Notícias

As Duas Caras da Globo

28 de novembro de 2007

As Duas Caras da Globo: a imagem distorcida da educação na mídia

Mais uma vez, a educação pública é massacrada pela mídia, enquanto as escolas particulares figuram como solução para os problemas educacionais brasileiros. É assim que a rede Globo de televisão aborda esse tema nas suas novelas, programas de entretenimento, e até mesmo nos seus intervalos comerciais.

Se um telespectador comum ligar a TV e começar a observar, terá vários exemplos disso. A novela Sete Pecados mostra a realidade de uma escola pública sucateada: instalações velhas, paredes pichadas, salas de aula mal cuidadas, problemas de violência e vandalismo dentro do horário escolar e na vizinhança, entre outros. Para resolver tudo, é escalada a personagem Miriam, uma sonhadora diretora que, como uma heroína, aos poucos vai resgatando os alunos para “o bem”. Nessas cenas, embora se mostre a intenção de fazer a escola dar certo, a solução apresentada é individual, quase inalcansável na realidade da maioria das escolas públicas brasileiras, que enfrentam desafios ainda maiores.

Mais tarde, a novela das oito, Duas Caras, traz a solução “global” para o problema: a educação privada. Uma das personagens principais, Branca Barreto, é uma senhora da alta sociedade que resolve assumir a gestão da faculdade da família. Nesse caminho, ela ignora a realidade vivida pela comunidade acadêmica antes da sua chegada. Sem considerar as manifestações dos alunos e dos professores, que desejam a eleição do novo reitor, ela indica o seu novo admirador para o cargo.

O personagem Fernando Macieira diz ter sido militante do movimento estudantil na época da ditadura, mas hoje é um professor que defende a educação privada como solução para os problemas brasileiros. “Importado” da Europa pela personagem Branca (as idéias colonizadoras e  preconceituosas persistem), o professor ambiciona trazer soluções de fora para problemas antigos, ainda não suficientemente enfrentados pelo governo e pelo povo brasileiro.

Aproveitando o embalo das novelas, comerciais apresentados por figurões globais destacam nomes de desconhecidas faculdades particulares de ensino a distância. Essas escolas on-line são apresentadas como alternativa educacional para os jovens interligados pela programação global em diferentes rincões do país. Mais uma vez, a solução para a educação é individual: basta o sujeito conectar-se à Internet para ter em casa toda a educação que a Globo e seus anunciantes oferecem.

Quando chega o domingo, o tema volta à tela da emissora através do programa Fantástico. Em uma reportagem jornalística, os narradores apresentam, de forma sensacionalista, a triste história das escolas públicas no país. Falam em verbas federais na casa dos milhões de reais, cuja origem é o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), que não são revertidas para melhorias de escolas de diferentes municípios. As justificativas dos secretários de Educação não dão conta de explicar o que todo mundo sabe: a corrupção leva para os bolsos de alguns indivíduos o futuro de muitos brasileiros. Os alunos, então, são mostrados assistindo aulas debaixo de árvores, no quintal de suas casas, em salas precárias, esperando chegar de algum lugar a solução desse e de outros problemas.

Diante de tudo isso, o Sinpro Minas reafirma, juntamente com a Contee e outras entidades sindicais do país, que EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA, É DIREITO. Assim, não pode ser consumida, e descartada, como mais um dos produtos exibidos nas prateleiras globais. Educação pública de qualidade é bandeira coletiva, que deve ser hasteada no alto das instituições e dos corações brasileiros. O Sinpro repudia essa imagem catastrófica da educação pública e a alternativa apresentada pela TV Globo: a educação privada sem qualidade, sem democracia, sem participação popular. Todos juntos – professores, alunos, e sociedade – devemos defender a educação como política pública que atenda, com qualidade e respeito, todos os cidadãos brasileiros.

 O Sinpro Minas continua nessa luta, porque EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Eventos
Geral
Mundo
Opinião
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Uberaba
Uberlândia
Varginha