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Municípios mais pobres têm apenas 50% da população imunizada contra a covid-19

5 de janeiro de 2022

Apenas 15% das cidades alcançaram o “cenário de segurança”, com mais de 80% da população tendo recebido duas doses

Passados mais de 11 meses do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, os resultados positivos são evidentes. A média móvel diária de mortes, que chegou a ultrapassar a casa dos 3 mil em abril, caiu para menos de 200 nas últimas semanas. O que revela, portanto, a eficácia da vacinação.

Contudo, as desigualdades sociais do país têm resultado também num desequilíbrio na cobertura vacinal. De um lado, municípios mais ricos, com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), principalmente nas regiões Sul e Sudeste, já atingiram cerca de 70% de suas populações imunizadas com duas doses ou dose única.

Por outro lado, nos municípios com baixo IDH, concentrados nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste, esse índice alcançou apenas a metade da população. O levantamento feito por pesquisadores do painel MonitoraCovid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com dados divulgados em dezembro do ano passado.

Esses desequilíbrios se repetem tanto na primeira dose, assim como com a dose de reforço. Nas cidades mais desenvolvidas, oito em cada dez habitantes receberam pelo menos uma dose. Enquanto que nos municípios mais pobres, apenas seis em cada dez receberam a primeira dose.

Em relação à terceira dose, as desigualdades registradas são ainda maiores: 10% para o primeiro grupo, contra apenas 2,5%, no segundo. Esses números preocupam, especialmente em função do avanço da variante ômicron pelo mundo. Estudos indicam que a nova cepa teria grande capacidade de infectar aqueles que foram vacinados com duas doses ou dose única.

Efeitos

O IDH é um indicador utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que considera renda per capita, escolaridade e expectativa de vida como os principais fatores para medir o desenvolvimento de países, regiões e cidades. O índice passou a ser largamente utilizado como contraponto, ou complemento, à medição do Produto Interno Bruto (PIB), que é estritamente ligado à atividade econômica.

“Enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam elevado percentual da população imunizada, áreas da região Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda apresentam bolsões com baixa imunização para Covid-19”, aponta o documento da Fiocruz.

Os pesquisadores classificam como “cenário de segurança” quando pelo menos 80% da população recebeu o esquema vacinal completo. Nesse sentido, apenas 15% dos municípios brasileiros estariam enquadrados nessa situação.

As dificuldades para fazer avançar a vacinação no conjunto de municípios mais pobres do Brasil apontam para “desigualdades estruturais”, segundo o estudo, inclusive dos sistemas de saúde locais.

Além da desproteção conferida aos habitantes do municípios mais pobres, as falhas no processo de vacinação são preocupantes em áreas de fronteiras. São territórios mais vulneráveis à entrada de novas variantes, podendo contribuir para o espalhamento destas para todo o país.

Estagnação e vacinação infantil

Além destas desigualdades, outra pesquisa da Fiocruz indica que a vacinação contra a covid-19 no Brasil estaria se aproximando da estagnação. Isso porque, desde setembro, o ritmo de vacinação para a primeira dose vem caindo. Nos meses seguintes, a redução foi ainda maior, chegando próximo a zero. Esses dados sugerem que a vacinação já está próxima do seu limite, apesar de ainda 74,95% da população do país estar imunizada com a primeira dose.

De acordo com os pesquisadores, não se trata da recusa em se vacinar por parte dessa quarta parte restante. Mas da dificuldade de encontrar esse grupo de pessoas que vive em áreas remotas, de mais difícil acesso e com sistemas de saúde menos estruturados.

“É razoável supor que a estagnação está mais relacionada à dificuldade de acesso do que à recusa em receber o imunizante”, disse o pesquisador da Fiocruz Raphael Guimarães, um dos autores do estudo.

Para ampliar a cobertura vacinal, além de novas estratégias para buscar os ainda não vacinados em áreas remotas, os pesquisadores destacam a importância de dar início à vacinação de crianças de cinco a 11 anos no Brasil. Em relação à vacinação infantil, os cientistas da Fiocruz destacam que há imunizantes com comprovada eficácia para este grupo. Além de estudos de segurança que garantem aplicação para esta faixa etária.

Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina da Pfizer para os pequenos. Contudo, o governo Bolsonaro tem colocado entraves para a compra desses imunizantes, retardando o início da aplicação. O próprio presidente tem estimulado ataques contra servidores da agência que participaram do processo de liberação desse imunizante para as crianças.

 
Fonte: Rede Brasil Atual  | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

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