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Pandemia desmascara modelos de negócio da educação privada

6 de agosto de 2020

“Há escolas que estão mostrando que são só atividades de negócios, nada a ver com educação. É a mercantilização do ensino”, aponta dirigente da Federação dos Professores de São Paulo (Fepesp)

Carreatas de escolas particulares por volta às aulas e demissões em massa nas universidades privadas. Essas ações, em meio à pandemia do novo coronavírus, mostram que parte das instituições de ensino não tem compromisso com a educação, apenas com seu próprio modelo de negócio. A avaliação é do presidente da Federação dos Professores de São Paulo (Fepesp), Celso Napolitano.

“Nessa pandemia, algumas questões estão aflorando. Há escolas que estão mostrando que são só atividades de negócios, nada a ver com educação. É a mercantilização do ensino”, afirmou Celso, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Na sexta-feira (31), um grupo de 70 donos de escolas infantis e creches particulares de São Paulo e do ABC paulista fizeram uma manifestação reivindicando o retorno às aulas.

Volta às aulas

A volta às aulas presenciais na educação básica da cidade de São Paulo, proposta pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), está em debate na Câmara Municipal. A ideia da prefeitura é retomar as atividades em setembro.

Professores, no entanto, são contrários à medida prevista no Projeto de Lei (PL) 452/20. De acordo com Celso Napolitano, a prefeitura e o governo estadual programam a volta sem ouvir profissionais da educação. “É preciso levar em conta a saúde das famílias e dos educadores. Todas as pessoas têm importância no sistema da escola, desde o porteiro até o perueiro. As pesquisas mostram que há uma insegurança total”, alertou.

No dia 21 de julho, a Fepesp entrou com representação no Ministério Público do Trabalho (MPT) para pedir intermediação na convocação das representações patronais na educação básica e no ensino superior (Sieeesp e Semesp, respectivamente) com o objetivo de se elaborar um protocolo de retorno às aulas presenciais, respeitando às condições de trabalho das categorias dos professores e auxiliares de administração escolar.

Demissões em massa

Durante a entrevista, o presidente da federação lembra que as instituições de ensino superior privado realizaram centenas de demissões. Um dos casos ocorreu na Universidade Nove de Julho, a Uninove, que dispensou seus professores por meio de uma plataforma on-line.

“Estão demonstrando que a única coisa que interessa é o negócio, principalmente a educação a distância. Nós notamos que estão tratando como uma empresa qualquer, sem se preocupar com os alunos. A Uninove demitiu 680 docentes, por exemplo. Não tem como trabalhar o segundo semestre assim, ou seja, a faculdade vai colocar mais alunos em salas virtuais”, relata Celso.

Pesquisa do Instituto Península, realizada em maio deste ano, mostra que 83% dos professores brasileiros, em média, ainda se sentiam nada ou pouco preparados para o ensino remoto, durante o isolamento social.

O levantamento mostra que 88% dos docentes entrevistados nunca tinham dado aula de forma virtual antes da pandemia. Mesmo com esse cenário inédito, a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) também demitiu seus profissionais.

“A Universidade Cruzeiro do Sul declarou, numa audiência na Justiça do Trabalho, que os professores foram substituídos porque não se adaptaram à atividade remota. Imagina ter docentes com 20 anos de sala, mas obrigados a se adaptaram em três meses. Na verdade, isso é uma substituição de salários altos por salários baixos”, acrescentou Celso Napolitano.

Fonte: Rede Brasil Atual I Foto: Agência Brasil 

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