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Conflito com alunos desgasta 40,25% dos professores da rede particular

29 de abril de 2009

A relação direta entre aluno e professor, que deveria ser um dos pilares da educação, transformou-se na principal causa de desgaste entre os docentes de escolas particulares de Minas Gerais. É o que mostra pesquisa inédita divulgada ontem pelo Sindicato dos Professores (Sinpro-MG). A queixa foi apontada por 40,25% dos 2.484 profissionais entrevistados, que também reclamaram de cansaço físico e mental (92,84%) e denunciaram terem sido ameaçados ou agredidos por alunos, pelo menos uma vez (41%). “Sintomas” que, para o Sinpro-MG, não só comprometem a saúde dos professores como afetam a qualidade do ensino. A pesquisa feita em parceria com a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) coletou dados com profissionais de todo o Estado, do Ensino Infantil ao Superior. Mostrou que o pavor que ronda o magistério não está restrito às escolas públicas. Chega às particulares por meio de xingamentos, ofensas morais na Internet e intimidações. As últimas também seriam praticadas pelos pais e, segundo o sindicato, pelas próprias instituições de ensino. “Transformaram a educação em mercadoria e exigem que o professor veja o aluno como cliente. O estudante cobra a aprovação de qualquer maneira, porque está pagando. Há casos em que mata aula no bar, enquanto o professor, que já deu a aula presencial, é obrigado a lançar o conteúdo ensinado pela Internet”, diz a coordenadora da pesquisa pelo Sinpro-MG, Maria das Graças Oliveira. Os profissionais também estariam sofrendo com aumento da sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções não-relacionadas ao cargo e o constante medo de serem demitidos, em especial no fim do ano. “Muitas vezes, ele sofre calado por medo de perder o emprego”, diz Maria das Graças. Os fatores podem estar ligados a casos cada vez mais frequentes de hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC) junto à categoria. A professora universitária Rose Guerra, 66 anos, não tem dúvidas de que o AVC que sofreu em dezembro de 2008 estava ligado ao estresse laboral. “Quando entrava em sala para aplicar prova, o coração batia forte de tensão”, diz. Para o presidente do Sinpro-MG, Gilson Reis, os resultados da pesquisa abrem caminho para que melhores condições de trabalho sejam buscadas junto às escolas, e pode permitir que doenças como a tendinite, ou relacionadas à voz, sejam consideradas típicas da profissão. O entendimento facilitaria a professores doentes conseguir licença médica remunerada. O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Ulysses Panisset, não pôs em dúvida a pesquisa, mas viu os números com cautela. “Não estou dizendo que não haja casos (de agressão), mas nunca tive essa experiência em 50 anos de magistério, e a realidade na maioria das escolas não é essa”. Segundo ele, as escolas não são coniventes com alunos que desrespeitam o professor ou buscam a aprovação a qualquer preço. “Elas buscam o compromisso ético e a qualidade do ensino. O professor é quem faz a escola e tem que ser prestigiado”.Fonte: Hoje em Dia – 29/04/09

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