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Mobilizados, professoresrejeitam proposta patronal

24 de abril de 2013

Os professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região deram nesta quarta-feira (24/4) uma clara demonstração de que vão repetir a força e mobilização dos anos anteriores.

Em assembleia, na Associação Médica de Minas Gerais, a categoria rejeitou por unanimidade a última contraproposta patronal, apresentada em reunião de negociação nessa terça-feira (23/4), que não concede ganho real – apenas 7,22%, igual ao índice acumulado da inflação (INPC).

Os professores voltaram a afirmar a pauta de reivindicação da categoria e aprovaram uma nova assembleia, a ser realizada no Dia do Trabalhador, 1º de maio (quarta-feira), às 10 horas, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

“Fazer uma assembleia neste dia é fundamental para resgatarmos a importância dessa data histórica para os trabalhadores. É algo simbólico também. Ao ocuparmos um espaço público, daremos uma aula de cidadania, levando para a sociedade a importância da valorização dos professores, sem a qual não há educação de qualidade”, afirmou Aerton Silva, diretor do Sinpro Minas.  

  • Clique aqui e confira imagens da mobilização da categoria em anos anteriores.

Também foi aprovada uma manifestação na porta do Sinep/MG (Rua Araguari, 644, Barro Preto – BH), na terça-feira (30/4), às 14 horas, horário do início de mais uma rodada de negociação com o patronal.

A categoria reivindica, entre outros pontos, reajuste salarial de 13,42% (que corresponde ao INPC acumulado, mais variação do PIB de 2,7% e ganho real de 3%), equiparação dos pisos da educação infantil e manutenção das conquistas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“Foi uma assembleia bastante representativa, com professores de todos os níveis de ensino e de grandes escolas da capital. Acumulamos forças para caminhar, se necessário, para uma greve por tempo indeterminado, caso não haja mudança na postura patronal. Exigimos respeito e dignidade”, ressaltou o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, que citou dados da economia para demonstrar que o cenário é favorável e permite avanços.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Fazenda divulgou o relatório “Economia Brasileira em Perspectiva”, no qual aponta um quadro macroeconômico positivo.

“A economia brasileira começou 2013 com ritmo de crescimento mais intenso, dando prosseguimento à trajetória de aceleração verificada a partir do segundo semestre de 2012. Apesar das dificuldades que persistem na economia internacional, a economia brasileira continua crescendo gradualmente”, diz o relatório. “Os primeiros indicadores de 2013 apontam para a continuidade do processo de retomada do crescimento econômico, com perspectiva de intensificação ao longo do ano”, acrescenta o documento.

  • Clique aqui e leia: Trabalhadores tiveram ganho real em 95% das negociações salariais

  • Clique aqui e leia: Desemprego tem a menor taxa para março em 12 anos, diz IBGE

O Brasil também registra o menor índice de desemprego nos últimos dez anos. Em fevereiro, foram criados 123 mil postos de trabalho e, no ano passado, 1,3 milhão de vagas. Além disso, o nível de atividade econômica iniciou este ano em alta de 1,29% (dados de janeiro, em comparação a dezembro), conforme divulgou o Banco Central.

O presidente do Sinpro Minas também falou da expansão do setor privado de ensino, com processos de fusões e aquisições, num mercado que movimenta bilhões de reais. “Há escolas que não têm mais onde colocar alunos, e as mensalidades cresceram nos últimos anos em índices bem acima da inflação”, afirmou. 

  • Clique aqui e leia: Mensalidades têm reajuste de até 11,42% nos colégios particulares

  • Clique aqui e leia: Kroton e Anhanguera se unem e criam ‘monstro’ educacional mundial 

 “Vivemos o melhor momento para avançarmos e não podemos reduzir nossas reivindicações às questões salariais. Estamos aqui por melhores condições de trabalho, por dignidade e por uma educação de qualidade. Por isso é fundamental ampliarmos nossa mobilização e envolver a sociedade para transformarmos esse momento favorável em conquistas”, destacou Gilson Reis.    “Nossa força é nossa mobilização. Com essa paralisação o patronal já recuou um pouco. Eles sabem da nossa força”, disse a diretora Valéria Peres Morato. A diretora Celina Arêas falou do apoio que a campanha dos professores tem recebido da sociedade. “A solidariedade que estamos recebendo dos pais e alunos reafirma a necessidade de levarmos à frente essa campanha”, afirmou Celina Arêas. 

  • Clique aqui e leia: Professores recebem apoio de pais de alunos em evento da campanha salarial

O diretor Marco Eliel de Carvalho denunciou a tentativa do patronal de desmobilizar a categoria, com a divulgação, nas escolas, de que não haveria retirada de direitos. No entanto, em mesa de negociação, isso chegou a ser apresentado, como já noticiado pelo Sinpro Minas. “Não vamos aceitar que os donos de escolas joguem os professores contra o sindicato”, criticou Gilson Reis. 

Na assembleia, professores reclamaram da sobrecarga de trabalho e também denunciaram a pressão da direção das escolas para a categoria não aderir ao movimento. Um professor chegou a se emocionar, ao relatar a pressão sofrida na escola em que leciona.

A diretoria do Sinpro Minas fez um balanço positivo da paralisação, que foi significativa neste momento da campanha. Professores de diversas escolas aderiram ao movimento, como os do Colégio Loyola, Escola da Serra, Izabela Hendrix, São José Operário, Espaço Escola, entre outras instituições de ensino. 

Calendário 2014 – Copa do MundoO calendário de 2014 também tem sido discutido nas negociações com os donos de escolas. A intenção do patronal é antecipar o início das aulas para meados de janeiro, proposta já rejeitada pela categoria. 

Na assembleia, a diretoria esclareceu que entregou ao patronal uma proposta de calendário que contempla os 200 dias letivos definidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), além das férias em janeiro, recesso em julho e feriado apenas nos dias de jogos do Brasil.

“Reafirmamos que não aceitaremos alteração das férias de janeiro. Entregamos um calendário para o patronal, com recesso só nos dias de jogos, e eles não se deram ao trabalho de discutir. Não há justificativa para emperrar as negociações por causa do calendário da Copa”, afirmou Gilson Reis.

Manifestação em frente ao Sinep/MG30 de abril – terça-feira / 14 horasRua Araguari, 644, Barro Preto – BH—————

Assembleia de professores1º de maio – Dia do Trabalhador / 10 horasPátio da Assembleia Legislativa de Minas GeraisRua Rodrigues Caldas, 30, bairro Santo Agostinho – BH

 

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