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Estudo da Medicina mostra como exercícios vocais podem evitar afastamento de professores

27 de maio de 2014

O método conhecido como Exercícios de Função Vocal (EFV) é um tratamento simples, rápido e barato, capaz de reabilitar professores com disfonia comportamental, ou seja, com algum problema vocal causado pelo abuso ou mau uso da voz. Esta é uma das principais conclusões do estudo clínico “Efetividade dos exercícios de função vocal e do uso do amplificador vocal: ensaio clínico randomizado”, desenvolvido pela professora do curso de Fonoaudiologia da UFMG Letícia Caldas Teixeira.Estudos nacionais e internacionais mostram que a prevalência de casos de disfonia entre professores de diferentes níveis de ensino é alta, chegando a 80%. “No Brasil, este é um dos principais motivos de afastamento de profissionais de ensino, sendo gastos em torno de 100 milhões de reais ao ano por causa deste problema”, esclarece Letícia. O método foi tema de oficina “Prática do método de exercícios de função vocal”, parte da programação do 1º Congresso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG, encerrado no  final de semana.A partir da aplicação de duas intervenções usuais nesses casos, a pesquisa comparou a efetividade do programa EFV e o uso do microfone em sala de aula. Todos os participantes – 160 professores selecionados aleatoriamente na rede municipal de Belo Horizonte, com idade média de 38 anos (entre 18 e 50 anos de idade) – tinham diagnóstico de disfonia e trabalhavam em até dois turnos.Orientados sobre todos os procedimentos e separados em três grupos, eles receberam atenção diferenciada e foram submetidos a uma série de exames, para avaliar suas condições clínicas. No grupo que não recebeu nenhum tipo de tratamento, foi observado que todos os professores pioraram.Os membros do segundo grupo usaram microfone no período de aulas, por seis semanas, além de receberem orientação para alguns cuidados vocais básicos. E, embora os professores relatassem melhor percepção do impacto da disfonia sobre sua voz, os exames comprovaram que não houve melhora efetiva nesse grupo. Para Letícia Teixeira, isso comprova que, ao contrário do que parece, o uso desse equipamento não é capaz de promover, de fato, a melhora dos problemas na laringe, nem melhorar a emissão da voz ou modificar os parâmetros acústicos.“O uso do microfone está para o professor como o capacete está para um operário”, compara a professora da UFMG, destacando que o amplificador de voz deve ser usado como um equipamento de proteção individual que traz conforto e alívio. “Mas só usar o equipamento não é suficiente para evitar acidentes no trabalho. O professor precisa ser orientado sobre os cuidados básicos com a voz, como o controle do nível de barulho dentro da sala de aula, por exemplo. Outras vezes ele precisa receber treinamento vocal específico, como medida preventiva ou de reabilitação”, afirma Letícia Teixeira, que também é pedagoga, mestre em educação e doutora em distúrbios da voz.SoluçãoOs resultados foram superiores e expressivos entre os professores tratados pelo método dos Exercícios de Função Vocal, que também receberam orientações para um melhor uso da voz no trabalho. “Houve melhora tanto da autopercepção do impacto da disfonia, quanto da qualidade da voz, inclusive do resultado do exame laríngeo”, afirma a pesquisadora, que comemora o resultado. “Além de ser um tratamento simples de ser aplicado por um fonoaudiólogo, o método EFV leva apenas seis semanas e os exercícios podem reproduzidos pelo paciente em casa, contando com ajuda de um CD-aula.”Ainda segundo ela, os resultados permitem concluir também que é mais viável econômica e socialmente a criação de um programa, ou serviço de saúde, voltado para a preservação da voz de professores, em cada município. “Uma política pública, que envolvesse a participação de fonoaudiólogos, custaria muito menos que os gastos com tantos afastamentos e traria ainda mais benefícios, tanto para o trabalhador da educação quanto para o ensino”, destaca a professora.Cantores e atendentes de telemarketing são outros profissionais que sofrem com problemas na voz, relacionados à profissão. Embora não tenham sido avaliados no estudo, também podem se beneficiar do método.

Fonte: www.medicina.ufmg.br/

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