lojas e os de funcionários em serviços de embelezamento. Segundo a pesquisa da USP, os professores recorrem mais à segunda ocupação do que os padeiros, os corretores de imóveis e os PMs.

POLÊMICA SALARIALPara os autores do estudo, a maior incidência do “bico” entre os professores está relacionada aos baixos salários. A média salarial dos docentes do ensino fundamental, segundo a pesquisa (entre R$ 1.454 e R$ 1.603 à época), é inferior ao que ganham, em média, corretores de seguro (R$ 1.997) e caixas de bancos (R$ 1.709).”O professor, com isso, é obrigado a despender energia em ações que não têm a ver com aulas”, diz Alves. Para alguns especialistas, no entanto, a questão não é tão simples. “Os salários não são uma maravilha, mas, se comparados à média da população, os professores não estão morrendo de fome”, afirma Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.”Sempre que há concurso para contratação de professores para as redes públicas há uma grande concorrência. Se a profissão fosse tão ruim, não haveria fila”, diz Samuel Pessoa, da FGV.

Fonte: Folha de S. Paulo

 

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