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“A esquerda é mais forte nas ruas que a direita”

25 de junho de 2013

“Está em curso um golpe contra a democracia brasileira”, afirmou o cientista político e professor da UFMG Juarez Guimarães, durante o Seminário Para Expressar a Liberdade, no Teatro da Cidade, em Belo Horizonte.

O evento foi promovido no dia 21 de junho, pelo Sinpro Minas, juntamente com várias entidades, entre elas o Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC), que encabeça a campanha para a coleta de assinaturas do projeto de lei de iniciativa popular por um novo marco legal das comunicações no Brasil.

Para o cientista político, não dá para separar a política da comunicação, sendo urgente a regulamentação da mídia para a consolidação da democracia no Brasil. “Eles [a mídia] estão chamando para a agressão à esquerda brasileira. Temos de refletir sobre isso e rapidamente, antes que o movimento ganhe uma proporção irreversível”, apontou o professor, ao falar da cobertura que os meios de comunicação têm feito das manifestações país afora. De acordo com Juarez Guimarães, o país está diante de uma tentativa de golpe político-midiático, como ocorreu em outros países da América Latina.

“Não há uma sociedade em crise como eles estão querendo construir. A inflação no Brasil está sob controle e em declínio. Se não nos reposicionarmos, a esquerda junta, com uma linguagem política para dar conta da situação, corremos muito o risco na semana que vem. A esquerda é mais forte nas ruas que a direita. Se entrarmos unificados, ganharemos a batalha das ruas. Temos de fazer a disputa simbólica para denunciar a Globo e a mídia como antidemocráticas, e fazermos a defesa da democracia pelas bandeiras populares”, defendeu Juarez Guimarães.

O tema também foi debatido pelo jornalista e blogueiro Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé – Centro de Estudos da Mídia Alternativa. Ele destacou que as manifestações partiram de demandas justas da juventude, mas têm sido agendadas conforme os interesses da grande mídia, que está a serviço do capital.

Discurso fascista“A mídia pegou carona no movimento dos jovens, passando a alimentar e a agendar as pautas das manifestações. O que vimos ontem [na quinta-feira] lembra a ascensão do nazismo na Alemanha. Rasgar bandeiras vermelhas, bater em militantes de esquerda que lutaram pela democracia. O discurso de ‘sem partido’ é um discurso fascista”, avaliou o jornalista, que demonstrou preocupação com o momento atual.

“A mídia mostrou o seu papel nocivo à democracia, como fez em outros períodos da história, como no golpe contra Goulart, na campanha das Diretas, na Constituinte, na eleição de Collor, no neoliberalismo de FHC e nos oito anos de governo Lula, com um ódio de classe violento”.

Para Altamiro, a tarefa principal de quem não quer um retrocesso no país é defender a democratização da comunicação. “Estamos numa grande disputa ideológica na sociedade brasileira. Temos de colocar como tarefa principal, de urgência, o debate sobre a democratização da mídia no Brasil. A luta das mulheres não vai avançar, a luta dos trabalhadores não vai avançar, a luta dos sem-terra não vai avançar, a luta dos negros não vai avançar se não quebrarmos o monopólio da comunicação no Brasil”, ressaltou.

A jornalista Lidyane Ponciano, coordenadora do comitê mineiro do FNDC, falou sobre a campanha nacional Para Expressar a Liberdade e a coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular, lançado com o objetivo de regulamentar os meios de comunicação no Brasil. Ela reafirmou que a participação de toda a sociedade será fundamental para recolher 1,3 milhão de assinaturas e encaminhar o projeto ao Congresso.

  • Clique aqui e leia: Começa coleta de assinaturas por uma lei de mídia democrática

Para o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, o objetivo do seminário foi juntar esforços de várias entidades, para fortalecer a consulta popular em torno do projeto de lei. “É urgente a necessidade de democratizar a comunicação. Se não tivermos isso como referência, podemos perder tudo aquilo que acumulamos ao longo dos últimos anos. Essa questão, que já era importante, ganha uma dimensão muito maior com os acontecimentos dos últimos dias”, afirmou.

O Sinpro Minas é uma das entidades mineiras onde serão montados postos de coleta de assinaturas. Os abaixo-assinados estarão disponíveis na sede da entidade, em Belo Horizonte, e nas 12 regionais localizadas em todo o estado.

Mídia alternativaO Seminário também apresentou experiências positivas de mídia alternativa em Minas Gerais. O jornalista Elias Santos, coordenador da Rádio UFMG Educativa, falou sobre a importância de difundir os conhecimentos produzidos pela universidade. “É preciso que a rádio seja também um espaço de formação complementar das pessoas. Partimos do princípio de que todo o pesquisador precisa lidar com a comunicação”.

Representando o Jornal Brasil de Fato, a jornalista Joana Tavares fez um histórico sobre a imprensa alternativa, lembrando que esses veículos têm lado e cumprem o papel de dar voz aos que não tem. “Para haver democracia é preciso impedir a propriedade cruzada, ou seja, um mesmo grupo controlando diferentes mídias, como TV, rádios e jornais”, opinou.

O coordenador do Portal Minas Livre, Arcângelo Queiroz, abordou a questão do financiamento das mídias alternativas e cobrou dos governos a destinação de recursos da publicidade oficial para esses veículos. “A mídia alternativa precisa de mais investimentos”, destacou.

O Sinpro Minas apresentou o Programa de TV Extra-Classe, que está no ar há 5 anos, com um vídeo e a distribuição de um DVD especial com nove programas. A jornalista Cecília Alvim destacou a abrangência dos temas abordados pelo programa e o seu papel educativo. “Com o programa, o sindicato se propõe a fazer um debate sério e qualificado com os professores e com a sociedade. É uma experiência de mídia alternativa que contribui para as lutas pela democratização da comunicação e do país”, argumentou.

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