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Diretora do Sinpro recebe Prêmio Zumbi de Cultura

21 de novembro de 2019

A engenheira florestal, professora universitária e diretora do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), Ângela Maria da Silva Gomes, é uma das homenageadas pelo  X Prêmio Zumbi de Cultura, promovido pela Cia Baobá Minas. A premiação foi feita no dia 20 de novembro, em Belo Horizonte, durante celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

O Prêmio Zumbi de Cultura tem a finalidade de homenagear pessoas que se destacam nos campos das artes, política e cultura negra, em Minas e no Brasil. Pensar a ocupação cultural, o fazer artístico, a correspondência entre os artistas na busca de ações que contemplem o fortalecimento, a reflexão e a visibilidade da cultura afrobrasileira. A premiação é distribuída anualmente nas  categorias: dança, teatro, música, religiosidade, literatura, educação, manifestação cultural, personalidade negra, menção honrosa, protagonismo juvenil e atuação política..]

Angela Gomes

Ângela Gomes, que recebeu o prêmio de Personalidade Negra, é doutora em Etnobotânica Negro Africana pela UFMG e mestre em Controle de Contaminação Ambiental pela Universidade Politécnica de Madri, na Espanha. A professora é também coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado de Formação Política e diretora do Sinpro Minas. Foi consultora da ONU na Guatemala, trabalhando com mulheres refugiadas indígenas Maya, foi representante das mulheres socialistas na comunidade europeia, é membro do coletivo feminista – Emakume Internacionalista da Espanha e tem quatro livros publicados. Uma Ecofeminista negra, que denunciou o trabalho escravo em monoculturas de eucalipto, em Minas Gerais nos anos 90 e, hoje, dedica a luta contra o racismo ambiental e em defesa do uso tradicional da biodiversidade e do legado ecoafricano e feminino presente nos terreiros de candomblé, nos quintais quilombolas e urbanos, de vilas e favelas. “Lembro que comecei a fazer uma tese sobre as plantas sagradas de origem africana, e fui entrevistar o babalorisá Henrique de Oxalá. Ele começou a falar a utilidade e o orixá de cada planta. Em um momento, parou e me disse “Para nós que somos do Candomblé, todas as plantas são sagradas”. Quando mostrei para a minha mãe carnal esta fala, que abria minha tese, ela começou a chorar e disse que a sua avó falava a mesma coisa. A avó dela já havia morrido há mais de 70 anos e não tinha conhecido meu pai de santo, nem era do candomblé. Era da tradição da vida! Assim, nascia para mim outra ciência e a ela dedico meu prêmio. Uma ciência que tem por princípio a ideia de que o cientista deve ser responsável pela ciência que produz. Sei que existe a engenharia da guerra, e eu escolhi a engenharia da vida. A engenharia de matriz africana”, diz Ângela Gomes.

A Cia Baobá Minas, que promove a premiação,  existe  há 20 anos na cidade, com objetivo de valorização da cultura afro brasileira e difusão. Através da sua fundadora, Júnia Bertolino que é jornalista, antropóloga, arte educadora, produtora cultural, Idealizadora do Prêmio Zumbi de Cultura e Diretora da Cia Baobá Minas, traz o Prêmio Zumbi de Cultura que completa 10 anos e homenageou mais de 100 pessoas entres mestres populares, artistas e grupos culturais.

Foto capa: Renca Produções 

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