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Discurso de posse da presidenta Valéria Morato

29 de fevereiro de 2016

Camarada Gilson Reis, que preside os trabalhos dessa noite; Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB); para não me alongar muito, em nome desses companheiros, cumprimento a todos e a todas as componentes da mesa. Meu cumprimento especial a todos os diretores e diretoras que tomam posse nessa noite; aos nossos convidados e convidadas, os meus agradecimentos pela presença.

Confesso que há mais de um mês a preocupação com o discurso que deveria preparar para essa noite me persegue. Talvez por conhecer a oratória e o conteúdo dos companheiros que me antecederam ou talvez por ter clareza da importância do Sindicato dos Professores e que, agora, já não falo mais por mim e sim em nome dessa entidade tão respeitada. A primeira decisão foi a de que tentaria ser o mais breve possível para não cansá-los, afinal de contas, hoje é dia de festa. Festa em comemoração ao excelente trabalho realizado pela diretoria anterior, liderada pelo combativo e incansável Gilson Reis, e também em recepção à nova diretoria que se prontificou a dar continuidade ao trabalho de tantos que já passaram por esse Sindicato. E faço aqui um destaque: o desafio da presidência do Sinpro Minas se torna mais leve quando pode-se contar com a permanência na diretoria de cinco ex-presidentes: minha homenagem e respeito aos colegas Carlos Magno, Celina Arêas, Newton de Sousa, Décio Braga e Gilson Reis. Cada um, a seu tempo, cumpriu sua tarefa com afinco, combatividade, dedicação em defesa da categoria de professores, alcançando uma das melhores convenções coletivas de trabalho do Brasil. Me comprometo com meus antecessores a conduzir o sindicato dos professores, junto com toda a diretoria, sem esquecer das realizações do passado, cuidando sempre do presente e de olho permanente no futuro, com base nas lições que aprendi e aprendo diariamente com vocês. Esse foi o compromisso assumido junto à categoria de professores e professoras do setor privado de Minas Gerais, através da carta programa apresentada antes das eleições: Renovação e continuidade. Esta diretoria, que ora assume o sindicato, foi eleita com 99% dos votos válidos. Isso traduz a confiança dos professores e professoras que reconheceram na chapa a representatividade, o pluralismo de opiniões e o compromisso com a luta da nossa categoria.

Como já dizia Lênin: é preciso sonhar, mas com a condição de crer em nossos sonhos, de examinar com atenção toda a vida real, confrontar nossa observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossa fantasia. Assim, a situação internacional será sempre considerada nas nossas ações. Torna-se, cada vez mais, essencial a análise sobre a crise do capitalismo, que já se estende há muitos anos e acentua os traços de decadência do capitalismo e do declínio histórico relativo do imperialismo estadunidense. Ao liquidar conquistas históricas da humanidade, o sistema capitalista revela-se incapaz de assegurar desenvolvimento econômico e social, democracia, paz, justiça e sustentabilidade ambiental.

Denunciamos e repudiamos a aplicação da estratégia de construir o chamado “novo Oriente Médio”; as sucessivas guerras de agressão a países da região; a contínua presença de tropas estadunidenses no Afeganistão; a intervenção na Síria; o golpe fascista na Ucrânia, com apoio das potências ocidentais e as ameaças de intervenção nesse país do Leste europeu; o prosseguimento da política de ocupação, colonização, limpeza étnica e terrorismo do Estado de Israel contra o povo palestino, com o apoio explícito do imperialismo estadunidense; a adoção de uma estratégia militar voltada para a Ásia; as intentonas golpistas para reverter as conquistas democráticas, patrióticas e sociais na América Latina. São esses os traços mais marcantes da ofensiva do imperialismo contra os povos, causas principais da instabilidade e incertezas do mundo contemporâneo.

E o Brasil não sai ileso dessa ofensiva. Uma onda conservadora tem se espalhado também sobre a sociedade brasileira, ameaçando as conquistas socioculturais que começaram a ser implantadas e ganharam impulso e consistência a partir de 2007, no segundo governo Lula, favorecidas por um ciclo de crescimento em que todos ganharam: miseráveis, pobres, classes médias e ricos. Velhos tabus foram sendo removidos. As mulheres tiveram seus direitos reiterados e defendidos por leis como a Maria da Penha; homossexuais puderam sair do confinamento social; as possibilidades de aborto foram ampliadas, incluindo o de anencefálicos, o que tangencia agora os casos de microcefalia; os negros e afrodescendentes conquistaram direitos e políticas afirmativas; as crianças e adolescentes ganharam seu estatuto, que a onda conservadora ameaça rasgar; milhões de pessoas saíram da miséria, milhares de jovens pobres alcançaram o ensino superior.

A partir de 2012 o conservadorismo avançou, colocando em pauta propostas de retrocesso como a redução da idade penal, medidas homofóbicas, regressão das políticas sociais, precarização de relações trabalhistas através da terceirização ampla e irrestrita de mão de obra e outras mais, sempre nutridas pelo moralismo que sempre ganha força quando a reação quer encerrar governos populares.

E hoje o Brasil está diante da implacável caçada a Lula, da ameaça do impeachment de Dilma, desprovido de fundamentos claros e sólidos como em 1992, diante de uma Lava Jato que contribuiu fortemente para o derretimento econômico, diante do crescimento de uma direita que se finge moderna e ética para atrair os indignados.

A grande mídia despeja na opinião pública mentiras, distorções e manipulação de fatos, atuando para manter a instabilidade política, a serviço da direita neoliberal que adotou a tática do quanto pior melhor para reaver a qualquer preço o governo da República.

Os mais atingidos nesse cenário são os trabalhadores e trabalhadoras. O Sindicato dos Professores não medirá esforços na defesa de uma política econômica que assegure o desenvolvimento sustentável com distribuição de renda, geração de empregos e inclusão social, a retomada do crescimento econômico, a defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras da ativa e aposentados e o enfrentamento das desigualdades de renda e riqueza no país.

A luta que travaremos imediatamente, a partir de hoje, será contra o PLS/131. A aprovação na última quarta-feira, no Senado, desse projeto, de autoria do senador José Serra, que tira a exclusividade da Petrobras na exploração do pré-sal, é um ataque à soberania nacional. Faço minhas as palavras da deputada federal Jandira Fegalli: “O PL dos tucanos faz parte de uma agenda neoliberal, de um projeto fracassado nas urnas. Mudar a participação da Petrobras no pré-sal é abrir espaço para que as riquezas do povo sejam exploradas por forças estrangeiras. É questão urgente, de soberania e desenvolvimento nacional. Não podemos permitir essa tentativa de desmonte do patrimônio nacional”

Esses temas trazem reflexos inevitáveis e perniciosos para os professores e professoras do setor privado. E ainda vivenciamos a ausência da fiscalização e do controle mais efetivo nesse segmento. Isso tem resultado na desnacionalização da educação brasileira e acelerado o processo de mercantilização da educação. Os professores e professoras trabalham sem um plano de carreira, em um clima de total desvalorização, com cobranças insanas de cumprimento de metas empresariais causadoras de adoecimento físico e mental. A sobrecarga de trabalho tem impossibilitado a formação continuada, momentos de lazer e até mesmo o convívio familiar. O extenuante trabalho extraclasse se agrava com a cobrança de novas ferramentas tecnológicas. Horas a fio são gastas junto aos computadores e smartfones, nos desconectando do convívio presencial.

Não posso deixar de cumprimentar os nossos familiares. São eles que, sem muita opção, são nossos cúmplices. São eles que suportam nossas ausências. Mas penso que não cabem desculpas. Estamos ausentes porque priorizamos as causas coletivas, a defesa do ser humano. Mas cabem os nossos agradecimentos. Em nome da minha família agradeço as famílias de todos os sindicalistas. E sinceramente, espero que a atividade sindical ocupe as nossas vidas por um bom tempo ainda.

Termino lembrando Cora Coralina: “Mascarados / Saiu o semeador a semear./ Semeou o dia todo / E a noite o apanhou ainda com as mãos cheias de sementes./ Ele semeava tranquilo sem pensar na colheita / porque muito tinha colhido do que outros semearam./ Jovem, seja você esse semeador./ Semeia com otimismo /Semeia com idealismo as sementes vivas da Paz e da Justiça.”

Agradeço a paciência, boa diversão para todos e aos diretores, juízo: amanhã nossos trabalhos começam cedo.

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