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Mais de duas semanas: segue descaso nas regiões afetadas pelo crime ambiental

24 de novembro de 2015

Além de Bento Rodrigues, outras comunidades estão invadidas pela lama das barragens.

Por Joana Tavares, 24/11/2015

De Mariana (MG)

“Não vou largar o que tenho. A gente é pobre e lutou para conseguir” | Foto: Joana Tavares

Em Paracatu de Baixo, distrito de Mariana, quase todas as casas, a escola, bares, comércio, igreja, quadra estão cobertos ou soterrados pela lama, que chegou três horas depois do rompimento das barragens de rejeitos de Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues. Mais de duas semanas depois do terror, a comunidade parece um cenário de guerra: o que sobrou, agora é um deserto. Há alguns caminhões que retiram parte dos rejeitos e os levam não se sabe pra onde. Os poucos homens que trabalham são de empresas terceirizadas da Samarco, como a Integral, a mesma para a qual prestavam serviço a maior parte dos trabalhadores que estavam dentro das barragens no momento do rompimento.

Diretores da Samarco, da Vale ou BHP Billiton, mega empresas que controlam a mineradora, não estão em Paracatu de Baixo. O Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, a Assistência Social também não. Nenhum representante da prefeitura ou do estado acompanha o trabalho dos funcionários da Integral ou conversa com as poucas pessoas que permanecem na cidade fantasma.

“Aqui foi um lugar bom de viver. Tinha a igreja, que a gente vinha todo domingo. Deus protegeu que minha casa não foi atingida. Essa propriedade é minha e eu não vou embora e largar ela não. A gente é pobre, lutou muito pra conseguir”, diz seu Divino dos Passos, um dos poucos que permaneceu, apesar da falta de água, de luz e de informação.

A mulher e filhos foram para “hotéis” e pousadas na cidade de Mariana, assim como a maior parte dos atingidos de lá e de Bento Rodrigues. Outros foram ainda para casas de parentes na região.

O roteiro de Paracatu de Baixo se repete ao longo das dezenas de cidades e distritos diretamente afetados na região: falta de informação, falta de suporte, descaso, medo.

Lama segue contaminando tudo pela frente

A lama que destruiu o povoado de Bento Rodrigues e matou dezenas de pessoas (o número oficial por enquanto é 11, mas estima-se em muito mais), arrasou Paracatu de Baixo, inundou a praça de Barra Longa, chegou a dezenas de comunidades rurais e comunidades como Gesteira, Paracatu de Cima, Ponte do Gama, Pedras, Campinas e outras.

A lama deixou Governador Valadares, a 300 km, sem água por mais de uma semana. Atingiu Colatina, no Espírito Santo. E segue em direção ao mar, onde vai impactar muito.

Eduardo Barcelos, professor da Escola Politécnica Joaquim Venâncio/Fio- cruz e engenheiro ambiental formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), destaca que a lama, além de seus componentes tóxicos, arrastou tudo pela frente. “Esse material é uma mistura de água com lama do processamento do ferro. Essa lama contém outros metais, de componentes tóxicos e cancerígenos. Esses metais no corpo humano, no solo, nas águas, nos animais, pode gerar consequências graves. A reação do metal no metabolismo não é imediata, mas de médio e longo prazo”, destaca.

Fonte: Brasil de Fato 

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