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Carta aberta à sociedade do Triângulo Mineiro

26 de abril de 2010

Nós, professores da rede privada de ensino do Triângulo Mineiro, pedimos o apoio e a compreensão da sociedade em relação à nossa Campanha Reivindicatória, pois tem ocorrido a tentativa dos donos de escolas de retirar algumas conquistas históricas da categoria. Além disso, é importante ressaltar que nos últimos dez anos, somente em 2007 e 2008 houve a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) na região. Em 2010, reivindicamos a recomposição da perda salarial correspondente ao INPC acumulado no período de 2009/2010, atingindo 11,07% e mais um ganho real de 5,25%. Lembramos que as escolas aumentaram as mensalidades muito acima da inflação, contudo, não repassaram o reajuste aos professores. Requeremos também a implementação de planos de carreira e de cargos e salários, a regulamentação da educação a distância, entre outros itens referentes à melhoria das condições de trabalho. No entanto, a manutenção dos nossos direitos continua sob ameaça, pois a contraproposta apresentada pelo Sinepe/TM (sindicato dos donos de escolas) prevê a redução do adicional extraclasse em 10%, fim da cláusula da Isonomia Salarial, limite do Adicional por Tempo de Serviço em 5%, sendo que hoje ele chega a 25%, retirada da “Semana do Professor” em outubro, fim da Garantia de Emprego (90 dias) e recomposição salarial menor do que o INPC 2009/2010. Estas imposições do patronal colocam o piso salarial dos professores do Triângulo Mineiro entre os menores de Minas Gerais. Não há razões de ordem econômica, como alegam os donos de escolas, para deixar de atender às nossas reivindicações, uma vez que a economia vem crescendo a cada mês. Além disso, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano é de 6%, e, de acordo com pesquisa do Dieese, 79% das categorias com data-base no último período tiveram aumento real.  Acompanhamos, recentemente, o andamento das negociações em Belo Horizonte e região, envolvendo o Sinpro Minas e o Sinep/MG para o fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho 2010. Observamos a tentativa do Sinep de retirar conquistas históricas da categoria. No entanto, percebemos que a manutenção dos nossos direitos só foi possível por causa da intensa mobilização dos professores que lotaram as assembleias, com mais de mil pessoas em cada uma, e paralisaram as atividades docentes durante três dias, atingindo mais de quarenta escolas na região metropolitana da Capital.

Essa participação ativa da categoria pressionou os patrões a assinarem uma convenção que mantivesse as mesmas cláusulas da CCT 2009. Portanto, não há outra forma de manter nossos direitos, senão ampliar nossa mobilização em todos os locais onde atuamos.

Nos próximos dias, diretores do Sinpro Minas, juntamente com professores e estudantes, vão promover a Caravana Sinpro. O objetivo é ocupar as portas das instituições de ensino, praças e ruas das principais cidades do Triângulo Mineiro e fazer um trabalho de conscientização com os professores, pais de alunos e toda a sociedade, para que todos entendam a luta dos professores da rede privada por uma educação de qualidade e pela valorização dos trabalhadores em todos os níveis de ensino público e privado.

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