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Imunização e protocolos sanitários devem ser aliados no ensino presencial

13 de agosto de 2021

O retorno às aulas presenciais tem sido feito, mesmo que de forma híbrida, nas escolas em Minas Gerais. Depois da inclusão dos/as professores/as como prioridade para a vacinação, temos que reforçar que os protocolos precisam, da mesma forma, ser seguidos rigidamente por todos/as. Este retorno, ainda que parcial, demanda muita cautela e responsabilidade por parte de toda a comunidade escolar. Os índices de contaminação pela covid-19 haviam reduzido nas últimas semanas no Brasil, mas estes dias já mostram nova mudança e o risco iminente de uma nova onda é grande, em função da variante Delta,  presente em várias cidades do país.

Por isso, a orientação dos profissionais da saúde é de que todo mundo se vacine e da forma correta –  essencial que se tome, e no  prazo certo, as duas doses para todas as vacinas (exceto, claro, a de dose única). Os/as professores/as estão vacinados, mas nem todos/as tomaram a segunda dose. Enquanto não houver um prazo de 20 dias da segunda dose, o risco é grande ainda e, assim, todos os cuidados precisam ser  tomados. De acordo com o infectologista  Unaí Tupinambás, membro dos comitês de enfrentamento ao coronavírus da UFMG e da Prefeitura de Belo Horizonte, a efetividade das vacinas varia entre 88% e 100% contra morte e algumas infecções. “A vacina é, portanto, muito eficaz. Pode acontecer de uma pessoa vacinada ficar doente? Sim. Porém, com uma chance bem menor do que quem não tomou a vacina, e com sintomas bem menores também. É importante que tenhamos esta consciência de que a única forma que temos de sair deste atoleiro é a vacina. Ainda bem que a aceitabilidade no Brasil é grande, comparada com alguns países. A população já conhece nosso Programa Nacional de Imunização, público, criado há quase 50 anos, conhece a seriedade dos técnicos capacitados e reconhecidos internacionalmente. Todos já vimos os excelentes resultados de vacinação contra  outras doenças como, por exemplo,  poliomielite e sarampo. O Brasil já fez ótimas campanhas de imunização. Infelizmente, neste governo, houve redução por tentativa de destruição do nosso Sistema de Saúde. Mas a despeito da falta de gerência,  conseguimos – pesquisadores,  funcionários do SUS etc  –  fazer frente às mentiras sobre a vacinação”, afirma Unaí Tupinambás, que é também professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG.

Unaí Tupinambás

No Brasil, a vacinação tem sido bem aceita pela população, mas ainda é oferecida a passos lentos pelo governo. Em quase meados  de agosto, o país conta ainda com pouco menos de 24% de vacinados com a segunda dose e de 56% com a primeira. Um dado assustador, já que a imunização é a única forma de combatermos a propagação da covid-19. Segundo o infectologista, quanto mais gente vacinada, menos chance de surgirem novas variantes. “A cepa Delta, preocupante neste momento, ainda é uma incógnita para todos nós. Só  o tempo poderá nos dizer. Por isso, é fundamental continuar mantendo cuidados para impedir uma tragédia ainda maior”, ressalta o infectologista.

Dessa forma, é importante reforçar que a volta às aulas presenciais precisará contar com todos os/as trabalhadores/as da educação vacinados/as  com a segunda dose e que a escola e comunidade escolar deverão seguir rigidamente os protocolos. “Esta sempre foi a defesa do  Sinpro  Minas. Temos lutado  pela participação do sindicato na formulação dos protocolos, para assegurar seu cumprimento e garantir a segurança da categoria e da comunidade”, afirma a presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato.

Segundo orientações do infectologista Unaí Tupinambás, mesmo com a imunização, é importante manter medidas de afastamento, higienizar sempre as mãos e usar máscaras até o final do ano para tentar impedir a  circulação do vírus. “O ideal, para o ambiente da escola, é usar duas máscaras de pano com duas faces cada uma delas, cobrindo bem nariz e boca. E a troca desta máscara deve ser a cada duas horas, para professores/as, alunos/as e demais funcionários/as da escola”, diz, ao parabenizar coletivos, associações de bairros, sindicatos etc, que fazem campanha junto à população e levam informação e também doam máscaras, álcool em gel etc.

 O infectologista também acredita que as escolas e os/as professores/as deveriam  pensar no uso do microfone dentro da sala de aula. “Assim, o/a professor/a  pode falar  mais baixo, expelindo menos saliva. As salas precisam ser bem ventiladas, janelas abertas e se tiver ventiladores, usar na opção exaustor, pois quanto mais troca de ar no ambiente, menor a chance de contaminação. Os/as professores/as não devem fazer o lanche, do seu intervalo, na sala com outros/as colegas. Precisam buscar espaços abertos, ambientes externos. As escolas também precisam usar os ambientes mais abertos, como quadras, áreas externas para ser sala de aula, claro, preservando o conforto e a segurança”, afirma.

 A realidade no Brasil e no mundo ainda é alarmante. Em  nosso país, infelizmente, já  passamos de 560 mil mortes. O único caminho ainda é a vacinação e seguir os protocolos, como isolamento social. “Não é hora de relaxar. Evite ambientes fechados, aglomerações, mantenha sempre dois metros de distância de outra pessoa. Já basta o transporte coletivo, que é caótico. Precisamos manter estas medidas até o final do ano”, finaliza Unaí Tupinambás.

Foto: Brasil de Fato (reprodução)

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