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Carta à comunidade escolar do setor privado sobre a greve dos professores

25 de abril de 2018

Prezados pais, mães e estudantes,

O que nos move, diariamente em sala de aula, é poder exercer com alegria a profissão por nós escolhida e ver nossos/as alunos/as estudarem confiantes e felizes com nosso trabalho. Para nós, é gratificante acompanhar o crescimento pessoal de crianças, jovens e adultos na descoberta do conhecimento e de seu desenvolvimento intelectual, enquanto cidadãos e cidadãs.

No entanto, são muitos os prejuízos que temos hoje, a partir da proposta dos donos de escola de retirada de direitos históricos da nossa categoria. Queremos compartilhar com vocês as nossas preocupações: como manter acesas a chama e a alegria de dar aulas se vivemos, na campanha reivindicatória, a forte tentativa de exclusão da maioria dos nossos direitos e, em muitos casos, sofremos assédio moral?

Como manter disposição e ânimo pela docência, sabendo que, mesmo com o reajuste das mensalidades (em média de 12% em 2018), querem repassar apenas 1% para nós, professores/as – o que representa cerca de 25 centavos por hora/aula para alguns seguimentos e não recompõe ao menos a inflação?

Como ter energia e disposição para entrar em sala de aula diante da perversa proposta de diminuição dos nossos salários? Os donos de escolas querem acabar com o antigo direito do quinquênio – acréscimo de 5% para cada 5 anos de serviço dedicado às escolas, que é o que diferencia o/a docente em início de carreira daquele/a que vestiu a camisa da instituição por anos! Quem mais vai querer ser professor/a se este absurdo for aprovado?

Como ter saúde física, emocional e psíquica para repassar conhecimentos com a sobrecarga de trabalho? Os patrões querem aumentar a atividade extraclasse e reduzir o valor pago. Como aceitar, sem adoecer, a falta de reconhecimento e valorização dos nossos esforços?

Como manter o prazer de ensinar sabendo que os donos de escola querem retirar nosso horário de recreio/intervalo, nos reduzindo a uma condição degradante de pessoas-máquinas? Não poderemos sequer ir ao banheiro! E ainda querem reduzir o nosso período de férias!

Como manter o investimento diário para uma ótima aula e a nossa calma sabendo que, se ficarmos doentes, não teremos o direito de faltar ao trabalho? Os patrões não reconhecem que os/as professores/as são seres humanos e assim também suscetíveis a enfermidades e cirurgias. Eles propõem a desumana retirada da cláusula do abono de faltas e atestado médico.

Como trabalhar com tranquilidade sabendo que nossos/as filhos/as não poderão estudar onde lecionamos ou em outras escolas do setor privado nem poderemos mais fazer uma pós-graduação para nos aprimorar na profissão? Querem acabar com nosso direito de acesso às bolsas de estudo, conquistado há décadas, porém elas nem entram nas despesas da escola, não sendo, portanto, um prejuízo para as instituições de ensino.

Precisamos de toda ajuda da comunidade escolar para continuarmos a levar adiante nossa missão: a de estar em sala de aula com dignidade, saúde, qualidade de vida e de trabalho. Só assim será possível manter a qualidade da educação de seus filhos/as, nossos/as queridos/as estudantes.

Professores e professoras do setor privado da educação

Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais

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