
Os professores das escolas particulares de Belo Horizonte e região seguem em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta sexta-feira (18/9), lotada por mais de 700 docentes de dezenas de escolas. Eles voltaram a rejeitar a proposta patronal de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o documento que reúne os direitos da categoria, como salários e demais benefícios, em dois instrumentos: um para a educação básica e outro para o ensino superior.
A posição da categoria é a renovação da atual Convenção sem alterações, com reajuste salarial pelo índice da inflação (INPC), de 3,77%. Os donos de escolas, por sua vez, afirmam que só fecham acordo na campanha salarial se os professores aceitarem a divisão, hoje inexistente, já que a CCT atual é única e estabelece os direitos dos docentes de todas as etapas de ensino.
Para os professores, a separação enfraquece a capacidade de negociação coletiva e abre espaço para novos ataques a conquistas históricas, como as bolsas de estudos e a isonomia salarial.
A presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato, lembra que a categoria sempre se manteve aberta à negociação, e que foi justamente por isso que recuou em sua pauta original. “Desde o início a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria”, afirma.
Nas primeiras rodadas, os professores apresentaram uma pauta com mais de 10 pontos de valorização da carreira docente, além de ganho real. Para que as discussões avançassem, passaram a defender apenas a renovação da Convenção sem mudanças e o reajuste pela inflação. “Mas o patronal tem tido uma postura intransigente”, acrescenta Valéria.
Segundo a presidenta, a greve existe para proteger conquistas construídas ao longo de décadas, como as férias coletivas, o adicional extraclasse e a isonomia salarial. A ausência de uma Convenção assinada já produz efeitos concretos, porque algumas escolas deixaram de aplicar direitos previstos no documento, entre eles as bolsas de estudos.
“Estamos diante de uma tentativa de dividir uma categoria que historicamente construiu sua força por meio da unidade. E como estamos sem Convenção assinada, há escolas que já não estão aplicando nossos direitos, entre eles as bolsas de estudos, em total desrespeito a quem dedica uma vida à sala de aula”, afirma Valéria Morato.
Para a diretoria do Sinpro Minas, o tema ultrapassa os limites da categoria e deve ser debatido por toda a sociedade. “Esse é um debate que precisa envolver pais, mães, estudantes, responsáveis e toda a comunidade escolar. Porque não existe escola de qualidade sem profissionais valorizados, respeitados e com condições dignas de trabalho”, ressalta a presidenta.
Próximos passos
A mobilização segue com dois compromissos já marcados. Na segunda-feira (21/9), às 14h30, acontece no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) uma audiência de mediação para discutir o impasse, e os professores farão um ato em frente ao Tribunal, durante a audiência, para manifestar a insatisfação da categoria com a postura patronal. Na terça-feira (22/9), às 9h30, a categoria volta a se reunir em nova assembleia, para avaliar a continuidade da greve.
Atividades programadas:
Segunda-feira (21/9), às 14h30: Manifestação em frente ao TRT (Av. Getúlio Vargas, 225 – Funcionários, Belo Horizonte)
Terça-feira (21/9), às 9h30: Assembleia (Rua Diamantina, 463, Bairro Lagoinha, Belo Horizonte)
Entidade filiada ao





O Sinpro Minas mantém um plantão de diretores/funcionários para prestar esclarecimentos aos professores sobre os seus direitos, orientá-los e receber denúncias de más condições de trabalho e de descumprimento da legislação trabalhista ou de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)
O plantão funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
(31) 3115-3000
RUA JAIME GOMES, 198 – FLORESTA – BELO HORIZONTE/MG – CEP 31015-240
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