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As transformações políticas mais interessantes estão ocorrendo fora da Europa

5 de agosto de 2009

“A América Latina é hoje a frente mais importante na luta contra o imperialismo”. Essa é a constatação feita pelo sociólogo e professor da Universidade de Coimbra Boaventura Sousa Santos, que ministrou nessa terça-feira (4/3), em Belo Horizonte, a conferência Epistemologias do Sul – O papel dos Movimentos Sociais na Produção de Saberes, promovida pelo Sinpro Minas e pelo Centro de Estudos Sociais da América Latina.

Segundo ele, a região tem sido um laboratório de importantes lutas e mudanças sociais, como a dos indígenas, camponeses, mulheres, que apontam para alternativas ao capitalismo global. Mas essas lutas e mudanças, avalia Boaventura, ainda não foram compreendidas teoricamente, e essa distância entre teoria e prática tem gerado um efeito de invisibilidade. “Ainda não temos conceitos e saberes que nos ajudem a tematizar e dar força às práticas novas que estão surgindo no mundo. E como não temos conceitos, elas não são visíveis, estão ausentes”, disse o sociólogo para um auditório lotado, com mais de 400 pessoas. Segundo ele, essa invisibilidade cria a ideia de que não há alternativas.    Para mudar esse quadro, Boaventura defendeu a reinvenção da teoria da emancipação social. “Temos que valorizar outros saberes. Sabemos que há muitos grupos sociais que eram invisíveis para a teoria crítica e são eles que hoje estão conduzindo talvez as lutas mais importantes. Nossas teorias não veem e não valorizam essas lutas, não as reconhecem. Temos que nos distanciar um pouco da tradição da nossa teoria crítica para ver uma paisagem nova, a dos movimentos sociais”, afirmou. 

De acordo com o sociólogo, os movimentos sociais e populares precisam se articular, respeitando a diversidade. “Temos hoje que saber criar a união na diversidade. Precisamos de multiplicidade de teorias. Para viver a diversidade temos que aprender novos conceitos”.

Para o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, o Brasil ainda tem um olhar pouco atento para o acontece na região. “É preciso respeitar o processo que vem ocorrendo na América Latina. Vivemos uma forte pressão do império do norte [os EUA]”, afirmou Gilson Reis. Ele chamou a atenção para o recente golpe militar em Honduras (leia artigo sobre o assunto). “É preciso denunciar, resistir, lutar para que ocorram mudanças”, disse o presidente do Sinpro Minas, depois de convidar a todos os presentes para o ato contra o golpe militar que será realizado neste sábado (8/8), às 12 horas, na Praça Sete (Centro de Belo Horizonte). 

Em breve, o Sinpro Minas vai disponibilizar para os interessados um dvd com os principais trechos da conferência. Mais informações: (31) 3115-3000 / www.sinprominas.org.br.

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