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Estudar fica mais caro em Minas Gerais

26 de março de 2012

Sindicato das Escolas Particulares de Minas estima reajuste médio de 12% nas mensalidades para 2012 

Do ensino infantil à faculdade, as escolas de Minas Gerais devem ficar, em média, 12% mais caras em 2012. O percentual é bem maior que o teto da inflação do país, previsto para 6,5% este ano. Grande parte das escolas começa a comunicar o reajuste entre este mês e o próximo, mas alguns pais já estão fazendo a matrícula para 2012 e pagando o preço novo.

Em 2011, a educação encareceu em média 10% no estado. Segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), em 2012 o peso deve ser maior, pressionado pelo salário mínimo, que terá reajuste de 13,06%, elevando despesas de manutenção e serviços.

A data-base dos professores, transferida de fevereiro para abril, também vai pesar nas contas das escolas e impactar as mensalidades do ano que vem, segundo o presidente o Sinepe, Emiro Barbini.

Até agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como referência para a correção dos salários, acumulava alta de 7,4% em 12 meses, também inferior ao reajuste previsto pela educação. “Calculamos que o INPC deve fechar o ano entre 8,5% e 9,5%, mas as escolas terão que calcular o índice referente aos últimos 14 meses, devido à modificação da data-base, o que deve atingir 12%”, aponta Barbini.

A educação particular passou a pesar o orçamento das famílias. Na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, que concentra a maior média de preços da cidade, a atual mensalidade do terceiro ano do ensino médio varia entre R$ 600 e R$ 1 mil, mantendo a média de R$ 908, segundo levantamento do Mercado Mineiro. O que significa que com o reajuste para o ano que vem muitas famílias terão de desembolsar pelo menos R$ 1 mil com a escola dos filhos. Para quem tem um filho na faculdade o gasto pode ser bem maior, e por isso especialistas apontam que é preciso ficar atento às contas domésticas e, em alguns casos, fazer ajustes drásticos, com cortes em outras áreas.

A dona de casa Daniela Grecco, mãe de Renan (10 anos) e das gêmeas Paula e Marina, de 6, fez ontem a matrícula para 2012, já que no ano que vem os meninos estarão em uma nova escola. Na instituição, localizada na Região Centro-Sul da cidade, a mensalidade encareceu pouco mais de 9%, passando de R$ 706 para R$ 771,19. “A educação pesa demais no orçamento. As escolas sempre sobem mais que a inflação, e mais que o salário da família”, avalia.

Especializado em educação financeira e também autor do livro Dinheirama, Ricardo Pereira reforça a importância do investimento, mas alerta: “As contas não devem ser conduzidas para uma loucura.” Segundo ele, se os gastos com educação atingirem de 25% a 30% da renda familiar está na hora de acender todos os alertas. Para o especialista, além de anotar todas as despesas para adequar os gastos, o momento é para ações mais agressivas: “Vale negociar um desconto maior, tentar uma bolsa, considerar a troca de escola ou até mesmo o ensino público.” Ricardo, que tem uma filha na escola, conta que já recebeu o boleto e o susto foi grande: “Minha filha saiu do infantil para o ensino fundamental e o preço quase dobrou”.

Para aliviar um pouco, Daniela conseguiu negociar um desconto de 10% na mensalidade de cada filho. Mesmo assim, ela diz que abre mão de vários itens para manter a escola. “Dá para economizar com a TV a cabo. Como o clube que frequentamos é completo, o lazer é praticamente só lá.” Para manter o equilíbrio das finanças, Daniela olha para suas contas como um todo e faz ajustes. Ela diz que há algum tempo vem modificando hábitos. “Já troquei até de padaria. As crianças mais novas aproveitam as roupas do mais velho, também troco roupas com familiares e corto o consumismo”, ensina.

Família tem direito de ver planilhaPor lei, as escolas devem fixar o reajuste que vão aplicar nas mensalidades no mínimo 45 dias antes do início das aulas e precisam justificar o reajuste com planilha de custos para as famílias. Em Belo Horizonte, cerca de 200 mil alunos frequentam escolas particulares.

Marcelo Barbosa, coordenador do Procon Assembleia, aponta o artigo 39, inciso 10, do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Segundo ele, reajustes acima da inflação, sem justificativa, são abusivos. “A planilha não precisa estar afixada, mas se os pais solicitarem a escola deve apresentá-la de pronto.” De acordo com Barbosa, a instituição que não providenciar a planilha está sujeita a responder a ações judiciais e ter seu reajuste equiparado à inflação.

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), Emiro Barbini, pondera que como o preço anual é fixo as entidades correm o risco de serem surpreendidas ao longo do ano por despesas novas, que vão além dos custos conhecidos. “Aguarda pela sanção da presidente da República, o aviso-prévio de 90 dias, que terá um grande impacto para todas as empresas. O governo também estuda aumentar o ano letivo de 200 para 220 dias, o que expandirá o custo geral das escolas em 10%.” Como justificativa para o reajuste, Barbini ainda aponta a inadimplência de 7% no ensino fundamental e médio. Apesar disso, a educação privada vem passando por um bom momento. Em Minas, embalado pelo crescimento da renda, o setor cresceu 15% nos últimos cinco anos.

Como educação é investimento, Eduardo Coutinho, coordenador do curso de administração do Ibmec-BH, diz que os cortes nessa área são difíceis e devem ser bem medidos pelas famílias. “A capacidade de a pessoa ter renda no futuro depende da educação.” Segundo ele, ajustes podem ser feitos no momento da compra do material escolar. “Dá para economizar escolhendo materiais mais baratos”, sugere.Fonte: Jornal Estado de Minas / 4/10/2011

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