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Estudo aponta alto índice de estresse entre professores

11 de janeiro de 2013

Por conhecer de perto o cotidiano dos professores de escolas particulares, a psicóloga Liliana Aparecida de Lima, diretora do Sinpro Campinas, decidiu estudar o assunto. A pesquisa que empreendeu resultou na tese de doutorado “Os impactos das condições de trabalho sobre a subjetividade do professor do ensino superior privado de Campinas”, cujos dados revelam um quadro preocupante.

A tese, defendida em novembro do ano passado na Faculdade de Educação da Unicamp, mostrou que 88% dos docentes por ela entrevistados estão estressados, e 76% deles avaliam que têm a vida particular invadida pelas demandas profissionais. Além disso, mais da metade (52%) já adoeceu por conta do trabalho, e o mesmo percentual teme perder o emprego. “Os professores vivem uma situação de precariedade no trabalho, com jornadas extenuantes e exigências excessivas. Essas condições fazem com que o professor sofra e adoeça”, afirma a pesquisadora.  

Ao relatar problemas de saúde enfrentados com frequência pela categoria, como depressão, síndrome do pânico, insônia, hipertensão, distúrbios da voz e vasculares, a diretora do sindicato faz uma alerta para o risco que esse cenário traz para a educação. “Vamos imaginar uma sala de aula. Em alguma medida, a relação entre aluno e professor com o saber e a transmissão de conhecimento pode ficar comprometida, em decorrência dessa situação”.

Apesar do quadro pouco favorável constatado pelo estudo, a diretora do Sinpro Campinas afirma que os professores entrevistados apostam em mudanças. De modo geral, os docentes acreditam que, apesar do alto índice de adoecimento da categoria, é possível alterar o quadro atual. “Eles acreditam na contribuição do trabalho deles para um país melhor. Há uma relação de crença muito grande na educação”, aponta Liliana.

Para o coordenador-técnico do Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES), Augusto Petta, o estudo da diretora do Sinpro Campinas “ultrapassa os muros da Universidade”, ao vincular o tema pesquisado à realidade social. “[A tese] contextualiza a expansão do ensino superior privado no Brasil, influenciada fortemente pela desregulamentação, financeirização e desnacionalização. Nesse contexto –em que o neoliberalismo deixou marcas profundas, com o ensino transformando-se em mercadoria–, a autora pesquisa as condições de trabalho dos professores do ensino superior privado e como estas condições impactam as subjetividades dos mesmos, tornando-as precarizadas”, afirma Petta, em artigo publicado no site da Contee.

Na avaliação da diretora, a saída passa por um conjunto de medidas, entre elas a valorização da educação. “É fundamental que a educação em nosso país seja levada ao protagonismo que ela merece e que esteja ligada a um projeto de desenvolvimento do país, com valorização do trabalho e distribuição de renda. Se não alcançarmos esse patamar, vamos viver períodos mais difíceis. Por isso que a luta para garantir 10% do PIB para o setor é fundamental”, destaca Liliana.

“Se travarmos a luta verdadeiramente classista, temos condições de construir esse projeto. É por isso que nós, do movimento sindical, temos de fortalecer a luta por melhores condições de trabalho e salário para os professores, e estamos no caminho certo”, completa a diretora. A partir de março, o estudo será publicado no site da biblioteca de teses da Unicamp.  

  • Clique aqui e leia matéria do jornal Extra-Classe sobre o assunto.
  • Clique aqui e acesse a pesquisa do Sinpro Minas acerca da saúde docente. 

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