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Pais e alunos declaram apoio à greve da categoria

28 de março de 2011

O Sinpro Minas tem recebido diversas manifestações de pais e alunos em apoio à greve da categoria, iniciada em 22 de março. Por meio do portal do sindicato ou pelo email, várias mensagens foram enviadas.“Sou estudante e apoio completamente a paralisação dos professores. A classe tem de estar unida e lutar pelos seus direitos”, afirmou Rafael, em mensagem postada no portal do Sinpro Minas. “Parabéns aos que têm coragem para aderir ao movimento. Meus filhos precisam de professores com vocês”, disse Fernanda, mãe de aluno.“Professores, continuem resistindo, pois, como disse um professor na assembleia, essa é a melhor aula que tem sido dada por vocês, a de cidadania. Parabéns a todos e contem com nosso apoio”, declarou Renata, aluna do ensino médio do Marista Dom Silvério. O apoio mais explícito veio nesse domingo (27/3). Estudantes do 3o ano do ensino médio do Marista enviaram uma carta à diretoria da escola, na qual cobram do diretor Paulo de Tarso Motta a valorização dos docentes.“Reafirmamos nosso comprometimento com o futuro da sociedade brasileira e acreditamos que a transformação pode começar desde já, com o atendimento dos anseios da classe dos professores. Valorizá-los é acreditar que nosso país pode dar certo”, afirmam os alunos.Leia abaixo a carta na íntegra:

Carta aberta dos alunos do Colégio Marista Dom Silvério destinada ao diretor, senhor Paulo de Tarso Motta Ferreira, e aos demais membros da diretoria.Belo Horizonte, 27 de março de 2011.Prezado senhor diretor,Nós, alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Marista Dom Silvério, explicitamos nossa preocupação com a conjuntura criada pela greve dos professores reunidos em seu sindicato, o Sinpro-MG, bem como expressamos nossa visão sobre a postura adotada pela instituição nessa semana de negociações em torno do fim do movimento.Escrevemos com o intuito de cooperar para uma solução que atende a ambas as partes, tanto aos professores como ao colégio. Entendemos que o pilar de toda instituição educacional é formada não só pelos professores, administração e demais funcionários, mas também, principalmente, pelos seus alunos, que estão no centro da situação gerada pelo movimento grevista. Nós, alunos, cientes da importância no contexto institucional e da formação de uma geração de jovens mais ativos e comprometidos com um futuro melhor, estamos decidimos em expressar nossas opiniões acerca da greve, procurando sempre ajudar na busca por uma solução.Em primeiro lugar, entendemos que a atitude tomada pelos professores que votaram a favor da greve é absolutamente compreensível. O ato de fazer greve é um direito dos trabalhadores da categoria, assegurado e legitimado pelo artigo n°9, no capítulo II da Constituição Federal de 1988. É um recurso utilizado em última instância, sendo que o movimento grevista na história da humanidade contribuiu de forma significativa para a conquista de muitos direitos trabalhistas e no desenvolvimento socioeconômico das sociedades. Compreendemos, portanto, que a greve é um instrumento de suma importância como medida extrema na formação de um país economicamente desenvolvido e socialmente justo, que é o anseio da sociedade brasileira quanto à nossa nação.É de nosso interesse destacar também, por meio dessa, a importância do professor para a sociedade. A profissão dá base para todos os outros segmentos profissionais, e o exercício de seu ofício permite a expansão do conhecimento humano, que é utilizado como instrumento de progresso e desenvolvimento. Além disso, enfatizamos a importância social do professor, que atua como formador de cidadãos. Essa função é fundamental para a real existência de um estado democrático de direito, como o Brasil, e já era enunciada por Platão, em sua obra A República. O caráter social do educador é, então, fundamental para nossa sociedade. É justamente por isso que nós, alunos e futura geração de brasileiros, clamamos por uma melhor remuneração da categoria. Sabemos que a valorização do professor é garantia de um futuro melhor para nosso país e nosso potencial de desenvolvimento só será concretizado por meio de uma educação de qualidade.É nosso dever, portanto, como pessoas comprometidas com o futuro do país, zelar pela valorização de nossos mestres e cobrar das instituições educacionais, como o Colégio Marista Dom Silvério, medidas que atendam aos anseios da classe dos educadores, como os solicitados pelas pautas das reuniões do Sinpro-MG e como foi proposto, recentemente, pela Superintendência Regional do Trabalho, durante as negociações entre ambas as partes. Acreditamos também que a pressão que vem sendo exercida pela diretoria do colégio e pelos membros da UBEE para que os profissionais voltem a seus postos de trabalho deve ser direcionada aos institutos educacionais que formam o sindicado patronal, o Sinep-MG, para que um acordo digno seja confeccionado por meio da articulação em conjunto com os membros do Sinpro-MG.Nós, como alunos do Marista Dom Silvério, informamos que é de nosso conhecimento a contratação de professores substitutos para a greve. Sabe-se, também, da restrição jurídica de tal prática, delineada na lei de número 7.789/1989, no parágrafo único do artigo n° 7, bem como nas exceções dos artigos 9° a 14. Como foi informado pelo Sinpro-MG, a Superintendência Regional do Trabalho está ciente e se prontificou a fiscalizar o Marista Dom Silvério sobre tal prática. Gostaríamos de, por meio dessa carta aberta, solicitar ao senhor diretor e aos demais membros da diretoria maior transparência nas decisões do colégio, bem como à prestação de esclarecimentos sobre o tema. É importante que haja uma comunicação clara entre todos os componentes do colégio, para que haja sintonia entre todas.Essa carta, senhor diretor, é também um questionamento à postura adotada pela instituição no contexto do movimento grevista deflagrado na última semana. É sabido que o Colégio Marista Dom Silvério, instituição de ensino privada, com mais de 60 anos de atuação na capital mineira, possui hoje uma das mensalidades mais fartas da cidade. Paradoxalmente, as negociações por melhor remuneração para os professores não evoluem e a relação para com eles se desgasta a cada dia mais, chegando ao ponto de alguns professores simplesmente deixarem o colégio, como ocorreu na passagem do ano passado para este. Há de se destacar também as condições do ambiente escolar, como o mau estado dos computadores e projetores das salas de aula e medidas de contenção de despesas, como a desativação da banda marcial marista, uma das únicas remanescentes da cidade. A pergunta que não nos cala, senhor diretor, é onde o dinheiro das mensalidades foi aplicado, para que haja tanta contenção de gastos como está acontecendo desde o ano passado para o que estamos. Por que um dos colégios com uma das mensalidades mais altas de Belo Horizonte se deteriora a cada dia mais? Será esse o caminho para a projeção do Marista como escola de ponta?Para finalizar, senhor diretor, nos resta apenas fazer um apelo para que nossas reivindicações sejam atendidas e para que haja plena valorização de nossos mestres tão importantes em nossa educação. É por meio deles que a real transformação do Brasil acontecerá e nosso potencial de crescimento será traduzido em benefícios para a população, com uma sociedade rica e socialmente mais justa. Reafirmamos nosso comprometimento com o futuro da sociedade brasileira e acreditamos que a transformação pode começar desde já, com o atendimento dos anseios da classe dos professores. Valorizá-los é acreditar que nosso país pode dar certo. Agradecemos também a atenção do senhor e aguardamos, inquietos, um retorno o mais breve possível. Atenciosamente,

Alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Marista Dom Silvério

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