Notícias

Contee: Elas por todas

8 de março de 2018

Na última terça-feira (6), o Ministério da Educação, o Conselho Nacional o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime) realizaram o Dia D de Discussão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como noticiado pelo Portal da Contee.

A escolha da data para a tentativa de legitimar a BNCC golpista — às vésperas do 8 de março — pode não ter sido proposital, mas é simbólica e não deixa de ser acintosa. Esta é a semana em que mulheres do mundo inteiro lembram, como remetem as histórias, a luta por melhores condições de trabalho das cerca de 130 operárias incendiadas numa fábrica de tecidos em Nova Iorque em 1857 ou a manifestação, em 1917, de 90 mil operárias russas contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação da Rússia na Primeira Guerra. Uma semana de reafirmação da defesa perene da igualdade de direitos e do combate à violência contra a mulher.

Todavia, tudo o que a educação que a BNCC desfigurada pelo MEC não promove é igualdade de direitos. Tudo o que essa base curricular não faz é contribuir para o combate à violência diária que cada mulher sofre. Pelo contrário, um dos principais retrocessos do texto aprovado no ano passado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e que agora o ministério tenta impor, sem qualquer respeito por quem pensa a educação de forma crítica, transformadora e cidadã, é o fim da promoção de quaisquer temas relacionados à igualdade de gênero.

Como se não bastasse excluir todas as menções a “identidade de gênero” e “orientação sexual” do texto, destruindo a concepção de uma educação voltada à superação das desigualdades e combate ao preconceito, a BNCC ainda inclui a pauta dentro do ensino religioso, fazendo que conteúdos relacionados a gênero e sexualidade tenham de ser discutidos sob o prisma das religiões. Em outras palavras, a BNCC golpista vai na contramão da perspectiva de uma educação democrática e coloca o ensino brasileiro nas mãos de forças retrógradas, o que representa um atraso histórico no setor e na sociedade.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é imprescindível que reiteremos nossa luta contra esse ataque. A superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção de igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual, é uma bandeira cara à Contee. Promover a igualdade de gênero é abrir o diálogo e criar espaços para se trabalhar todas as dimensões das desigualdades, problematizando a exclusão e o preconceito. Porque não é possível uma educação verdadeiramente democrática sem que ela contribua efetivamente para a superação de mazelas como o machismo, a violência — física e simbólica — contra a mulher, o racismo, a homofobia, a transfobia e sem que assegure tanto igualdade quanto direito à diversidade.

Por Táscia Souza, do Portal da Contee

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Eventos
Geral
Mundo
Opinião
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Uberaba
Uberlândia
Varginha