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Professores da Unifemm permanecem em greve

15 de julho de 2026

Em greve, professores e professoras da Unifemm, em Sete Lagoas, divulgaram uma carta aberta à comunidade, denunciando a grave situação enfrentada pela categoria. Conforme destaca o documento, os docentes acumulam mais de 13 salários em atraso, além da falta de pagamento de férias, 13º salário e depósitos de FGTS e INSS.

Confira abaixo.

 

CARTA ABERTA À COMUNIDADE SETELAGOANA

Às nossas alunas, aos nossos alunos, seus familiares e a toda a população de Sete Lagoas

Para nós, ser professor é mais do que uma profissão: é um compromisso, uma entrega. Sustentamos a certeza de que nossa prática fundamenta todas as demais. Somos nós quem pavimentamos os caminhos que a sociedade percorre e, com orgulho, carregamos essa responsabilidade.

Não escolhemos a docência por status ou por uma remuneração invejável, isso nunca foi segredo para ninguém. Escolhemos porque acreditamos no poder transformador da educação e porque temos o privilégio de poder levá-la ao maior número possível de pessoas.

Nossa trajetória no Colégio Unifemm sempre foi guiada por essa crença. Somos professores de diferentes eixos temáticos e ciclos que, há longos meses, dedicamos diariamente o nosso melhor: compartilhamos nosso capital intelectual, debruçamo-nos sobre as necessidades de cada aluno e entregamos o que temos de mais precioso: o nosso tempo e o nosso saber, tudo isso sem o pagamento devido dos nossos salários.

Hoje, acumulamos mais de 13 salários atrasados (de janeiro de 2025 a junho de 2026), dos quais foram pagos, parceladamente e em pequenas porcentagens, apenas os meses de junho a novembro, sem contar os depósitos do FGTS e do INSS (este último descontado em folha e nunca recolhido), além das férias e do 13º salário, totalmente inadimplentes.

Muitos de nós estão endividados, emocionalmente esgotados, recorrendo a empréstimos com juros abusivos para garantir o básico da subsistência. Ainda estamos recebendo, parceladamente, o salário referente a novembro de 2025, e apenas 50% dele. Do trabalho de 2026, até agora, a grande maioria de nós nada recebeu.

Por isso, há uma pergunta que não quer calar: quem trabalharia nesses termos? Nós acreditamos que ninguém.

No início do ano, ainda com esperança, chamamos nossa diretora para tratar da situação e manifestamos o interesse em realizar uma paralisação. Ela nos prometeu apoio e pediu alguns dias para resolver. Passaram-se os dias, cobramos, ela pediu mais prazo. E assim fomos conduzidos até julho, sem uma resposta concreta.

Pior: a mesma diretora que disse compreender nossa luta e estar ao nosso lado agora propaga uma imagem distorcida do nosso movimento. Mentiu sobre o horário do comunicado da greve, pressionou alunos a retirarem seu apoio e exigiu que apagassem publicações em nossa defesa. Nunca buscou o diálogo com sua própria equipe e sequer respondeu aos e-mails referentes à greve.

Hoje, 14 de julho, uma semana após sermos oficialmente informados sobre a paralisação, a instituição ainda permanece inerte diante da angústia de alunos, responsáveis e professores. Passiva, vê os alunos, movidos pela falta de respostas, pedirem transferência do colégio, e não toma nenhuma atitude.

E, como se já não bastasse todo esse descaso, a nova gestão, apoiada pela pró-reitora interina, achou apropriado afirmar categoricamente que não havia proposta alguma para os professores e que precisava de mais tempo para encontrar alguma saída. Teve, ainda, a coragem de verbalizar que esperava que voltássemos por amor, que colocássemos o nosso coração na frente da nossa decisão.

Amor nunca nos faltou ao exercer a nossa função. O que falta, há muito tempo, é pagamento e valorização de uma classe que já é tão desrespeitada.

Ao reclamarmos e nos posicionarmos contra esse desrespeito, fomos tratados como adversários da instituição. E isso nos assusta profundamente. Se criticar o descumprimento dos nossos direitos é interpretado como lutar contra a Unifemm, é porque a gestão naturalizou o desrespeito ao trabalhador e o incorporou à sua própria cultura.

Fica claro que não houve, até agora, uma palavra de alento ou sequer um pronunciamento de esperança. Simplesmente assistem a tudo com apatia, como se isso fosse mais que esperado.

E repetimos: a quem esse silêncio beneficia? Por que a Unifemm insiste em não agir com a celeridade que a situação exige? Os alunos seguirão, de fato, desassistidos?

O que mais queremos é retomar, com dignidade, a nossa rotina. Voltar para a sala de aula, o lugar que escolhemos e amamos.

Esta foi, sem dúvida, a decisão mais difícil que já tomamos como professores. Mas o amor que temos pelos nossos alunos não pode continuar servindo como moeda de troca para o atropelo dos nossos direitos.

Merecemos respeito. Merecemos reconhecimento. E isso começa com o pagamento correto dos nossos salários e com o cuidado mínimo com a nossa reputação e com a nossa história.

Que a comunidade setelagoana nos ouça. Que veja em nossa luta não um ataque, mas um grito por justiça, por todos que acreditam que a educação se constrói com valorização, e não com silêncio e abandono.

Com respeito e esperança,

Professoras e professores do Colégio Unifemm

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