Notícias

“Controle do trabalho docente”, diz educador sobre Escola sem Partido

16 de outubro de 2019

Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, diz que “nenhum país vai se desenvolver, nenhuma sociedade vai se tornar democrática se estiver pautada neste movimento”

Belo Horizonte é a primeira capital brasileira a aprovar o projeto Escola sem Partido. A Câmara Municipal da capital mineira resolveu acolher, nesta segunda-feira (14), em primeiro turno, Projeto de Lei 247/2017 sobre a matéria, por 25 votos a favor e oito contrários.

Na avaliação de Daniel Cara, educador, cientista político e coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, este movimento representa controle do trabalho docente e uma aula medíocre para os estudantes.

“Nenhum país vai se desenvolver, nenhuma sociedade vai se tornar democrática se estiver pautada no Escola sem Partido. O professor não pode ter que decidir se vai lecionar sobre o conhecimento científico, ou com a religião, que pode conviver na escola, mas como uma manifestação da cultura, e não como dogma”, analisa o educador.

“É inaceitável lecionar criacionismo, questionar a luta das mulheres pelo direito ao voto e a serem votadas, relativizar o absurdo da violência do nazismo. São essas as pautas do Escola sem Partido. Este movimento representa a escola de um partido único, o partido ultraconservador, que não aceita a sociedade brasileira como ela é: de diversas composições familiares, diversas religiões e que é extremamente injusta. E a escola tem que ser um espaço de conscientização sobre essa injustiça, e de mobilização de cidadãos para que essa injustiça seja vencida”, destaca Daniel.

O educador revela que a aprovação em Belo Horizonte está indo na contramão do que tem ocorrido em outras casas legislativas. Tanto nos estados como nos municípios, o Escola sem Partido ou tem sido derrotado ou tem sido arquivado.

Propaganda ultraconservadora

“Os pais já perceberam que o Escola sem Partido vai ofertar uma educação medíocre para seus filhos, uma educação acientífica. Ao mesmo tempo, os estudantes também começaram a perceber a falácia da propaganda ultraconservadora”, acrescenta.

Ele defende que o Escola sem Partido enfraquece a missão da educação nacional que, segundo a Constituição de 1988, em seu artigo 205, diz: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

“O Escola se Partido coíbe o acesso ao conhecimento científico, em nome dos dogmas religiosos. Não prepara para a cidadania, porque ninguém pode ser cidadão tendo uma postura de controle e desrespeito ao professor, tampouco desrespeitando as questões importantíssimas de diversidade, pautas da cidadania nacional. Além disso, não prepara para o mundo do trabalho, porque forma pessoas incapazes de lidar com as diversidades. Trata-se de um projeto pedagogicamente péssimo, terrível e contraproducente para o desenvolvimento do país, especialmente no que se refere à justiça social e à democracia”, reforça.

Momento de reflexão

Em relação à data que marca esta terça (15), Daniel diz que o Dia dos Professores tem que ser tratado como um momento de reflexão sobre as péssimas condições de trabalho, escolas que não garantem o processo de ensino e aprendizagem, o desrespeito que os professores vivem, em uma sociedade que estimula o Escola sem Partido.

“Para se ter uma ideia, o Alternativa para a Alemanha, que é o partido nazista alemão, tem a mesma estratégia do Escola sem Partido. Por isso, deve ser um dia para reflexão que mobilize para a luta. Fiquei muito feliz de ver a mobilização dos professores de Belo Horizonte. Agora, não deu para ganhar, mas ainda tem o segundo turno da matéria, a decisão de veto de sanção do prefeito Alexandre Kalil (PSD), e ainda há a via da judicialização, porque o Escola sem Partido é claramente inconstitucional”, finaliza.

Fonte_ Revista Forum ____Foto_Instituto Lula

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Eventos
Geral
Mundo
Opinião
Opinião Sinpro Minas
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Uberaba
Uberlândia
Varginha