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Nota de indignação: vereador diz que professores não trabalham há mais de um ano

24 de fevereiro de 2021

“Os professores são uma classe que não está trabalhando há mais de um ano”. Essa foi a fala do vereador Ricardo da Zélia (PSDB), em plenário da câmara municipal de Poços de Caldas, na última segunda-feira, 23/02.

Diante da posição do vereador, o Sinpro Minas manifesta indignação com uma afirmação totalmente distorcida da realidade vivida pela categoria docente.

Professores e professoras já lutam historicamente por terem valorizado um trabalho que vai além da sala de aula. Mas em tempos de pandemia, a dedicação extraclasse e os desafios colocados para esses/as trabalhadores/as só se agravam.

Desde o ínicio da crise sanitária, professores/as tiveram que adaptar as salas de aulas em suas casas. Além do trabalho central de ensinar, houve uma corrida contra o tempo para atender a  pressão das escolas e dominar os meios tecnológicos: gravar aula, editar, fazer live, atender alunos/as e familiares fora do horário de trabalho. Muitas vezes, um trabalho solitário, sem a devida estrutura que deveria ser disponibilizada pelas escolas. Tudo isso em meio a uma conjuntura nada acolhedora: medo do contágio, insegurança com relação à manutenção do emprego, acúmulo de aulas devido aos baixos salários. Ainda destacamos as duplas, triplas jornadas das professoras, mulheres e mães que, em uma sociedade que escancara a desigualdade de gênero, sofrem ainda mais com o trabalho docente em um ambiente doméstico.

De acordo com pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), divulgada no útimo ano, 89% dos professores não contavam com nenhuma experiência em educação à distância, antes da pandemia do novo coronavírus. A pesquisa também revela que a percepção de 82% dos docentes é de que houve um aumento das horas de trabalho. O estado emocional dos professores também está sendo colocado à prova: 69% declararam ter medo e insegurança por não saber como será o retorno à normalidade e 50% declaram ter medo em relação ao futuro.

Diante de uma realidade tão desafiadora, provada por dados e fatos, é inadmissível que um parlamentar utilize um espaço de poder para invisibilizar e atacar a categoria docente. Fica explícito o despreparo do vereador com relação à luta por uma educação de qualidade, já que sua posição desconsidera um contexto social, político, econômico e sanitário que afeta diretamente todos/as os trabalhadores/as em Educação e toda comunidade escolar.

O Sinpro Minas reafirma a defesa da valorização docente, em uma conjuntura cada  mais desafiadora.

Reconhecemos o esforço de todos/as os/as professores/as, mesmo diante de tantas dificuldades e seguimos na luta para que a categoria seja incluída como grupo prioritário na vacinação contra o Covid-19, pela defesa da vida e em respeito a um trabalho essencial em nossa sociedade.

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