Milhares de pessoas saíram às ruas nesta quarta-feira (15) para protestar contra o Projeto de Lei (PL) 4.330 que libera as terceirizações no país. Os protestos ocorreram em diversas capitais e foram convocados por movimentos sociais e centrais sindicais. Entre eles, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Intersindical, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Avenidas e rodovias foram bloqueadas pelas mobilizações e categorias declararam greve.
Enquanto isso, na Câmara dos Deputados – que já aprovou o texto principal do PL na semana passada – o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), retomou a sessão do plenário e anunciou um acordo de procedimentos para transferir a votação dos destaques (emendas ao texto-base) para a próxima quarta-feira (22). Ele anunciou que o acordo prevê o compromisso de vários partidos (PT, bloco PMDB, PSDB, bloco PRB, PR, SD, DEM, PDT, PPS e PV) de votarem contra qualquer requerimento de retirada de pauta e sem obstrução de qualquer outra matéria que possa trancar a pauta nesse intervalo.
Na capital paulista, cerca de 40 mil pessoas, segundo os organizadores, participaram do protesto que teve focos dois focos de concentração: um que começou às 15h em frente a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, e outro no Largo da Batata, na zona oeste, marcado para as 17h e que depois seguiu para a Avenida Paulista, onde o ato se encerrou. A estimativa da Polícia Militar (PM), divulgado às 19h, dava conta de 2,5 mil pessoas no Largo da Batata.
Cunha foi um dos principais alvos dos manifestantes. Um boneco do parlamentar foi queimado em frente à Fiesp. Ele é defensor do PL 4.330. Gilmar Mauro, da direção do MST, afirmou o protesto marcava o início da luta contra a terceirização. “O Cunha está se achando o gás da Coca-Cola, mas é preciso saber que o povo vai para a rua e não quer retrocesso”, declarou.
Liciane Andreoli, do Movimento Atingidos por Barragens (MAB), chamou atenção para o impacto das terceirizações no setor elétrico. “Com a intensificação da privatização na área, temos estudos que, desde 2011, tem morrido dois trabalhadores por dia por conta disso”, informou.
Além da crítica às terceirizações, os movimentos são contrários ao ajuste fiscal e pedem a taxação de grandes fortunas. O MTST destaca que a pauta da habitação é prejudicada diretamente pelo pacote de ajuste fiscal do governo federal. “Também [estamos aqui] pelo lançamento do ‘Minha Casa, Minha Vida 3’, que ainda não aconteceu e por isso projetos de moradia estão parados”, apontou Jussara Basso, da coordenação do movimento.
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