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Mulheres ocupam Vale/Samarco e denunciam falta de assistência às vítimas

9 de março de 2016

Passados quatro meses do maior crime ambiental da história do país, a maior parte das famílias atingidas ainda segue sem qualquer tipo de assistência. 1500 mulheres Sem Terra da região sudeste, ocuparam as dependências da mineradora Samarco/Vale, nos arredores da Barragem de Germano (Fundão), na manhã desta terça-feira (8), travando as estradas, os trilhos e toda extração do Complexo de Mariana. A ação, organizada em conjunto com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração, integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas.

Mariana não foi acidente

Passados quatro meses do maior crime ambiental da história do país, a maior parte das famílias atingidas ainda segue sem qualquer tipo de assistência. As cidades abastecidas pela água do Rio Doce continuam sofrendo com a contaminação por metais pesados. Cidades como Governador Valadares, Colatina e Linhares, no Espírito Santo, consomem água comprovadamente contaminada por Arsênio, Chumbo, Mercúrio, Manganês e Cromo. O Arsênio é utilizado principalmente na extração de ouro, ou seja, é um indício de que poderia haver extração ilegal nestas minas.

As mulheres são as principais afetadas pela mineração

O trabalho doméstico ainda é visto pela sociedade como função das mulheres que, consequentemente, são as que sofrem com a sobrecarga de trabalho quando há falta de água ou quando existe aumento da poluição causada pela exploração minerária. São elas que convivem dia e noite com a chegada de milhares de trabalhadores nas comunidades, homens multiplicadores da violência e da prostituição, do assédio, do estupro e até da exploração infantil. São elas que cuidam dos familiares adoecidos, com asma, bronquite, silicose, ulcerações nasais e câncer, entre outras doenças causadas pela mineração. A mineração é o setor que mais têm causado mortes, mutilações e adoecimento mental naa trabalhadoras e trabalhadores.

Além disso, a mineração subordina outros setores da economia nas cidades exploradas, gerando o desemprego principalmente entre as mulheres e, consequentemente, a queda da renda familiar. Minas Gerais, por exemplo, é o segundo estado mais minerado do Brasil e tem apenas 7% do PIB vinculado a esta atividade. Um percentual mínimo, se considerarmos os impactos sociais e ambientais gerados.

Nossas Propostas

Neste 8 de março as mulheres em luta, organizadas nos movimentos sociais propõem um projeto popular de mineração. O que significa implantar um modelo não predatório, regulado pela necessidade social, com a participação das comunidades, maiores e mais eficazes instrumentos de fiscalização e prevenção de desastres. A legislação deve ser mais rigorosa, prevendo a demarcação de áreas livres. Atualmente, nenhuma lei resguarda reservas ambientais já constituídas, áreas de quilombolas, assentamentos, reservas indígenas, etc. Mesmo com solo preservado, todos estes territórios estão sujeitos à extração, isto porque o estado justifica a exploração do subsolo afirmando que se trata de interesse da união. Ironicamente, desde a privatização da Vale do Rio Doce, o Brasil não possui nenhuma empresa estatal no setor, que só favorece interesses privados, do capital internacional.

Fonte: Portal ViOMundo

 

 

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