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Opinião: Mais que censura, proibição de livros é ataque aos professores

5 de julho de 2024

Não há dúvidas de que presenciamos, nos últimos anos, uma “caça às bruxas” dentro das escolas. O caso da vez é a censura – agora suspensa pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) – ao livro “O Menino Marrom”, de Ziraldo, promovida pela Secretaria de Educação de Conselheiro Lafaiete.

Outros livros utilizados nas salas de aula também foram alvos recentes de boicotes, como “O Avesso da Pele”, de Jefferson Tenório, vencedor do prêmio Jabuti em 2021; “Beirage”, de George Furlan; e até “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, para citar apenas alguns exemplos.

É importante lembrar que os livros escolhidos pelas escolas da rede pública são previamente inscritos no Plano Nacional de Livros e Materiais Didáticos. Ou seja, as obras são aprovadas em avaliações coordenadas pelo Ministério da Educação com a participação de especialistas em diferentes áreas do conhecimento.

Usar o termo “caça às bruxas” não é excesso. Mais do que a censura – que por si só já é condenável e restringe a liberdade de expressão e de pensamento, além do acesso à diversidade cultural –, a proibição de determinados obras em sala de aula é uma grave interferência na liberdade de cátedra e no fazer docente.

A patrulha ideológica estimulada nos últimos anos pela família Bolsonaro e pelo movimento Escola Sem Partido, agora representado pela Frente parlamentar contra a doutrinação no ensino, gerou uma perseguição aos professores e um clima de vigilância nas escolas que perdura até hoje. O resultado, além de professores doentes e esgotados, é a restrição a temas necessários de serem debatidos, como racismo, preconceito, educação sexual e até mesmo a história. São assuntos que, ao serem tratados dentro da sala de aula, são percebidos como “doutrinação ideológica”.

É preciso reafirmar a autonomia do professor e recuperar a liberdade de ensinar, garantida na Constituição Federal de 1988. Em uma sociedade que flerta com o fascismo, restringir o fazer docente é minar o pensamento crítico e fragilizar a democracia.

Valéria Peres Morato   – Pedagoga e presidenta do Sinpro Minas

COMENTÁRIO

Uma resposta

  1. Bastante oportuno o texto apresentado por Valeria Morato.
    O fascino mostra suas garras nos diversos campos da vida social. E é na educação, na família e na religião que ele encontra caminhos férteis para se enraizar. Temos que ficar atentos e cortar o mal pela raiz.

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