Notícias

Escola Sem Partido é o Brasil prestes a vigiar professores, diz jornal francês

3 de dezembro de 2018

Correspondente do jornal “La Croix” retrata clima de perseguição em escolas brasileiras ante da ação agressiva de pais e alunos, respaldadas por figuras do governo Bolsonaro

O movimento Escola Sem Partido, que pretende censurar professores acusando-os de tentar doutrinar seus alunos ideologicamente,  estarrece até a imprensa conservadora francesa. Reportagem desta quarta-feira (28) do jornal católico La Croix retrata a ofensiva, apoiada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) e pelo seu futuro ministro da Educação, que passou a tratar os professores como inimigos que precisam ser vigiados.

“Vários episódios de censura e até mesmo de agressão por parte de alunos ou pais contra professores têm sido registrados no Brasil”, aponta o portal da RFI Brasil, sobre a matéria produzida pelo jornal francês, que também cita o caso da deputada estadual eleita em Santa Catarina pelo mesmo partido de Bolsonaro que chegou a criar um canal para que pais e alunos pudessem denunciar professores.

A reportagem ouviu um professor de história do Rio de Janeiro que em seu depoimento conta como a paranoia estimulada retira da escola a autonomia para resolver pelo diálogo esse tipo de conflito e fere a liberdade de expressão dos educadores. Em meio à onda repressiva na educação, muitos professores têm sido humilhados em redes sociais e até mesmo demitidos, aponta a correspondente do jornal francês no Brasil Aglaé de Chalus.

“Esse movimento se posiciona contra ‘os abusos da liberdade de ensino’ e propõe censurar matérias que tratem de gênero ou orientação sexual. Prevê também proibir os professores de falar sobre política ou religião em sala de aula”, explica o jornal francês, sobre o projeto que tramita atualmente em comissão especial na Câmara dos Deputados.

O La Croix aponta a tensão dos professores, que buscam resistir à ofensiva persecutória – inclusive um manual foi criado para orientar o docente sobre como agir em situações como estas –, enquanto aguardam posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema, declarando a proposta inconstitucional caso passe no Congresso.

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Eventos
Geral
Mundo
Opinião
Opinião Sinpro Minas
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Uberaba
Uberlândia
Varginha