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Carta de uma mãe para professores do Colégio Santo Antônio

9 de abril de 2020

Queridos professores do Colégio Santo Antônio,

Esta é uma carta de desculpas e gratidão, profunda gratidão. Quero partilhar com vocês um diálogo que acabei de ter na minha casa com meus filhos que estudam no CSA. Aliás, não foi um diálogo. Foi um momento em que fiquei como ouvinte, chorei bastante e, agora, escrevo meu pedido de desculpas. Foi mais ou menos assim…

– Mãe, porque os pais querem redução da mensalidade?

Não tive tempo de responder, pois já veio logo outra pergunta e esta foi certeira.

– Os pais estão pedindo também redução das cotas de clubes, já que não podem frequentar? E para prefeitura pediram redução dos impostos, pois não podem ir às praças e aos parques?

Sabe mãe, todo dia tem um professor dando videoaula ou entrando ao vivo mesmo. Eles se arrumam como se fossem para a escola e sempre perguntam como estamos, falam de saudade. Eles tentam brincar, uns são desajeitados. Eu fico olhado uns e me dá até saudade. Dia que não tem aula, tô assistindo alguma aula repetida, só pra ver o professor.

E você, mãe, no whatsapp, reclamando da escola, de mensalidade, de falta de simpatia (na verdade ele quis dizer empatia). Que a escola não entende o quanto está difícil para as famílias.

Mãe, eles entendem a gente. A gente gosta deles. Chega, mãe. Para de reclamar da minha escola.

Essa conversa foi longa e eu tinha diante de mim duas crias do Santo Antônio, meus filhos. Essa foi, sem dúvida, a melhor lição que recebi nesta quarentena. Me levou para a UTI, mas consegui sair e me coloco diante de vocês e respondo aos meus filhos:

– Meus queridos, sabe porque só reivindico redução da mensalidade escolar? Por que só a escola, verdadeiramente, me faz falta. Fico sem clube, sem ir à praça, ao shopping. Aliás, nem tenho lembrado que esses espaços existem. Nenhum outro espaço me faz tanta falta, diariamente, quanto a escola. Talvez só agora perceba o que de fato é perder algo que é essencial, é proteção e sustentação. Sinto sim um desamparo profundo quando vejo os portões fechados. Os portões que sempre estiveram abertos.

Parece contraditório, não é? Sinto falta e reclamo, preciso de ajuda e reivindico meus direitos. Na verdade, denuncio meu desamparo, meu despreparo, meu medo de ficar em casa sem a presença, a ajuda e a orientação de uma escola que tem educado e feito diferença na vida da minha família.

Fiquei me perguntando se, nos últimos dias, tive o cuidado de dizer um bom-dia para os meus filhos. Se não seria bom, assim como os professores, eu também tirar o pijama e me aprontar para encontrar e estar com meus filhos. Eles vão crescer, sair de casa. Vão um dia sair da escola também, mas já imagino que irão dizer com muito orgulho, como vitoriosos, que estudaram no CSA. O que dirão do tempo que ficaram comigo em casa? Vejo-os contando casos de professores, falando das superações e das médias alcançadas com luta, do valor do esforço, do ar condicionado que não funciona ou gela demais, dos ventiladores barulhentos que parecem que vão despencar do teto, que 60 no CSA é 90 em outra escola, do portão aberto que eles respeitam como se estivesse fechado. O que dirão da vida em família?

Vocês estão longe, mas seguem tão perto, tão próximos. Estão no coração deles, nas melhores histórias e recordações. E eu? Neste tempo que dediquei a reclamar e protestar estive distante, trabalhando home office e nas horas vagas alimentando queixas nas redes sociais. Ah, se arrependimento matasse. Eu estaria… Ainda bem que esta quarentena vai longe e terei tempo de repensar e redesenhar minha relação com meus filhos e com a escola que eles tanto amam e que, hoje, me ensinaram a amar.

Sim, o ar-condicionado não funciona, os ventiladores são barulhentos, a escola é um labirinto, quando chove tem goteiras, as provas abertas, a maioria não sei responder, as questões são mais difíceis que as de vestibulares, tem dever e mais dever e algumas provas são de arrebentar. Ah, já ia esquecendo, vocês tem sim uma mão de ferro nas correções. Teria muito mais a dizer, mas o que importa é que vocês, professores, são amados e respeitados. Vocês amam e respeitam. A relação que vocês constroem com os meninos permitem que escola abra os portões no Ensino Médio e como disse meu filho: “mãe, eles confiam na gente, relaxa”. Eles conquistam autonomia na relação de cumplicidade que constroem com vocês. “Mãe, eles não deixam a gente desistir, vou dar conta, relaxa”. Sim, vocês ensinam o valor da persistência, da dedicação, da disciplina. Vocês educam para a vida. E, neste momento, meus filhos me ensinam a maior lição. A lição da gratidão.

Escuto tanto: “mãe, relaxa”. Agora, vou relaxar! Vou olhar para eles, ficar com eles e contar histórias com eles. Quero ter boas recordações deste tempo.

Queridos professores, obrigada. Muito obrigada pelo esforço. Sei que estão superando muitas dificuldades, que estão aprendendo a lidar com ferramentas digitais para seguirem ensinando. Tudo novo para vocês, não é? Como disse meu filho: “mãe, tem professor que nem sabia tirar self e tá dando aula on-line. E vocês, professores, tem seus filhos, sua casa, suas dores e preocupações. E eu esqueci disso! Desculpem-me. Mas, vocês têm aqui em casa dois grandes aliados e eles cuidaram de estabelecer a ordem, a paz e o bem. Agora, está tudo bem! Aliás, agora, está tudo bem melhor. Obrigada!

Vou aguardar com alegria a volta às aulas. Deixo minha gratidão, minha mais terna gratidão.

                                                                                  Mãe do CSA para toda a VIDA

 

 Observação: eu ia assinar, mas somos tantas mães. Sei que somos muitas.

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